Dois filmes tocantinenses são selecionados entre 856 obras para o Festival Visões Periféricas 2026
Notícias do Tocantins – O cinema produzido no Tocantins ganhará projeção nacional durante a 19ª edição do Festival Visões Periféricas, um dos eventos pioneiros na valorização de filmes realizados fora dos grandes centros do país. Duas produções tocantinenses que retratam experiências, conflitos e desafios enfrentados pelo povo Xerente foram selecionadas para a programação.
Os documentários “Da Aldeia à Universidade” e “Uma estrada que corta o território do Xerente” representarão o estado no festival, que será realizado entre os dias 23 e 26 de julho, no Rio de Janeiro. O evento terá sessões presenciais gratuitas e exibições pela internet.
As produções tocantinenses foram escolhidas em uma seleção que recebeu 856 inscrições, quantidade 70% superior à registrada em 2025. Ao todo, 69 filmes de 18 estados, representando as cinco regiões do Brasil, integram a programação.
A abertura do festival será marcada por uma homenagem ao projeto Vídeo nas Aldeias, com a exibição do longa-metragem “Arquivo Vivo”, dirigido por Vincent Carelli e Ana Carvalho.
Indígenas deixam aldeias em busca da universidade
Dirigido por Leandro de Alcântara e codirigido por Túlio de Melo, o documentário “Da Aldeia à Universidade” acompanha as experiências dos indígenas Srowasde Xerente e Krtadi Xerente ao deixarem suas aldeias, no Tocantins, para ingressar no ensino superior.
Com 16 minutos de duração e classificação livre, o curta apresenta os desafios da adaptação à vida acadêmica, os choques culturais e as dificuldades enfrentadas por estudantes indígenas durante a busca pela formação universitária.
A produção contou com a assistência de Romário Srowasde Xerente, ampliando a participação indígena na construção da narrativa.
Estrada expõe conflitos dentro do território Xerente
A segunda produção tocantinense selecionada é o longa-metragem “Uma estrada que corta o território do Xerente”, dirigido por Túlio de Melo.
Com 72 minutos de duração, o documentário provoca uma reflexão sobre o significado de território para os povos indígenas a partir da realidade Xerente. A obra mostra uma estrada que atravessa a terra indígena e aborda os impactos provocados pelas obras de infraestrutura, pela expansão urbana e pelo chamado avanço do progresso.
O filme também coloca em debate os conflitos entre desenvolvimento, preservação ambiental e manutenção da cultura indígena.
A produção tem assistência de direção de Romário Srowasde Xerente e Leandro de Alcântara. O documentário foi contemplado com recursos da Lei Paulo Gustavo e já circulou por outros festivais nacionais de cinema.
Filmes de todo o Brasil
As obras selecionadas para o Visões Periféricas abordam temas ligados às mulheres, memória, identidades de gênero, culturas de terreiro, apagamentos históricos, questões ambientais, vida nas cidades e precarização do trabalho.
Os filmes foram distribuídos em mostras competitivas e não competitivas. Entre as categorias que concorrem a prêmios estão Fronteiras Imaginárias, Cinema da Gema, Panorâmica e Visorama.
Um júri escolherá os vencedores de cada mostra competitiva. O público também poderá votar no melhor filme do festival.
Parte da programação ficará disponível gratuitamente na plataforma Itaú Cultural Play entre os dias 23 de julho e 6 de agosto. A mostra Visorama também contará com exibições online.
Duas décadas de valorização do cinema periférico
Idealizador e coordenador-geral do evento, Márcio Blanco afirma que o festival acompanhou, ao longo de duas décadas, a consolidação de uma produção audiovisual que ampliou a diversidade de vozes e narrativas no cinema brasileiro.
“Quando o festival surgiu, poucas pessoas olhavam para essa produção da periferia. Duas décadas depois, ela ocupa um espaço cada vez mais relevante, ajudando a romper estigmas, revelando a diversidade de olhares sobre questões nacionais e regionais e apresentando novos arranjos estéticos e criativos no audiovisual brasileiro”, afirmou.
O curador Wilq Vicente também destaca que as questões sociais e raciais continuam presentes nas produções, mas aparecem em narrativas cada vez mais elaboradas, atravessadas por histórias sobre trabalho, afetos, relações familiares e amor.
Segundo ele, o crescimento da participação de cidades e estados que nunca haviam integrado o festival demonstra a importância de políticas públicas de incentivo ao audiovisual, como as leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc.
Formação de novos projetos
Além das exibições, o festival promoverá o Visões Lab, laboratório gratuito voltado ao desenvolvimento de projetos audiovisuais, formação de realizadores e articulação com o mercado cinematográfico.
A atividade será realizada entre os dias 21 e 26 de julho, paralelamente às mostras do festival.
O Festival Visões Periféricas é realizado pela Supimpa Produções Artísticas e Culturais, com patrocínio do Banco Itaú e apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e da RioFilme, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro.
Serviço
Festival Visões Periféricas 2026
Data: 23 a 26 de julho
Programação: presencial e online, com acesso gratuito
Filmes tocantinenses: “Da Aldeia à Universidade” e “Uma estrada que corta o território do Xerente”
A classificação indicativa deve ser verificada para cada produção.
Fonte: AF Noticias

