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Mais de 93% dos pacientes com câncer de pulmão no Tocantins iniciam tratamento tarde demais

Notícias do Tocantins – Mais de nove em cada dez pacientes com câncer de pulmão atendidos pelo Sistema Único de Saúde no Tocantins começaram o tratamento quando a doença já estava em estágio avançado. O índice chega a 93,27%, segundo levantamento do Radar do Câncer, plataforma mantida pelo Instituto Oncoguia.

O percentual está acima da média nacional, de 87%, e coloca o Tocantins na sexta posição entre os estados com maior proporção de pacientes nos estágios 3 e 4 da doença. Apenas Rondônia, Acre, Piauí, Espírito Santo e Alagoas apresentam índices superiores. O levantamento considera os atendimentos dos últimos três anos, entre 2024 e julho de 2026. O painel nacional do Radar do Câncer foi atualizado em 25 de julho de 2026 e confirma que 87% dos pacientes brasileiros iniciaram o tratamento em estágio avançado nesse período.

O estadiamento indica o tamanho do tumor e a extensão da doença no organismo. Nos estágios iniciais, classificados como 1 e 2, há maior possibilidade de tratamentos com intenção curativa. Já nos estágios 3 e 4, o câncer pode estar mais disseminado e exigir terapias mais complexas, reduzindo as possibilidades de controle e cura.

Quase metade espera além do prazo legal

O problema não termina com o diagnóstico. No Tocantins, 47,17% dos pacientes com câncer de pulmão levaram mais de 60 dias entre a emissão do laudo da biópsia e o início do primeiro tratamento. O índice é superior à média nacional, que está em 34,1%.

A Lei Federal nº 12.732 determina que o primeiro tratamento contra o câncer no SUS seja iniciado em até 60 dias após a confirmação da doença em laudo patológico, ou em prazo menor quando houver indicação médica.

Na prática, os dados mostram que quase metade dos pacientes tocantinenses analisados ultrapassou o limite estabelecido pela legislação, mesmo enfrentando uma doença em que o tempo pode interferir diretamente nas possibilidades de tratamento.

“Não estamos falando apenas de estatísticas, mas de vidas que perderam um tempo precioso”, afirmou a presidente e fundadora do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz. Segundo ela, é necessário preparar melhor as equipes de saúde para considerar a possibilidade de câncer de pulmão desde os primeiros sintomas e agilizar a realização de consultas e exames.

Pacientes precisam viajar para conseguir atendimento

A distância até os serviços especializados é outro obstáculo enfrentado pelos tocantinenses. Conforme o levantamento, 64,79% dos pacientes precisaram sair do município onde moram para ter acesso à assistência oncológica. Isso representa quase dois em cada três pacientes analisados.

O deslocamento pode aumentar os custos, afastar o paciente da família e dificultar a continuidade do tratamento, especialmente quando a pessoa já enfrenta sintomas provocados por uma doença em estágio avançado.

“Precisamos que o sistema de saúde olhe também para essas questões e dê acesso a cuidados de forma ágil, com qualidade e melhor distribuída no país”, afirmou Luciana Holtz.

Primeiro Agosto Branco oficial

Os dados são divulgados durante o primeiro Agosto Branco oficial do Brasil. A campanha foi instituída pela Lei Federal nº 15.207, sancionada em setembro de 2025, para ampliar a conscientização sobre os sintomas, o diagnóstico e o tratamento do câncer de pulmão.

O Instituto Oncoguia lançou a campanha “Câncer de Pulmão: EU? EU!”, que busca combater o estigma associado à doença e reforçar que o problema não atinge apenas fumantes. O tabagismo continua sendo o principal fator de risco, mas pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver câncer de pulmão devido a fatores ambientais, ocupacionais, genéticos e à exposição passiva à fumaça do cigarro.

Os números foram compilados pelo Radar do Câncer a partir de informações públicas do SUS. Por isso, representam os pacientes registrados nas bases analisadas e não necessariamente todos os casos existentes no Tocantins, incluindo os atendidos exclusivamente pela rede privada.

Fonte: AF Noticias