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Defesa da mãe do menino Gustavo cobra prisão preventiva do pai após IML descartar afogamento

Notícias de Palmas – A defesa de Sabrina Feitosa, mãe de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, cobrou que a Polícia Civil represente pela prisão preventiva do pai da criança, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, investigado pela morte do menino em Palmas.

O pedido foi divulgado nesta quarta-feira (05/08), dois dias após Gustavo ser encontrado morto em uma residência na região norte da capital. Segundo a advogada Stella Bueno, Igor é apontado pela defesa da família como o principal suspeito do caso, diante da gravidade dos elementos revelados até o momento.

Apesar da cobrança, a Polícia Civil ainda não informou publicamente se houve pedido de prisão preventiva. O inquérito tramita sob sigilo e é conduzido pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas.

Diante da extrema gravidade dos fatos já tornados públicos, a defesa aguarda que a autoridade policial represente pela prisão preventiva do investigado, para a devida apreciação pelo Poder Judiciário”, afirmou Stella Bueno.

O pai foi ouvido pela Polícia Civil após comunicar a morte do filho e acabou liberado, permanecendo à disposição das investigações. Até a publicação desta reportagem, não havia decisão judicial determinando sua prisão.

Exame preliminar descartou afogamento

O pedido de prisão ocorre após o exame preliminar do Instituto Médico Legal apontar que Gustavo sofreu graves lesões e morreu em decorrência de laceração intestinal, que provocou hemorragias interna e externa.

O diretor do IML de Palmas, médico legista Eduardo Godinho, afirmou que não foram encontrados indícios de afogamento. Segundo ele, a criança apresentava sinais de violência na face e internamente.

A constatação contraria a versão apresentada inicialmente pela defesa do pai. Os advogados de Igor informaram que Gustavo teria sofrido um princípio de afogamento na piscina da residência no domingo (2).

De acordo com essa versão, o pai retirou o menino da água, prestou os primeiros socorros e a criança voltou a reagir após expelir a água ingerida. Gustavo teria tomado banho e sido colocado para descansar. Na manhã seguinte, foi encontrado sem sinais vitais.

A defesa de Igor afirmou ainda que ele procurou espontaneamente a Polícia Civil, prestou esclarecimentos, entregou as chaves da residência para a realização da perícia e permanece à disposição das autoridades.

Polícia encontrou indícios de violência

Gustavo foi encontrado morto na manhã de segunda-feira (3), na casa do pai, na Quadra 506 Norte. Conforme a Secretaria da Segurança Pública, Igor compareceu à Central de Atendimento da Polícia Civil somente durante a tarde para comunicar o óbito.

Segundo o relato apresentado por ele, a demora teria ocorrido em razão do abalo emocional provocado pela morte do filho.

Durante os primeiros levantamentos, no entanto, foram identificados elementos que fizeram a polícia tratar o caso como morte suspeita. Testemunhas e familiares começaram a ser ouvidos ainda na noite de segunda-feira.

O delegado Eduardo Menezes informou que os investigadores apuram se as lesões encontradas no corpo resultaram de agressões e se houve homicídio. A autoria e a dinâmica da morte ainda não foram oficialmente concluídas.

A defesa da mãe também declarou que informações às quais teve acesso indicariam a ocorrência de violência sexual contra a criança. Essa informação, porém, ainda não foi confirmada oficialmente pela Polícia Civil, que aguarda a conclusão dos exames periciais.

Convivência era determinada pela Justiça

Na nota, Stella Bueno afirmou que a permanência de Gustavo com o pai não decorria de uma decisão livre ou irresponsável da mãe. Conforme a advogada, o regime de convivência paterna havia sido regulamentado judicialmente.

Segundo a defesa, impedir o contato poderia levar Sabrina a responder por alienação parental e até resultar em um pedido de reversão da guarda em favor do pai.

A convivência de Gustavo com o pai não decorria de uma decisão livre ou irresponsável de sua mãe. O regime de convivência paterna havia sido regulamentado judicialmente”, esclareceu a advogada.

A manifestação ocorre após a circulação de um vídeo em que Gustavo aparece chorando e demonstra resistência em ir para a casa do pai. Na gravação, ao ser questionado pela mãe, o menino afirma que não queria ir porque o pai o agredia.

O conteúdo deverá ser analisado no conjunto das provas. Isoladamente, o vídeo não permite concluir a autoria ou as circunstâncias da morte.

Defesa cita histórico de violência doméstica

A defesa de Sabrina também informou que pretende apresentar, no momento considerado adequado, informações sobre um suposto contexto de violência doméstica vivido pela mãe de Gustavo e sobre as circunstâncias anteriores ao crime.

Em 2023, Sabrina denunciou Igor por ameaças e obteve uma medida protetiva de urgência. As acusações são mencionadas pela defesa da mãe como parte do histórico do relacionamento, mas deverão ser analisadas separadamente dos fatos investigados no atual inquérito.

A advogada classificou a morte do menino como uma “tragédia anunciada”, mas afirmou que detalhes não serão divulgados neste momento para preservar o sigilo da investigação.

Gustavo tinha apenas 3 anos. Sua morte exige respostas, responsabilidade e justiça”, declarou Stella Bueno.

A defesa pediu respeito à dor de Sabrina e cautela na divulgação de informações, especialmente para evitar narrativas que atribuam à mãe responsabilidade por ter permitido a convivência entre pai e filho.

Gustavo frequentava, desde 2025, o Centro Municipal de Educação Infantil Maria Custódia de Jesus, no Jardim Aureny II. A Secretaria Municipal da Educação de Palmas divulgou nota de pesar e prestou solidariedade aos familiares e à comunidade escolar.

Fonte: AF Noticias