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FET no debate: Dorinha e Vicentinho prometem extinguir taxa; Laurez não deixa posição clara

Notícias do Tocantins – O futuro do Fundo Estadual de Transporte (FET), uma das cobranças mais criticadas pelo setor produtivo tocantinense, entrou no centro do debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins nesta quinta-feira (27/08). Professora Dorinha (União Brasil) e Vicentinho Júnior (PSDB) assumiram compromisso explícito de acabar com a cobrança. Já Laurez Moreira (PSD), questionado diretamente sobre o assunto, não deixou claro se pretende extinguir ou manter o fundo.

O tema ganhou destaque logo no primeiro bloco do debate promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (Fieto), em parceria com a TV Jovem Record, diante de uma plateia formada principalmente por empresários e representantes do setor produtivo.

Dorinha escolheu Laurez para o confronto e colocou o FET diretamente na discussão. A candidata afirmou que sua posição é pela revogação e disse que pretende discutir com produtores e empresários alternativas para financiar a infraestrutura e melhorar o escoamento da produção sem manter o atual modelo de cobrança.

Minha posição é pela revogação do FET. É isso que tenho ouvido de quem produz, investe e garante o desenvolvimento econômico do Tocantins. Vamos sentar com os setores produtivos para discutir alternativas que melhorem o transporte e o escoamento da produção, reduzindo os custos até a chegada dos produtos ao comércio”, afirmou Dorinha.

Ao responder à adversária, Laurez direcionou sua fala para críticas à situação do Estado e para a necessidade de mudanças na administração, mas não apresentou uma resposta objetiva sobre a pergunta central: se, eleito governador, extinguiria ou não o FET. Na réplica, Dorinha voltou ao assunto e reforçou sua defesa pelo fim da cobrança. A ausência de uma posição direta de Laurez também foi registrada na cobertura do debate.

Vicentinho também promete extinguir FET

Dorinha não é a única entre os principais candidatos a assumir esse compromisso.

Vicentinho Júnior também defende expressamente a extinção do FET. A posição do candidato do PSDB vem sendo apresentada desde antes do período oficial de campanha.

Em março, durante encontro com produtores rurais em Araguaína, Vicentinho afirmou que, caso o governador Wanderlei Barbosa não extinguisse o fundo até o encerramento do mandato, o fim da cobrança seria seu primeiro ato caso chegasse ao Palácio Araguaia. “Se Wanderlei não extinguir o FET, será meu primeiro ato como governador”, declarou na ocasião.

Com isso, Dorinha e Vicentinho chegam à reta da campanha com posições semelhantes em um dos temas mais sensíveis para o agronegócio e o setor produtivo: ambos prometem eliminar a cobrança vinculada ao FET.

Laurez, por outro lado, ao menos durante o confronto desta quinta-feira, não assumiu compromisso público de extinguir o fundo nem declarou que pretende mantê-lo.

Outros candidatos colocam impostos, gestão e setor produtivo no debate

Embora o FET tenha ganhado maior destaque nos confrontos envolvendo Dorinha, Laurez e Vicentinho, os demais candidatos também utilizaram o debate para apresentar posições relacionadas ao ambiente econômico, à industrialização, à infraestrutura e à relação do Estado com o setor produtivo.

Ataídes Oliveira (Novo) concentrou parte de sua participação em críticas ao modelo de gestão pública. O candidato afirmou que problemas como corrupção, favorecimento político e má administração prejudicam o desenvolvimento do Estado e defendeu uma mudança na forma de administrar a máquina pública.

O nosso Tocantins está doente, muito doente”, afirmou nas considerações finais.

Empresário, Ataídes utilizou sua experiência na iniciativa privada como argumento para defender uma gestão com maior controle administrativo e eficiência. “Eu me sinto competente porque sou honesto, 40 anos administrando um grupo de empresas”, declarou.

Du Pereira (DC) direcionou seu discurso econômico principalmente para a redução dos custos enfrentados pelas empresas. O candidato criticou a carga tributária e a falta de incentivos ao setor empresarial, defendendo redução de impostos e maior apoio aos empreendedores instalados no Tocantins.

Na rodada de perguntas formuladas pela indústria, Du também tratou de infraestrutura. Segundo ele, as condições das rodovias afetam diretamente produtores e moradores do interior. O candidato defendeu recuperação permanente das estradas, melhorias em pontes e investimentos na BR-010, além de criticar o custo da energia elétrica no Estado.

Professor Witer Naves (PSOL) apresentou uma linha voltada ao planejamento econômico e à participação do poder público no desenvolvimento. O candidato defendeu parceria com o empresariado, políticas de fomento e investimentos em formação e qualificação profissional. “Esse empresariado tem a responsabilidade também cívica de garantir e equalizar o desenvolvimento do nosso Estado”, afirmou.

Witer também abordou o setor mineral. Defendeu a criação de um plano diretor de mineração e criticou os efeitos da Lei Kandir sobre a arrecadação dos estados exportadores de produtos primários, argumentando que o Tocantins precisa aproveitar melhor economicamente suas riquezas minerais.

Já o subtenente Luiz Carlos Ferreira (Democrata) concentrou sua participação econômica na carga tributária e na atração de indústrias. O candidato afirmou que o Tocantins precisa oferecer condições mais competitivas para que empresas se instalem e permaneçam no Estado.

Se não baixar o imposto, se não abrir as portas do Palácio para os empresários, as indústrias não vêm para cá”, afirmou durante a rodada de perguntas do setor industrial.

O que é o FET

O Fundo Estadual de Transporte foi instituído pela Lei Estadual nº 3.617, de 18 de dezembro de 2019, com a finalidade de captar recursos para investimentos em infraestrutura de transportes. A legislação passou por alterações posteriores, entre elas a Lei nº 4.303, de 21 de dezembro de 2023.

O modelo atualmente regulamentado prevê mecanismos de recolhimento ao fundo relacionados a determinadas operações, inclusive envolvendo produtos destinados à exportação. O Decreto nº 6.725, de 11 de janeiro de 2024, regulamentou alterações na legislação e estabeleceu regras para esses recolhimentos.

Ao longo dos últimos anos, o FET passou a ser alvo de críticas de produtores rurais e representantes do setor econômico, que questionam o impacto da cobrança sobre os custos de produção e de comercialização.

Industrialização também entra no debate

Além do FET, o desenvolvimento industrial teve espaço significativo no confronto.

Dorinha defendeu que o Tocantins aproveite melhor sua localização estratégica, a força da agropecuária e o potencial mineral para ampliar a transformação de matérias-primas dentro do próprio Estado.

Segundo a candidata, uma das dificuldades para atrair novas indústrias é a necessidade de aproximar a qualificação dos trabalhadores das demandas das empresas.

Precisamos integrar a demanda das empresas à oferta de mão de obra. Vamos investir em qualificação profissional, segurança jurídica e relações de trabalho saudáveis, inclusive por meio de parcerias com instituições que já atuam no Tocantins”, afirmou.

No bloco destinado às perguntas formuladas pelo setor industrial, Dorinha também defendeu maior integração entre governo, universidades, institutos federais e setor privado para estimular ciência, tecnologia e inovação. Entre as medidas mencionadas estão parques tecnológicos e fortalecimento de estruturas de incentivo à pesquisa.

Vicentinho, ao responder sobre competitividade da indústria tocantinense, defendeu qualificação profissional, atração de investimentos e maior utilização dos instrumentos disponíveis para o desenvolvimento regional. Também citou o Sistema S como possível parceiro na preparação da mão de obra.

Laurez, por sua vez, encerrou sua participação defendendo um Tocantins mais industrializado, com melhorias na infraestrutura, educação e saúde. O candidato também criticou a situação das rodovias estaduais e a demora na conclusão de obras públicas.

Apesar das diferenças entre os projetos, houve pontos de convergência no diagnóstico econômico. Ataídes concentrou o discurso na mudança da gestão pública e eficiência administrativa; Du Pereira e Luiz Carlos defenderam redução de impostos e melhores condições para os empresários; Witer apostou em planejamento, fomento e qualificação; enquanto Dorinha, Vicentinho e Laurez também apresentaram propostas voltadas à industrialização, infraestrutura e formação de mão de obra.

Saúde provoca novo confronto

A saúde pública também esteve entre os assuntos que provocaram embates durante o debate.

Vicentinho voltou a criticar a atual administração estadual e afirmou que, caso eleito, pretende tratar a saúde como uma pauta diretamente acompanhada pelo gabinete do governador. O candidato citou problemas recentes envolvendo medicamentos vencidos encontrados no estoque regulador da Secretaria de Estado da Saúde.

Ao ser questionada por Vicentinho sobre eficiência da máquina pública, Dorinha afirmou que não pretende manter estruturas administrativas que não produzam resultados.

Não tenho compromisso com continuísmo, burocracia excessiva ou erros administrativos. Nosso compromisso é transformar e fortalecer a saúde pública, adotando modelos de gestão que já demonstraram bons resultados em outras regiões do país”, declarou.

A candidata também voltou a mencionar a conclusão do Hospital Geral de Araguaína e projetos hospitalares em Palmas como parte de suas propostas para ampliar a estrutura da rede estadual.

Fonte: AF Noticias