
Araguaína entra no 4º dia sem transporte coletivo em meio a impasse entre empresa e Prefeitura
Notícias de Araguaína – Os ônibus do transporte coletivo urbano de Araguaína estão fora de circulação desde segunda-feira (24/08), deixando usuários que dependem diariamente do serviço sem uma das principais opções de deslocamento para o trabalho, escolas, unidades de saúde e outras atividades.
No centro do impasse está uma crise financeira alegada pela Araguaína Transportes. A concessionária afirma que os ônibus pararam por falta de combustível após um dos principais fornecedores de diesel suspender o abastecimento devido ao acúmulo de valores em aberto.
A Prefeitura de Araguaína, por outro lado, afirma que está em dia com o subsídio mensal de R$ 351 mil repassado à empresa e informa que analisa um pedido da concessionária para elevar esse valor para R$ 591.974,94, um aumento de aproximadamente 69%.
Enquanto empresa e Município discutem os custos da operação, os usuários permanecem sem ônibus.
Segundo a Araguaína Transportes, o problema começou a se agravar no dia 21 de agosto, quando um dos principais fornecedores de diesel comunicou que interromperia o abastecimento dos veículos em razão de débitos acumulados.
A concessionária afirma ter comunicado imediatamente a Prefeitura e a Agência de Segurança, Transporte e Trânsito (ASTT) sobre o risco de paralisação. Três dias depois, na segunda-feira (24), o transporte coletivo deixou de operar.
“Sem diesel, os ônibus não circulam”
Em nota institucional divulgada nesta quinta-feira, a Araguaína Transportes atribuiu a crise ao desequilíbrio entre as receitas disponíveis e o crescimento dos custos necessários para manter os ônibus nas ruas.
Segundo a empresa, aumentaram despesas com diesel, pneus, peças, manutenção e salários, enquanto o subsídio municipal não passa por reajuste desde 2024. A concessionária também afirma que o valor da tarifa permanece congelado desde março de 2019.
A empresa sustenta que já apresentou à Prefeitura e à ASTT pedidos, estudos e documentos solicitando revisão dos valores destinados à operação do sistema.
“Sem diesel, os ônibus não circulam”, afirmou a concessionária.
Empresa quer subsídio de quase R$ 592 mil
Atualmente, a Prefeitura repassa R$ 351 mil por mês à Araguaína Transportes para subsidiar parte dos custos do transporte coletivo.
A concessionária pede que o repasse seja elevado para R$ 591.974,94 mensais, diferença de R$ 240.974,94 em relação ao valor atual. Na prática, o pedido representa um reajuste de aproximadamente 68,7% no subsídio pago pelo Município.
A empresa sustenta que a atualização é necessária diante do crescimento dos custos operacionais e afirma que a situação financeira chegou a um ponto crítico.
Prefeitura diz que não há repasses atrasados
A Prefeitura apresentou uma versão diferente sobre sua responsabilidade financeira no impasse.
Em nota encaminhada à imprensa nesta quinta-feira (27), o Município afirmou que todos os pagamentos do subsídio mensal de R$ 351 mil estão em dia.
A administração municipal confirmou que recebeu o pedido para elevar o repasse para R$ 591.974,94, mas informou que a solicitação ainda passa por análise técnica.
Segundo a Prefeitura, são avaliados dados operacionais, custos apresentados pela concessionária, capacidade orçamentária do Município e outros elementos necessários para verificar se o aumento solicitado é justificável.
“O aumento do repasse exige uma avaliação criteriosa para assegurar a continuidade e a qualidade do transporte coletivo, e a responsabilidade na aplicação dos recursos municipais”, afirmou o Município em nota.
Usuário fica no meio do impasse
Enquanto a discussão financeira permanece sem solução, o impacto é sentido diretamente por quem precisa do transporte público.
A paralisação atinge principalmente trabalhadores, estudantes, idosos e moradores que não possuem veículo próprio e dependem dos ônibus para atravessar diferentes regiões da cidade.
Até a tarde desta quinta-feira, o serviço continuava suspenso, completando o quarto dia sem circulação regular dos ônibus urbanos.
O cenário coloca frente a frente duas versões: a concessionária afirma que os recursos atuais são insuficientes até para garantir combustível e pede aumento do subsídio; a Prefeitura diz estar rigorosamente em dia com os repasses e que não pode autorizar um reajuste de quase 69% sem análise técnica.
Enquanto não há acordo, quem paga o preço imediato do impasse é o passageiro, que segue sem o serviço.
Fonte: AF Noticias
