
Após multas e suspensões, Exata.Go tem mais uma pesquisa barrada pela Justiça no Tocantins
Notícias do Tocantins – A Exata.Go voltou a ter uma pesquisa eleitoral barrada pela Justiça no Tocantins. Em decisão liminar expedida neste domingo (06/09), a desembargadora Silvana Maria Parfieniuk, juíza auxiliar da propaganda plantonista do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), proibiu a divulgação dos resultados da pesquisa TO-04465/2026 e determinou a retirada da publicação feita pela empresa no Instagram.
O levantamento, referente à disputa pelo Governo do Tocantins, foi registrado no dia 28 de agosto, com previsão de 2 mil entrevistas realizadas entre 29 de agosto e 2 de setembro. Os resultados poderiam ser divulgados a partir de 3 de setembro e foram publicados pela Exata.Go exatamente nessa data.
O problema identificado pela Justiça veio depois.
Pelas regras eleitorais, a empresa tinha até as 23h59 do dia 4 de setembro para complementar no sistema PesqEle informações essenciais sobre a amostra efetivamente coletada, incluindo bairros e municípios pesquisados, quantidade de entrevistados por setor censitário e composição socioeconômica e demográfica.
Mas o histórico oficial do próprio sistema da Justiça Eleitoral mostrou que os detalhes sobre bairros e municípios só foram incluídos no dia 5, depois do prazo legal e quando os resultados já estavam circulando havia dois dias.
Ao analisar os registros, a magistrada foi direta: “constata-se a flagrante intempestividade na prestação das informações obrigatórias”. Segundo a decisão, a inclusão posterior dos dados não corrige o problema porque a fiscalização da pesquisa deveria ter sido possível dentro do prazo previsto pela legislação.
A desembargadora destacou ainda que, diante da irregularidade, há probabilidade de o levantamento ser considerado uma pesquisa “não registrada”. Para a Justiça, permitir a continuidade da circulação dos números sem a transparência necessária sobre a composição da amostra poderia induzir o eleitorado em erro e afetar a igualdade da disputa eleitoral.
Divulgação proibida e multas
Com a decisão, a Exata.Go ficou proibida de divulgar os resultados da pesquisa TO-04465/2026 por qualquer meio. A empresa também recebeu prazo de 24 horas para apagar a publicação feita no Instagram.
A decisão estabelece multa diária de R$ 20 mil pela não retirada da postagem, inicialmente limitada a R$ 100 mil. Em caso de descumprimento das determinações impostas à empresa, também foi fixada multa diária de R$ 30 mil, com limite acumulado de R$ 150 mil, além da possibilidade de configuração do crime de desobediência.
A Meta também foi intimada a tornar a publicação indisponível em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 30 mil.
Instituto acumula pesquisas barradas em 2026
O novo episódio amplia um histórico de problemas enfrentados pela Exata.Go na Justiça Eleitoral ao longo das eleições de 2026.
Em abril, no julgamento de mérito de ações movidas por PP e União Brasil, outra pesquisa do instituto, registrada sob o número TO-01693/2026, teve a suspensão tornada definitiva e foi considerada não registrada. Entre as irregularidades reconhecidas estavam, novamente, a falta de complementação dos dados da amostra dentro do prazo legal e o uso de fontes não públicas. A Exata.Go acabou condenada ao pagamento de multa de R$ 53,2 mil.
Em agosto, veio outro revés. Em ação proposta pelo PDT, o TRE-TO suspendeu definitivamente mais uma pesquisa após questionamentos envolvendo a dimensão do levantamento e o custo declarado pela empresa. O estudo previa 22.820 entrevistas presenciais em 54 municípios, realizadas em apenas seis dias, por um custo informado de R$ 10 mil. O processo também apontou problemas metodológicos e documentais.
Agora, menos de um mês depois, a Exata.Go volta ao centro de uma decisão judicial envolvendo pesquisa eleitoral.
A sucessão de levantamentos suspensos, decisões desfavoráveis e irregularidades apontadas pela Justiça Eleitoral aumenta a pressão sobre a credibilidade do instituto justamente no momento em que suas pesquisas vêm sendo utilizadas no embate político pela sucessão estadual. No levantamento agora barrado, os números divulgados eram favoráveis ao candidato Vicentinho Júnior (PSDB).
Fonte: AF Noticias
