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Campanha de Eli Borges aciona TRE após exclusão da sabatina da TV Anhanguera: ‘O cenário mudou’

Notícias do Tocantins – O candidato ao Senado Eli Borges (Republicanos) acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) após ser excluído da série de sabatinas da TV Anhanguera. A campanha pede, em caráter liminar, que o parlamentar seja incluído na programação e tenha direito a uma entrevista de 15 minutos, nas mesmas condições oferecidas aos candidatos convidados.

A representação eleitoral foi protocolada na noite desta segunda-feira (14), primeiro dia das entrevistas, realizadas ao vivo no Bom Dia Tocantins. O processo foi distribuído ao gabinete da juíza auxiliar Carolynne Souza de Macêdo Oliveira.

A campanha sustenta que a emissora utilizou uma pesquisa Quaest realizada em agosto para selecionar os participantes, mesmo tendo estabelecido anteriormente que a referência seria o levantamento publicado na semana anterior às sabatinas.

As entrevistas começaram no dia 14 e seguem até 18 de setembro. Como nenhuma nova pesquisa Quaest foi divulgada na semana anterior, a TV Anhanguera adotou o levantamento realizado entre 21 e 24 de agosto.

“O cenário mudou e os números mostram isso”, argumenta a campanha.

Critério previa pesquisa mais recente

As regras foram apresentadas pela TV Anhanguera durante reunião realizada em 20 de agosto com representantes dos partidos e das candidaturas ao Governo e ao Senado.

Segundo a ação, seriam convidados os candidatos que alcançassem pelo menos 5% das intenções de voto e estivessem entre os cinco primeiros colocados na pesquisa estimulada da Quaest.

O regulamento também fazia referência à “última pesquisa de intenção de voto do Instituto Quaest, publicada na semana anterior” ao início das entrevistas.

Na pesquisa de agosto, Eduardo Gomes aparecia com 14%, seguido por Carlos Gaguim, com 13%; Paulo Mourão, com 9%; Alexandre Guimarães, com 8%; Ronaldo Dimas, com 6%; Vanderlei Luxemburgo, com 5%; e Eli Borges, com 4%.

Com esse resultado, Eli ficou fora do grupo selecionado pela emissora. A campanha argumenta, porém, que pesquisas divulgadas posteriormente mostram uma mudança significativa na disputa pelas duas vagas do Tocantins no Senado.

Eli passou de 13% para 23% no VÓPE

Um dos principais argumentos da candidatura é a evolução registrada nas pesquisas do Instituto VÓPE encomendadas pelo Jornal Primeira Página.

Na rodada realizada entre 11 e 16 de julho, Eli Borges aparecia com 13% na soma das duas opções de voto para o Senado. Foram entrevistados 1.250 eleitores em 34 municípios, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.

Na terceira rodada, realizada entre 22 e 26 de agosto, Eli subiu para 23%. O resultado colocou o candidato em empate técnico com Alexandre Guimarães, que marcou 25%, e Carlos Gaguim, que também apareceu com 23%.

O levantamento ouviu 1.250 eleitores em 34 municípios das seis regiões do Tocantins e está registrado no TSE sob o número TO-07046/2026.

Em julho, o Paraná Pesquisas também havia mostrado Eli com 13,1% na soma das citações de primeira e segunda opção. A pesquisa entrevistou 1.300 eleitores em 60 municípios entre os dias 21 e 24 de julho e teve margem de erro de 2,8 pontos percentuais.

Pesquisas de setembro mostram novo cenário

A campanha também cita dois levantamentos realizados em setembro.

Na pesquisa Promotion/Stylo, feita entre os dias 3 e 5 de setembro, Eli Borges apareceu em quarto lugar, com 18,17% no cenário estimulado e 16,42% na pesquisa espontânea.

O levantamento entrevistou 1.200 eleitores em 29 municípios e está registrado no TSE sob o número TO-09146/2026.

Já o Instituto Veritá colocou Eli em terceiro lugar, com 20,4% na soma da primeira e da segunda opção para o Senado. A pesquisa ouviu 1.220 eleitores entre os dias 7 e 12 de setembro e foi registrada sob o número TO-09060/2026.

Para a campanha, os números mostram que o cenário utilizado pela TV Anhanguera não representa mais o momento atual da disputa.

“Não estamos pedindo privilégio. Estamos pedindo que o critério seja analisado à luz da realidade eleitoral. Se uma pesquisa mostrou um cenário em determinado momento e pesquisas posteriores mostram outro, é legítimo perguntar se o critério continua refletindo a disputa que está sendo apresentada ao eleitor”, afirmou a candidatura.

O que Eli pede à Justiça

Na ação, Eli Borges pede que o TRE-TO determine sua inclusão na rodada de sabatinas, com uma entrevista de 15 minutos nas mesmas condições técnicas, jornalísticas e de divulgação garantidas aos demais participantes.

Caso seja necessário, a campanha solicita a realização de uma entrevista adicional em data disponível, sem alterar a programação dos outros candidatos.

Como alternativa, pede que a emissora não utilize exclusivamente a pesquisa Quaest de agosto e apresente um critério atualizado, objetivo, impessoal e aplicado igualmente às candidaturas.

Se o TRE-TO não autorizar a participação na rodada principal, Eli solicita ao menos o direito a uma entrevista gravada de dois minutos, prevista para ser exibida no dia 21 de setembro.

A campanha também quer que a TV Anhanguera informe se contratou ou realizou outra pesquisa Quaest depois de agosto e apresente eventuais contratos, datas de coleta, previsão de divulgação e resultados disponíveis.

Liberdade editorial está no centro da disputa

A própria ação reconhece que entrevistas jornalísticas são diferentes de debates eleitorais e que as emissoras possuem liberdade para selecionar os candidatos com base em critérios objetivos.

A campanha argumenta, no entanto, que a TV Anhanguera teria deixado de cumprir a regra temporal estabelecida pela própria emissora. A tese é de que uma pesquisa produzida cerca de três semanas antes das sabatinas não poderia substituir o levantamento previsto para a semana anterior.

O pedido cita decisões do Tribunal Superior Eleitoral segundo as quais a intervenção da Justiça Eleitoral em entrevistas deve ser excepcional e somente ocorre quando há quebra deliberada de isonomia.

Para Eli, os levantamentos posteriores não precisam substituir automaticamente a Quaest, mas demonstram que a disputa mudou e que utilizar apenas a pesquisa de agosto pode prejudicar uma candidatura que passou a aparecer entre os primeiros colocados.

“O eleitor tocantinense tem o direito de conhecer os candidatos que estão efetivamente disputando essas duas vagas. Se os números mostram que o cenário mudou, precisamos discutir se o critério adotado pela emissora continua adequado à realidade da eleição”, declarou a campanha.

A representação tramita sob o número 0600968-14.2026.6.27.0000.

Fonte: AF Noticias