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Escritor de Araguaína ganha destaque nacional e leva literatura tocantinense a revista de São Paulo

Notícias de Araguaína – A literatura produzida no Tocantins ganhou espaço em uma publicação especializada de alcance nacional. O escritor, professor universitário e psicanalista Francisco Neto Pereira Pinto foi entrevistado pela Revista Conexão Literatura, de São Paulo, em uma conversa que percorre sua trajetória, o processo criativo e o conjunto de sua produção literária.

Conduzida pelos colunistas Cida Simka e Sérgio Simka, a entrevista marca a primeira vez que Francisco Neto fala a um veículo especializado em literatura sobre sua obra de forma ampla, passando pelos livros infantis inspirados nas experiências da paternidade até os contos voltados ao público adulto.

A entrevista completa pode ser lida neste link.

O convite surgiu após os colunistas acompanharem textos e conteúdos publicados pelo escritor nas redes sociais. Na entrevista, Francisco Neto aborda as motivações que o levam à escrita, a relação entre literatura e psicanálise e os temas que atravessam seus livros.

Literatura tocantinense ganha projeção

Para Francisco Neto, a publicação também representa a abertura de espaço para escritores tocantinenses em um mercado editorial historicamente concentrado nos grandes centros do país.

A Revista Conexão Literatura informa alcançar mais de 1,4 milhão de leitores, além de reunir mais de 300 mil seguidores no Instagram e 970 mil no Facebook. A presença de um escritor do Tocantins nesse espaço amplia a visibilidade da produção literária feita no Estado diante de leitores de outras regiões.

“Todo autor de literatura tocantinense sabe como é difícil difundir sua produção literária em nichos especializados e, mais ainda, para além das barreiras do próprio Estado, de modo a alcançar o cobiçado eixo Rio-São Paulo. Qualquer um de nós que chegue lá está, na verdade, abrindo portas não somente para si, mas também para outros colegas e para nossa literatura. É sempre uma conquista nossa”, destacou Francisco Neto.

‘Civilização Selvagem’ é destaque

Um dos principais assuntos da entrevista é o livro mais recente do escritor, “Civilização Selvagem ou tigelas de barro espatifadas no chão”, lançado pela editora Mercado de Letras em agosto de 2026.

A obra reúne nove contos ambientados no espaço urbano e mergulha em questões contemporâneas como os impactos da inteligência artificial nas relações pessoais e no trabalho, a exaustão de professores e mães, o burnout e as transformações da paternidade.

Embora estruturado em contos, o livro apresenta conexões entre as narrativas que permitem ao leitor enxergá-lo também como uma história mais ampla. Essa característica foi destacada pela professora Neide Rezende, da Universidade de São Paulo (USP), como um aspecto original da obra.

O livro também recebeu repercussão fora do Tocantins e análises de pesquisadoras ligadas a importantes universidades brasileiras e estrangeiras.

Responsável pelo prefácio, Lígia Chiappini, livre-docente pela USP e professora titular da Freie Universität Berlin, destaca especialmente as personagens femininas da obra.

“As Anas se destacam pela fortaleza na luta para conciliar a vida amorosa e familiar com o trabalho fora de casa, sem abrir mão de suas preferências e necessidades pessoais. Elas se mostram fortes nas suas fraquezas e pacientes com homens robustos que, ressentidos diante dos pequenos desentendimentos no convívio com as parceiras, afastam-se delas, mas acabam voltando”, escreveu.

Já a professora titular aposentada da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Vera Teixeira de Aguiar, responsável pelo texto da quarta capa, chama atenção para a ligação existente entre as nove narrativas.

“Temos aqui nove contos e uma história possível. São nove flashes do cotidiano de um casal com seus dois filhos pequenos. […] A coleção joga com possibilidades existenciais várias, mantendo, no entanto, o núcleo familiar básico. Mudam-se os tempos, as profissões, os problemas e a classe social, como facetas da vida que acontece todos os dias”, afirmou.

Trajetória

Francisco Neto Pereira Pinto é professor, escritor e psicanalista. Doutor em Ensino de Língua e Literatura, leciona no Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e nos cursos de Medicina e Direito do Centro Universitário Presidente Antônio Carlos.

Integrante da Academia de Letras de Araguaína (Acalanto), é autor dos livros de contos “À Beira do Araguaia” e “Civilização Selvagem ou tigelas de barro espatifadas no chão”.

Na literatura infantil, publicou “O gato Dom”, “Você vai ganhar um irmãozinho”, “Saudades do meu gato Dom”, “O menino que selecionava sabores” e “Olha aquele menino, mamãe!”.

Também organizou as coletâneas “Panorama das pesquisas em ensino da literatura”, “Ensino da Literatura no Contexto Contemporâneo” e “Torto Arado em Dez Dobras”.

Fonte: AF Noticias