
Crise de água atinge 19 bairros e prejudica aulas em 7 escolas de uma das maiores cidades do TO
Notícias do Tocantins – A crise no abastecimento de água em Paraíso do Tocantins, uma das cinco cidades mais populosas do estado, já ultrapassou os transtornos domésticos e começou a comprometer serviços públicos essenciais.
Nesta semana, sete das 18 unidades da rede municipal de ensino tiveram as aulas suspensas ou reduzidas devido à falta de água, enquanto moradores de pelo menos 19 bairros e setores enfrentam interrupções no fornecimento e baixa pressão nas torneiras.
Com população estimada em 56,2 mil habitantes pelo IBGE, Paraíso enfrenta uma situação que atinge diretamente a rotina das famílias, prejudica o funcionamento das escolas e exige medidas emergenciais para garantir o abastecimento de unidades de saúde.
A gravidade do problema levou a concessionária BRK Ambiental a implantar, desde domingo (11), um sistema de rodízio no fornecimento de água. A Prefeitura afirma que cobra providências desde setembro, enquanto o Procon Tocantins notificou a empresa para exigir explicações e um plano de normalização do serviço.
Quase 40% das escolas municipais afetadas
Um dos reflexos mais preocupantes da crise está na educação. Segundo a Prefeitura, sete das 18 unidades municipais de ensino, o equivalente a quase 40% da rede, precisaram suspender ou reduzir suas atividades nesta semana.
A falta de água compromete as condições necessárias ao funcionamento das escolas, especialmente a higiene dos banheiros, a limpeza dos ambientes e o preparo da alimentação escolar.
A Prefeitura não informou quais unidades foram atingidas, quantos estudantes ficaram sem aulas nem se haverá necessidade de reposição das atividades suspensas.
Diante do problema, o Município informou ter firmado um acordo com a BRK para priorizar o abastecimento das escolas e das unidades de saúde, com utilização de caminhões-pipa.
A medida busca evitar novas interrupções, mas evidencia a dimensão da crise: serviços básicos de uma das principais cidades tocantinenses passaram a depender de alternativas emergenciais para manter o funcionamento.
Moradores enfrentam falta de água e baixa pressão
A situação também atinge milhares de moradores que dependem do fornecimento regular para necessidades básicas, como alimentação, higiene pessoal, limpeza e manutenção das residências.
Conforme reclamações recebidas pelo Procon Tocantins, os problemas se intensificaram a partir de 6 de outubro. Além das interrupções, consumidores relatam que, mesmo quando a água volta, a pressão é insuficiente para encher adequadamente as caixas d’água.
O problema foi registrado em 19 bairros e setores, entre eles Santa Clara, Nova Esperança, Jardim América, Vila Regina, Setor Sul, Marista, Aeroporto, Nova Fronteira e Paraíso Feliz.
A BRK passou a dividir o abastecimento em duas regiões, atendidas em horários alternados. A medida, segundo a concessionária, pretende distribuir a água disponível até que os mananciais recuperem seus níveis.
Estiagem reduz vazão do Rio Coco
A BRK atribui a crise à estiagem prolongada na bacia do Rio Coco, principal manancial responsável pelo abastecimento da cidade.
Segundo a empresa, a redução da vazão obrigou a adoção de medidas de contingência, incluindo interrupções programadas, ativação de poços adicionais, novas estruturas de captação e transporte de água por caminhões-pipa.
A concessionária afirma que o rodízio permite atender diariamente diferentes regiões da cidade, em horários alternados, para possibilitar a reposição dos reservatórios domiciliares.
Entretanto, as reclamações registradas pelos consumidores apontam dificuldades persistentes, inclusive nos períodos em que o fornecimento é restabelecido.
Prefeitura disponibiliza poços para reforçar abastecimento
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (14/10), a Prefeitura de Paraíso informou que vem cobrando soluções da BRK desde setembro, com acompanhamento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Entre as providências anunciadas pela concessionária estão a ativação de cinco poços adicionais, com capacidade conjunta de 62 mil litros por hora, a implantação de uma estrutura de captação no Córrego Cachorra e a utilização de caminhões-pipa para reforçar o sistema.
A administração municipal também disponibilizou dois poços próprios.
O primeiro, localizado no Setor Santaninha, já está interligado à rede e possui vazão aproximada de 3 mil litros por hora. O segundo, no Jardim Paulista, tem capacidade estimada em 9 mil litros por hora e previsão de conexão nesta quarta-feira (14).
Com a entrada em operação das duas estruturas municipais, a capacidade complementar anunciada poderá alcançar 74 mil litros por hora, somando os poços da BRK e da Prefeitura.
Apesar das medidas, não foi apresentada uma data definitiva para a normalização integral do abastecimento.
Procon dá 48 horas para BRK apresentar explicações
A crise também provocou a atuação do Procon Tocantins, que notificou a concessionária na terça-feira (13) e concedeu prazo de 48 horas para esclarecimentos.
O órgão exige informações sobre as causas e a duração das interrupções, os bairros atingidos, o número estimado de consumidores prejudicados e as providências adotadas para restabelecer o serviço.
A BRK também deverá apresentar um plano de ação com prazos e previsão para a regularização integral do abastecimento.
O Procon informou que acompanhará a situação e poderá adotar medidas administrativas, conforme os esclarecimentos apresentados e a apuração dos fatos.
Responsabilidade pelo serviço
A Prefeitura ressaltou que a responsabilidade pela prestação dos serviços de abastecimento de água é da BRK Ambiental, enquanto a fiscalização regulatória compete à Agência Tocantinense de Regulação (ATR).
Segundo a gestão municipal, sua atuação está concentrada na cobrança de providências, no acompanhamento das ações emergenciais e na disponibilização de alternativas para reduzir os prejuízos à população.
Enquanto a crise persiste, a principal preocupação é garantir condições mínimas de funcionamento das escolas e unidades de saúde, além de restabelecer o abastecimento regular nas residências.
Sem previsão concreta de normalização, moradores e estudantes continuam sujeitos aos impactos de um serviço essencial que enfrenta restrições justamente em um período de temperaturas elevadas e forte demanda por água.
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Fonte: AF Noticias
