
Governo descumpre acordo de pagamentos e agrava crise em hospitais e clínicas do Tocantins
Notícias do Tocantins – Hospitais e clínicas particulares do Tocantins enfrentam uma situação financeira crítica devido aos atrasos nos pagamentos do Governo do Estado, colocando em risco a continuidade dos atendimentos e o funcionamento de unidades de saúde. O alerta foi feito pelo Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Tocantins (Sindesto), neste sábado (17).
Segundo a entidade, o problema atinge prestadores de serviços do Plano Servir e da rede complementar do Sistema Único de Saúde (SUS), mas seus efeitos podem alcançar também pacientes de planos privados, como Cassi e Bradesco Saúde.
A situação se agravou após o Governo do Tocantins deixar de cumprir integralmente um acordo extrajudicial firmado em 7 de agosto de 2026, com a assinatura de quatro secretários estaduais. O documento estabeleceu um cronograma para regularizar os débitos com hospitais e clínicas, mas, conforme o sindicato, os compromissos assumidos não foram integralmente honrados.
Atualmente, os pagamentos estão relacionados à competência de maio para os prestadores do SUS e de junho para os credenciados ao Servir. Mesmo nesses períodos, os repasses foram parciais, deixando valores pendentes por serviços já realizados.
Mais de 45 mil procedimentos mensais sob risco
A dimensão da crise preocupa o setor. Um levantamento realizado pelo Sindesto com parte das instituições associadas revela que essas unidades são responsáveis por mais de 45 mil procedimentos mensais, incluindo consultas, exames, cirurgias, internações e terapias.
A rede pesquisada presta assistência a aproximadamente 6,5 mil pacientes por mês e reúne uma estrutura de 202 leitos ativos, 78 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 17 salas cirúrgicas e mais de 5,6 mil profissionais.
Os números representam apenas uma parcela da rede privada de saúde do Tocantins, o que indica que os efeitos dos atrasos podem atingir uma estrutura ainda maior.
Conforme o sindicato, a falta de regularidade nos pagamentos compromete o equilíbrio financeiro das instituições, dificultando a aquisição de medicamentos, o pagamento de fornecedores e a manutenção de equipes e serviços essenciais.
O risco não se limita aos pacientes do Servir e do SUS. Como hospitais e clínicas utilizam a mesma estrutura física, profissionais, equipamentos e insumos para atender diferentes convênios, a crise financeira pode provocar reflexos em toda a rede assistencial, inclusive nos atendimentos particulares.
Sindicato cobra transparência e prepara medidas jurídicas
O Sindesto afirma que tem buscado soluções por meio do diálogo com o Governo do Estado, mas considera insuficientes os repasses parciais realizados até agora, especialmente diante da situação de prestadores que continuam sem receber pelos serviços executados.
A entidade também cobra transparência sobre os critérios utilizados pelo Governo para distribuir os recursos entre os estabelecimentos credenciados.
Diante do que considera descumprimento dos compromissos assumidos, o sindicato informou que sua assessoria jurídica está adotando providências para exigir que o Estado cumpra o cronograma de pagamentos estabelecido no acordo extrajudicial.
A entidade ressalta que não pretende interromper os atendimentos, mas adverte que a manutenção dos atrasos pode tornar insustentável a operação de hospitais e clínicas.
O sindicato defende que o Governo adote medidas imediatas para regularizar os débitos e garantir condições de funcionamento aos estabelecimentos.
O alerta coloca em evidência o risco de agravamento da crise na assistência à saúde do Tocantins, caso não haja uma solução para os pagamentos pendentes.
Na manifestação divulgada neste sábado, o Sindesto não informou o valor total da dívida acumulada nem apresentou previsão para a regularização dos repasses.
Fonte: AF Noticias
