
Psoríase atinge 3 milhões de brasileiros, mas ainda é pouco compreendida, diz dermatologista
Notícias de Araguaína – Muito além das manchas e descamações na pele, a psoríase pode provocar dores nas articulações, limitar movimentos e comprometer a qualidade de vida. A doença inflamatória crônica, que afeta cerca de 3 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), ainda é cercada de desinformação e preconceito, apesar de não ser contagiosa.
Neste dia 29 de outubro, marcado pelo Dia Mundial da Psoríase, especialistas chamam atenção para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para controlar os sintomas e prevenir complicações.
O dermatologista Ebert Mota, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), em Araguaína, explica que a psoríase é uma doença imunomediada, relacionada a alterações na resposta do sistema imunológico, com influência de fatores genéticos e ambientais.
“Fatores genéticos interagem com gatilhos ambientais, como infecções estreptocócicas, trauma cutâneo, tabagismo, obesidade, consumo de álcool e estresse, para desencadear ou agravar a doença”, esclarece.
Embora possa surgir em qualquer idade, a psoríase é mais frequente entre pessoas de 20 a 30 anos e de 50 a 60 anos. Estimativas médicas indicam que a condição atinge entre 1,3% e 2% da população brasileira.
Manchas, descamação e alterações na pele são sinais de alerta
A manifestação mais comum é a psoríase em placas, responsável por aproximadamente 80% a 90% dos casos. Ela se caracteriza pelo surgimento de áreas avermelhadas, bem delimitadas e cobertas por escamas esbranquiçadas ou prateadas.
As lesões aparecem principalmente nos cotovelos, joelhos e couro cabeludo, mas também podem atingir o rosto, as mãos, os pés, as unhas e a região genital.
Segundo o dermatologista, identificar os primeiros sinais e procurar atendimento especializado são medidas fundamentais para evitar o agravamento da doença. A automedicação deve ser evitada, pois tratamentos inadequados podem piorar o quadro.
Doença também pode atingir articulações
Um dos principais alertas dos especialistas é que a psoríase não se limita à pele. Em alguns pacientes, a condição está associada à artrite psoriásica, doença inflamatória que compromete as articulações e pode provocar dor, inchaço, rigidez e dificuldade de movimentação.
Entre as manifestações estão a inflamação dos dedos, que podem adquirir aspecto semelhante ao de uma salsicha, além de alterações em tendões e estruturas articulares.
“É caracterizada por artrite periférica, dactilite, que deixa os dedos com aspecto de ‘salsicha’, entesite e, em alguns casos, acometimento axial, cursando com dor articular, rigidez matinal e perda progressiva de mobilidade. O tratamento precoce é a melhor forma de evitar a evolução da doença”, explica Ebert Mota.
A psoríase também está associada a outras condições de saúde, incluindo alterações cardiometabólicas e problemas emocionais, como a depressão, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico contínuo.
Psoríase não tem cura, mas pode ser controlada
Apesar de ser uma doença crônica e ainda não ter cura, a psoríase dispõe de tratamentos capazes de controlar a inflamação, reduzir as lesões e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
O dermatologista destaca que o acompanhamento deve considerar não apenas as manifestações físicas, mas também os impactos psicológicos e sociais da condição. “A adesão ao tratamento e o acompanhamento contínuo são essenciais para o controle sustentado e melhora funcional e psicossocial dos pacientes“, ressalta.
Preconceito ainda é um desafio
Além dos sintomas físicos, pessoas com psoríase frequentemente enfrentam constrangimento e preconceito devido à aparência das lesões.
O especialista reforça que a doença não é transmitida pelo toque, contato físico ou convivência, sendo fundamental ampliar o conhecimento da população para combater o estigma.
Segundo Ebert Mota, o cuidado multidisciplinar, o suporte psicológico e a informação são importantes para reduzir os impactos da doença na vida dos pacientes.
O HDT-UFNT, em Araguaína, integra a Rede HU Brasil, vinculada ao Ministério da Educação, responsável pela administração de hospitais universitários federais em diferentes regiões do país.
Fonte: AF Noticias
