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Anestesiologistas contrariam anúncio de sindicato e mantêm atendimentos pelo SUS e Servir

Notícias do Tocantins – A suspensão de novos atendimentos eletivos pelo SUS e pelo Servir no Tocantins ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (05/11). Após o Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Tocantins (Sindesto) anunciar a paralisação, a Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas (Coopanest) divulgou uma nota para esclarecer que não é representada pelo sindicato e continuará prestando serviços nos hospitais que mantiverem os atendimentos.

O posicionamento chama atenção porque a Coopanest havia sido mencionada no comunicado de suspensão dos atendimentos divulgado pelo Sindesto, na quarta-feira (4). O anúncio também citava o Sindicato dos Médicos do Tocantins (Simed-TO). 

Na nota assinada pelo presidente Tássio Pontes, a cooperativa enfatizou sua autonomia e deixou claro que a suspensão anunciada por hospitais e clínicas não implica uma interrupção automática dos serviços prestados pelos médicos anestesiologistas cooperados.

“Sobre a recente suspensão de novos atendimentos eletivos pelo SUS e pelo Servir anunciada por hospitais e clínicas do Tocantins, a Coopanest Tocantins esclarece que é uma entidade autônoma, representada pelo Sistema OCB/TO, e não possui vínculo de representação com qualquer outro sindicato”, informou.

A cooperativa também reafirmou que seguirá cumprindo os contratos em vigor. “A cooperativa continuará prestando os serviços de anestesiologia nos hospitais que mantiverem os atendimentos, conforme os contratos vigentes, reafirmando seu compromisso com os pacientes e os médicos cooperados”, acrescentou.

A manifestação evidencia uma distinção importante entre a decisão dos estabelecimentos hospitalares de suspender novos procedimentos eletivos e a continuidade da prestação de serviços pelos anestesiologistas.

Suspensão pode afetar consultas, exames e cirurgias

O anúncio do Sindesto foi feito durante entrevista coletiva em Palmas, na quarta-feira (4), quando a entidade informou que aproximadamente 60 hospitais e clínicas enfrentam dificuldades financeiras decorrentes de atrasos nos pagamentos do Governo do Tocantins.

Segundo o sindicato, a dívida acumulada chega a R$ 274 milhões, sendo R$ 168 milhões relacionados ao Servir e R$ 106 milhões aos serviços prestados ao SUS.

A suspensão dos novos atendimentos eletivos começou nesta quinta-feira (5), por prazo indeterminado, segundo o Sindesto. A medida abrange procedimentos programados, incluindo consultas, exames e cirurgias, mas preserva os atendimentos de urgência e emergência e a assistência aos pacientes que já estão em tratamento.

O esclarecimento da Coopanest, entretanto, demonstra que a decisão anunciada pelo sindicato dos hospitais não deve ser interpretada como uma paralisação generalizada de todas as categorias profissionais envolvidas nos procedimentos.

A continuidade da anestesiologia também não garante, por si só, a realização de cirurgias eletivas, uma vez que esses procedimentos dependem do funcionamento dos hospitais, da disponibilidade de equipes e das condições de atendimento.

Anestesiologistas já haviam suspendido serviços em setembro

A Coopanest também enfrentou recentemente um impasse financeiro com o Governo do Tocantins.

Em 9 de setembro, a cooperativa anunciou a suspensão de anestesias em cirurgias eletivas e da participação em mutirões na rede estadual, alegando atrasos de pagamento e descumprimento de compromissos financeiros. Dois dias depois, em 11 de setembro, a entidade comunicou a retomada dos serviços após entendimentos com a Secretaria Estadual da Saúde. 

Governo afirma que trabalha para regularizar pagamentos

Em nota divulgada após o anúncio da suspensão, as secretarias estaduais da Saúde e da Administração informaram que não haviam recebido, até quarta-feira (4), notificações formais de paralisação encaminhadas individualmente pelos prestadores.

O governo afirmou que mantém negociações com as entidades e trabalha para regularizar os débitos. Em relação ao Servir, informou que a competência de junho foi integralmente quitada e que restava aproximadamente 32% do parcelamento referente a maio.

A gestão estadual também ressaltou que os contratos do Servir exigem comunicação prévia de 15 dias para interrupção dos serviços, sob possibilidade de sanções administrativas.

Fonte: AF Noticias