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Partido de Wanderlei avalia lançar Gaguim ao Senado em chapa com Dorinha ao governo

A sucessão estadual no Tocantins começa a ganhar novos contornos com a aproximação entre o Republicanos, partido do governador Wanderlei Barbosa, e o grupo político liderado pela senadora Dorinha Seabra Rezende (União Brasil). No centro das articulações está a construção de uma chapa majoritária encabeçada por Dorinha ao governo, com o deputado federal Carlos Gaguim surgindo como o nome do Republicanos para a disputa ao Senado Federal.

O movimento atende a uma necessidade estratégica do Republicanos, que inicialmente trabalhava com a possibilidade de lançar Wanderlei Barbosa ao Senado. Esse cenário, no entanto, passou a ser considerado praticamente inviável após o afastamento do governador, em 2025, no âmbito da Operação Fames-19. O episódio também dificultou qualquer reaproximação política com o vice-governador Laurez Moreira (PSD), que comandou interinamente o Estado por cerca de três meses.

Diante desse contexto, a legenda passou a buscar alternativas para a formação de um novo núcleo majoritário. A solução encontrada foi indicar Carlos Gaguim como seu representante ao Senado, movimento que pressupõe a saída do parlamentar do União Brasil.

Arranjo majoritário em construção

A engenharia política em construção prevê que o União Brasil mantenha a cabeça de chapa ao governo, enquanto o PL assegura uma das vagas ao Senado com a candidatura à reeleição do senador Eduardo Gomes. A segunda vaga ficaria com o Republicanos, representado por Gaguim, em um arranjo que já encontra respaldo na direção nacional da sigla.

Com as definições em torno do governo e do Senado praticamente encaminhadas, a vaga de vice-governador passa a ser o principal ponto em aberto. A sinalização, nos bastidores, é de que o nome venha do próprio Republicanos.

Esse rearranjo impacta diretamente o grupo governista. Um dos principais afetados é o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, cuja pré-candidatura ao governo vinha sendo estimulada por Wanderlei antes do afastamento. Com a reaproximação do governador com Dorinha e a consolidação da aliança com o União Brasil, o projeto de Amélio perde espaço político.

A aproximação entre Wanderlei e o grupo de Dorinha ocorreu após a atuação da senadora e de seus aliados durante o período de afastamento do governador — apoio que foi reconhecido por Wanderlei após seu retorno ao cargo. A partir daí, o governador passou a sinalizar uma composição direta com a senadora, abrindo caminho para a atual costura envolvendo o Republicanos.

Fator Vicentinho

No mesmo tabuleiro político surge o fator Vicentinho Júnior (PP), cuja sigla integra, junto com o União Brasil, a federação União Progressista. O deputado federal, que preside o PP no Estado, acompanha os movimentos com cautela. Ele trabalha prioritariamente uma candidatura ao Senado e, durante o afastamento de Wanderlei, aproximou-se de Laurez Moreira. O retorno do governador, no entanto, redesenhou o cenário. Atualmente, Vicentinho sustenta que só não concorrerá ao Senado caso opte por disputar o Palácio Araguaia.

O pano de fundo dessas articulações segue sendo o afastamento de Wanderlei Barbosa, determinado em setembro de 2025 pelo ministro Mauro Campbell, no âmbito da Operação Fames-19, que apura suposto esquema de corrupção na compra emergencial de cestas básicas e frangos durante a pandemia. Embora tenha retornado ao cargo, o episódio continua influenciando suas decisões políticas e acelerou a busca do Republicanos por uma solução eleitoral viável para 2026.

Fonte: AF Noticias