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Justiça coloca influenciadora no banco dos réus por jogos ilegais e lavagem de dinheiro

Notícias do Tocantins  A influenciadora digital e cirurgiã-dentista Ana Paula Cerqueira Carvalho tornou-se ré na Justiça após a 2ª Vara Criminal de Porto Nacional aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO). Ela é acusada de exploração e divulgação massiva de jogos de azar e de lavagem de dinheiro, crimes que teriam sido praticados por meio de perfis nas redes sociais.

A denúncia foi protocolada pelo MPTO na segunda-feira (26) e recebida pela juíza Umbelina Lopes Pereira Rodrigues na tarde desta terça-feira (27). Com a decisão, foi aberto prazo para que a acusada constitua defesa e apresente resposta à acusação nos autos da ação penal.

Na decisão, a magistrada destaca que o Ministério Público atribui à influenciadora os crimes de ocultar ou dissimular a origem e a movimentação de bens provenientes de infração penal, conforme o artigo 1º da Lei nº 9.613/1998 (Lei de Lavagem de Dinheiro), além de exploração de jogos de azar, tipificada no artigo 50 da Lei das Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/1941).

O MPTO também requereu o confisco de bens supostamente adquiridos com recursos ilícitos. Entre os itens listados estão uma fazenda avaliada em cerca de R$ 2 milhões, veículos de luxo, cabeças de gado e outros bens patrimoniais vinculados à investigada.

Ainda segundo a denúncia, Ana Paula teria movimentado R$ 9.523.794,93 por meio de uma empresa de fachada, que, conforme o Ministério Público, teria sido criada exclusivamente para a lavagem de ativos oriundos da exploração de jogos de azar. A promotoria apontou incompatibilidade financeira ao destacar que, apesar da movimentação milionária identificada, a renda lícita declarada pela influenciadora era de aproximadamente R$ 3 mil mensais, valor considerado incompatível com o patrimônio acumulado.

O que diz a defesa

Em nota, a defesa da influenciadora afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos da denúncia e que somente após a análise completa do processo será possível exercer plenamente o direito ao contraditório e à ampla defesa.

“Somente após o integral conhecimento dos elementos constantes dos autos será possível o pleno exercício dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa”, informou a defesa.

Os advogados também afirmaram que, uma vez garantido o acesso ao processo, serão apresentados elementos técnicos para demonstrar a inocência da acusada e afastar as imputações formuladas pelo Ministério Público.

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Entenda o caso

Ana Paula já havia sido alvo de uma operação da Polícia Civil em setembro de 2025, quando a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 9,5 milhões em bens e contas bancárias. Na ocasião, foram apreendidos veículos, valores financeiros, cabeças de gado e uma fazenda avaliada em cerca de R$ 2 milhões, suspeitos de terem sido adquiridos com recursos provenientes de atividades ilegais.

Segundo as investigações, a influenciadora utilizava seus perfis no Instagram para ostentar uma rotina de luxo e simular ganhos com apostas online, com o objetivo de atrair seguidores para plataformas ilegais de jogos, especialmente o chamado “jogo do tigrinho”. Parte dos valores movimentados teria sido posteriormente ocultada por meio de mecanismos de lavagem patrimonial.

Ana Paula chegou a ser presa preventivamente em outubro de 2025, após a Polícia Civil identificar que ela continuava movimentando recursos mesmo após o bloqueio judicial. Dois dias depois, a prisão foi convertida em domiciliar, sob monitoramento eletrônico e outras medidas cautelares.

Fonte: AF Noticias