O que se sabe até agora sobre o idoso de 80 anos que morreu sem nenhum documento
Notícias do Tocantins – A Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) lançou uma mobilização pública para localizar possíveis familiares de um idoso que viveu em situação de vulnerabilidade, morreu sem portar qualquer documento pessoal e corre o risco de ser sepultado como pessoa não identificada. O homem, que dizia se chamar Antônio Rodrigues de Souza, faleceu no dia 2 de janeiro, em decorrência de complicações de saúde, após viver seus últimos meses em Miracema do Tocantins.
Além da atuação judicial para a emissão tardia de registro civil — processo que estava em andamento quando ocorreu o óbito — a Defensoria agora pede o apoio direto da imprensa e da população para ampliar as chances de identificação e garantir dignidade ao assistido, mesmo após sua morte.
“Queremos e pedimos que os veículos de comunicação nos ajudem a divulgar a imagem do nosso assistido e as informações que conseguimos levantar com ele em vida, para que possamos encontrar algum parente ou alguém que reconheça os episódios relatados e, com isso, ajude a viabilizar o processo de identificação”, afirmou a defensora pública Franciana di Fátima Cardoso, responsável pelo caso.
O que se sabe sobre Antônio
Em vida, o idoso informou se chamar Antônio Rodrigues de Souza e ter aproximadamente 80 anos. Durante audiência judicial realizada em 13 de fevereiro do ano passado, ele não soube informar o ano de nascimento, mas afirmou por duas vezes ter nascido no dia 17 de novembro. A audiência integrou o processo aberto pela DPE-TO para a emissão de registro civil tardio.
O atendimento ocorreu de forma virtual, com Antônio em Miracema do Tocantins, município localizado a 78 quilômetros de Palmas, onde passou a viver a partir de 2024. Durante a oitiva, o idoso apresentou sinais de confusão mental e dificuldades de memória, o que comprometeu a obtenção de informações mais precisas sobre sua origem e familiares.
Vínculos no Pará e no norte do Tocantins
Antônio relatou ter vivido por um período em Marabá, no Pará, embora não soubesse informar por quanto tempo. Segundo a Defensoria Pública, esse dado é considerado essencial para a busca por familiares ou conhecidos, já que o idoso pode ter construído laços sociais e afetivos na cidade.
“Ele falava muito sobre Marabá e residiu lá até 2024. Por isso, é fundamental mobilizar também pessoas daquele município”, destacou a defensora pública.
Durante a audiência, Antônio também mencionou a região do Bico do Papagaio, no Tocantins, mas não conseguiu fornecer mais detalhes sobre sua passagem ou vínculos nessa localidade.
Informações sobre a família
O idoso afirmou ter conhecido o próprio pai, embora não soubesse dizer se conviveram. Ele não se lembrava se teve irmãos, mas declarou, por mais de uma vez, ter quatro filhos, sem conseguir recordar os nomes. Antônio contou ainda que foi trabalhador rural ao longo da vida e que nunca frequentou a escola.
Condições de vida e acolhimento
De acordo com os relatos constantes no processo, Antônio viveu em situação de rua em Marabá (PA) — e não em Miracema, como chegou a ser divulgado inicialmente —, embora não se saiba por quanto tempo permaneceu nessa condição.
Em 2024, com o auxílio de um pastor que o trouxe de Marabá, ele foi acolhido em um Centro Terapêutico em Miracema do Tocantins. Em agosto do mesmo ano, passou a ser assistido pela Defensoria Pública do Estado, justamente para dar entrada no processo de registro civil tardio, que seguia em tramitação até o falecimento.
Antônio também estava em tratamento de saúde contra câncer de próstata.
Mobilização por dignidade e humanidade
A Defensoria Pública reforça que a divulgação das informações tem como objetivo localizar parentes, filhos ou conhecidos, garantindo que o idoso não seja reduzido à condição de pessoa não identificada após a morte.
“As informações que colhemos estão sendo divulgadas porque, por meio delas, podemos chegar a algum familiar — inclusive filhos que podem não saber das condições em que ele vivia e sequer tenham conhecimento de que ele veio a óbito”, ressaltou Franciana di Fátima.
Qualquer pessoa que tenha conhecido Antônio ou possua informações sobre possíveis familiares pode entrar em contato pelo WhatsApp: (63) 99203-7623.
Entenda o caso
Antônio Rodrigues de Souza faleceu no dia 2 de janeiro, por complicações de saúde. No entanto, a certidão de óbito ainda não pôde ser emitida devido à ausência de documentos que comprovem sua identidade.
Desde então, a defensora pública Franciana di Fátima atua para assegurar que o idoso tenha sua identidade reconhecida e não seja sepultado como pessoa não identificada. Atendendo a pedido da DPE-TO, a Justiça determinou, na última sexta-feira (24/01), que o Instituto Médico Legal (IML) do Tocantins não realize o sepultamento imediato do corpo nessa condição.
Entre as medidas determinadas, está a coleta das impressões digitais, que já foi autorizada. O corpo de Antônio permanece no IML de Tocantinópolis, no norte do Estado, e o desfecho do caso dependerá do resultado da perícia.
PRINCIPAIS INFORMAÇÕES QUE PODEM AJUDAR NA BUSCA DE PARENTES
Nome: Antônio Rodrigues de Souza
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Idade aproximada: 80 anos
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Data de nascimento: 17 de novembro (ano não identificado)
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Naturalidade: não identificada
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Viveu em Marabá (PA) até 2024, onde pode ter construído vínculos sociais e familiares
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Declarou ter quatro filhos
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Trabalhador rural
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Estava em tratamento contra câncer de próstata
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Viveu os últimos anos em Miracema do Tocantins (TO), residindo em um Centro Terapêutico desde 2024.
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Fonte: AF Noticias
