Reaproximação entre Wanderlei e Amélio agita bastidores e reposiciona forças para eleições
Notícias do Tocantins – No fim de semana, a reaproximação entre o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos), movimentou os bastidores da política tocantinense e trouxe novos contornos à disputa pela sucessão estadual de 2026. O reencontro simbólico ocorreu durante a Sessão Solene Especial em comemoração aos 37 anos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-TO), que também marcou a posse do novo procurador-geral do Ministério Público de Contas, Marcos Antônio da Silva Modes, no último dia 4.
Na mesa de honra estavam, além de Wanderlei e Amélio, o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos (Podemos), que representou a senadora Dorinha Seabra (União Brasil). O ambiente, inicialmente marcado por formalidade e distanciamento, chamou atenção pelo comportamento do governador, que evitava interação com Amélio e mantinha postura reservada. Pouco depois, no entanto, por iniciativa do deputado, os dois iniciaram uma conversa discreta, seguida de risadas e troca de gestos, sinalizando publicamente um gesto de distensão.
A “indisposição” de Wanderlei também foi interpretada como reflexo da agenda que o obrigou a “engolir a seco” a posse de Marcos Antônio Modes como procurador-geral do MP de Contas, após disputa judicial. Isso porque a nomeação havia sido anulada com o retorno do governador ao cargo, quando ele indicou outro nome da lista, mas sofreu uma reviravolta no Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO).
Bastidores
Nos corredores do Palácio Araguaia, a reaproximação foi rapidamente interpretada como uma recomposição política. Questionado posteriormente sobre quem seria seu candidato ao governo do grupo, Wanderlei afirmou em público que “temos dois candidatos”, citando Amélio e Dorinha, indicando que a definição ainda estaria em negociação.
Em outro momento, o governador sinalizou que Amélio teria o espaço que quisesse, “como governador, vice ou senador”. Internamente, porém, o nome de Dorinha já é tratado como praticamente fechado para encabeçar a chapa ao Palácio Araguaia.
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Arranjo majoritário
A sucessão estadual no campo governista passa hoje por uma articulação direta entre Republicanos, a Federação União Progressista e o PL, que vem sendo costurada nos bastidores desde o retorno de Wanderlei ao cargo. O desenho predominante aponta para a senadora Dorinha Seabra como candidata ao governo, com o senador Eduardo Gomes buscando a reeleição e o deputado federal Carlos Gaguim surgindo como nome do Republicanos para a segunda vaga ao Senado – movimento que envolve, inclusive, sua saída do União Brasil para reforçar o espaço da legenda do governador na chapa.
Com a consolidação de Dorinha-Gomes e a reafirmação de Gaguim de que não abre mão do Senado, a única vaga ainda em aberto na majoritária passa a ser a de vice-governador, vista como o principal espaço de acomodação política dentro do grupo governista e que tende a ficar sob controle do Republicanos.
Nesse rearranjo, a missão do grupo passou a ser convencer Amélio, que chegou a ser tratado como sucessor natural de Wanderlei, a aceitar compor como vice-governador na chapa. O deputado foi peça-chave para barrar tentativas de impeachment e manteve lealdade institucional ao governador.
Pano de fundo: afastamento de Wanderlei
Todas essas movimentações ainda são influenciadas pelo episódio do afastamento de Wanderlei Barbosa, determinado em setembro de 2025 pelo ministro Mauro Campbell, no âmbito da Operação Fames-19, que investiga suposto esquema de corrupção na compra emergencial de cestas básicas e frangos durante a pandemia.
Embora tenha retornado ao cargo após cerca de 90 dias, o episódio acelerou a busca do Republicanos por uma solução eleitoral viável e consolidou a aproximação com Dorinha. A reaproximação pública entre Wanderlei e Amélio, portanto, surge como mais um gesto de recomposição interna dentro do grupo governista.
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Fonte: AF Noticias
