Igeprev afirma que não há investimentos atuais no Banco Master e culpa gestão passada
Notícias do Tocantins – Em meio à repercussão nacional do colapso do Banco Master — envolvido em um escândalo de fraude contra o sistema financeiro e posteriormente liquidado pelo Banco Central — o Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins (Igeprev-TO) divulgou nota oficial para esclarecer sua posição sobre investimentos feitos no passado em fundos ligados à instituição financeira.
O Instituto afirma que não possui atualmente qualquer investimento no Banco Master e que os aportes mencionados em notícias recentes ocorreram entre 2011 e 2014, durante gestões anteriores. Segundo o órgão, as aplicações realizadas a partir de 2015 seguiram rigorosamente os critérios estabelecidos pela legislação vigente, pelas normas do Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelas diretrizes da regulação prudencial do próprio Banco Central.
De acordo com a nota, a política de investimentos adotada nos últimos anos priorizou fundos com histórico consistente de rentabilidade, baixo risco e administração por instituições consolidadas no mercado financeiro.
O Igeprev destacou ainda que, atualmente, 88,12% dos recursos previdenciários estão aplicados em instituições consideradas entre as mais seguras do país, como o Tesouro Nacional, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. O percentual, segundo o órgão, demonstra uma postura técnica e prudente na condução da carteira.
Outro ponto ressaltado pelo Igeprev é que a Foco DTVM, gestora ligada ao Banco Master, não administra mais nenhum fundo em que o Instituto figure como cotista.
Diante da repercussão do caso Banco Master, o Igeprev informou também que vem adotando medidas administrativas e judiciais para responsabilizar gestores do período anterior e buscar a recuperação de eventuais recursos aplicados à época.
A nota reforça o compromisso do Instituto com transparência, responsabilidade fiscal e governança, destacando que a proteção do patrimônio previdenciário dos servidores públicos estaduais permanece como prioridade.
A manifestação foi divulgada nesta sexta-feira (13), em Palmas, em um momento em que o mercado financeiro ainda absorve os impactos da liquidação da instituição investigada.
CONTEXTO
A nota do Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins surge em meio a um novo ciclo de questionamentos sobre a política de investimentos do órgão. Nesta quinta-feira (12), o Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou inquérito civil público para apurar a suposta aplicação irregular de recursos previdenciários em fundos considerados de alto risco, alguns deles ligados ao Banco Master.
A abertura do procedimento foi motivada por reportagens publicadas por veículos nacionais. Em janeiro, o portal UOL informou que o Igeprev teria realizado um aporte de R$ 62 milhões na administradora Foco DTVM, ligada ao Banco Master. Já a Folha de S.Paulo noticiou a aplicação de cerca de R$ 21 milhões no Aquilla Fundo de Investimento Imobiliário, também associado ao grupo financeiro.
Na portaria, o promotor de Justiça Vinícius de Oliveira e Silva aponta que há indícios, em tese, de aplicação e manutenção de recursos em fundos com riscos possivelmente incompatíveis com a natureza pública da previdência estadual. O documento ressalta que ao menos cem regimes próprios de previdência estaduais e municipais investiram em estruturas financeiras ligadas ao Banco Master, ampliando a dimensão do caso em nível nacional.
Análise preliminar do MPTO indica ainda que mais de R$ 200 milhões estariam aplicados em fundos fora de bancos de grande porte, com baixo volume de recursos e alta concentração de capital do instituto — cenário que, segundo a Promotoria, pode representar risco de liquidez e eventual prejuízo aos segurados.
O inquérito também resgata episódios entre 2011 e 2014, quando o Igeprev registrou perdas milionárias com aplicações de baixa liquidez, situação que resultou em ações judiciais por improbidade administrativa e pedidos de ressarcimento ao erário.
Agora, o Ministério Público busca verificar se as aplicações mais recentes repetem práticas consideradas temerárias e se observaram os critérios previstos na legislação federal e nas normas do Conselho Monetário Nacional para a gestão dos recursos dos Regimes Próprios de Previdência Social.
- Acompanhe diariamente as notícias do Tocantins pelos nossos canais no WhatsApp, Telegram, Facebook, Threads e Instagram.
Fonte: AF Noticias
