DestaqueEstado

Cerca de 400 mulheres do MST ocupam fazenda no Tocantins e cobram reforma agrária

Notícias do Tocantins – Cerca de 400 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra ocuparam, na manhã desta segunda-feira (9), a Fazenda Santo Hilário, localizada em Araguatins, no norte do estado. A mobilização reúne trabalhadoras rurais de diferentes regiões, incluindo a Amazônia, e faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, realizada entre os dias 8 e 12 de março.

A área ocupada possui 2.462 hectares e, segundo o movimento, é reivindicada para fins de reforma agrária desde 2002. O local também é apontado como um território marcado por histórico de conflitos agrários, assassinatos, violência e denúncias de trabalho escravo.

O MST afirma que existe decisão favorável à desapropriação da área para reforma agrária no âmbito da Ação Civil Ordinária nº 847, julgada pelo Supremo Tribunal Federal. Em fevereiro de 2020, a Corte determinou o cancelamento da matrícula do imóvel, em decisão assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, o que teria devolvido a área ao domínio da União.

Segundo o movimento, mesmo após a decisão, o fazendeiro permanece na propriedade, o que caracterizaria grilagem de terra pública.

Solidariedade a famílias acampadas

A ocupação também busca reforçar a luta das famílias do acampamento Carlos Marighella, instalado nas proximidades da fazenda desde 2013. Atualmente, cerca de 200 famílias vivem acampadas em uma área próxima ao lixão municipal, às margens da rodovia TO-404, aguardando a destinação da terra para assentamento.

De acordo com o MST, a mobilização denuncia não apenas a disputa fundiária, mas também a violência enfrentada por mulheres no campo.

“Este é um território emblemático, no Bico do Papagaio, terra de Padre Josimo, mas também região do avanço destrutivo do capital e do agronegócio. Nossa luta é em defesa da terra e do território, mas também para denunciar todas as formas de violências que nós mulheres sofremos nos corpos e territórios”, afirmou Divina Lopes.

Segundo o movimento, a área é reivindicada para fins de reforma agrária desde 2002.

Cobrança ao Incra

Durante o ato, as manifestantes também cobraram providências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para vistoriar a área.

Segundo o movimento, o órgão teria designado dois servidores para realizar a vistoria em setembro de 2025, com prazo de 60 dias para conclusão do procedimento, o que ainda não teria ocorrido.

Para o MST, a demora no andamento do processo contribui para o aumento das tensões e da violência agrária na região.

Presença do MDA

Durante a mobilização, o superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar no Tocantins, Diego Montello, esteve no local da ocupação e afirmou que buscará intermediar a situação junto ao Incra.

Superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Diego Montello, esteve no local

Segundo o movimento, ele se comprometeu a iniciar negociações com o órgão responsável pela política de reforma agrária e a garantir a segurança das mulheres e das famílias que permanecem na área. Ainda de acordo com o MST, na tarde desta segunda-feira a Polícia Militar do Tocantins estaria a caminho do local.

Jornada nacional

A ação em Araguatins integra uma série de mobilizações realizadas pelo MST em diferentes regiões do país durante a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, que neste ano tem como lema: “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar.”

Fonte: AF Noticias