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‘Aqui a bala pega’: ameaça de prefeito a vereadora motivou operação da PF no Tocantins

Notícias do Tocantins – “Tu te prepara porque aqui a bala pega”. A frase, dita durante sessão da Câmara de Colinas do Tocantins, motivou a investigação que resultou na deflagração da Operação Cortina Digital, da Polícia Federal, que tem como alvo o prefeito do município, Josemar Carlos Kasarin (União Brasil).

A ação foi realizada na manhã desta quinta-feira (12) e apura suspeitas de violência política de gênero contra a vereadora Naiara Miranda (MDB). Ao todo, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins.

Além do prefeito, dois administradores de páginas em redes sociais também são alvos da operação. Durante a ação, agentes apreenderam aparelhos celulares e outros dispositivos eletrônicos, que serão submetidos à análise pericial.

O que diz a vereadora

Em manifestação pública após a operação, a vereadora Naiara Miranda afirmou que recebeu a notícia com serenidade e destacou que a investigação representa um passo importante na defesa da participação feminina na política.

“Recebi com serenidade a notícia da operação da Polícia Federal relacionada aos episódios de violência política de gênero que sofri. Desde o início, nunca deixei de acreditar que a Justiça chegaria à conclusão sobre a violação dos meus direitos enquanto mulher e parlamentar”, afirmou.

A parlamentar ressaltou que o caso vai além de um conflito político e envolve a garantia de direitos das mulheres nos espaços de decisão.

“Mais do que uma questão pessoal, trata-se da defesa do direito das mulheres de participarem da política com respeito, segurança e igualdade”, declarou.

Segundo ela, mesmo diante das agressões e tentativas de intimidação, manteve sua atuação no Legislativo.

“Ser mulher na política ainda significa enfrentar ataques que muitas vezes tentam nos silenciar, deslegitimar nossa atuação e ferir nossa dignidade. Eu senti na pele o que tantas outras mulheres também enfrentam quando ousam ocupar espaços de decisão”, disse.

Investigação começou após ameaça

Segundo a Polícia Federal, a investigação teve início após um episódio ocorrido durante a sessão de abertura do ano legislativo da Câmara Municipal, em fevereiro de 2025.

Na ocasião, após a vereadora declarar que exerceria um mandato independente em relação ao Executivo, o prefeito reagiu em tom de ameaça durante o uso da palavra.

“Se ela pedir aparte e citar meu nome, eu vou responder. Tu te prepara porque aqui a bala pega”, afirmou o gestor ao microfone da Casa.

A declaração teria constrangido a parlamentar no exercício do mandato, o que motivou a abertura do inquérito para apurar possível violência política de gênero.

O episódio ganhou repercussão pública após a divulgação de gravações da sessão e motivou a abertura de investigação pelo Ministério Público.

Campanha difamatória nas redes

No decorrer da apuração, a Polícia Federal identificou indícios de que páginas em redes sociais administradas por servidores públicos estariam sendo utilizadas para divulgar conteúdos considerados inverídicos contra a vereadora e outros agentes políticos ligados a ela.

A suspeita é de que esses perfis tenham sido usados para promover ataques e uma campanha difamatória no ambiente digital.

A apreensão de celulares e equipamentos faz parte da estratégia de preservação de provas digitais, como mensagens, arquivos, publicações e registros de comunicação em redes sociais ou aplicativos.

Prefeito nega irregularidades

Após a operação, o prefeito Josemar Carlos Kasarin publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que os agentes fizeram apenas uma vistoria em sua residência e não encontraram irregularidades.

“Recebemos uma visita da Polícia Federal aqui na casa do Azulão. Quem não deve não teme. Depois de fazerem uma vistoria, não encontraram nada de irregular”, afirmou.

O gestor também atribuiu a investigação a denúncias de adversários políticos.

“Isso são intrigas da oposição tentando fazer confusão com o prefeito Azulão. Mais uma vez deram com a cara no chão, porque aqui não encontraram nada de irregular”, declarou.

A Polícia Federal informou que os materiais apreendidos durante as diligências serão analisados para aprofundar a investigação.

Significado da operação

Segundo a Polícia Federal, o nome da operação “Cortina Digital” faz referência à expressão “cortina de fumaça”, utilizada para designar estratégias destinadas a desviar a atenção da opinião pública por meio de ações no ambiente digital.

As investigações continuam, e o material apreendido será analisado no curso do inquérito policial.

Fonte: AF Noticias