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Caminhoneiros ameaçam greve nacional após alta do diesel; governo tenta conter crise

O avanço no preço do diesel nas últimas semanas – impulsionado pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã intensificou a mobilização de caminhoneiros em várias regiões do país e elevou o risco de uma paralisação nacional da categoria, ainda sem data definida. Lideranças afirmam que o movimento já foi aprovado em assembleias e pode ser deflagrado no curto prazo.

À frente das articulações, o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, Wallace Landim, conhecido como Chorão, disse que a greve deixou de ser uma possibilidade remota.

“Vai ter greve. Se for preciso, vamos fechar rodovias. A categoria já deliberou por isso e estamos articulando nacionalmente com outros grupos”, afirmou.

Segundo ele, o cenário atual é de forte pressão financeira sobre os profissionais do transporte. “Esse movimento agora é pela sobrevivência da categoria. Não é mais uma questão pontual, é porque a conta simplesmente não fecha”, declarou.

Diesel acumula alta próxima de 19%

Dados do setor apontam que o preço do diesel já acumula alta entre 18,8% e 19% desde o fim de fevereiro, impulsionado principalmente pela valorização do petróleo no mercado internacional, em meio às tensões no Oriente Médio.

O aumento ocorreu mesmo após o governo federal anunciar medidas para conter os preços, como a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins e a criação de uma subvenção ao combustível.

Na prática, porém, o impacto foi reduzido após a Petrobras promover um reajuste nas refinarias – estimado em até R$ 0,38 por litro, ou cerca de 11,6%, dependendo da base de cálculo – logo após o anúncio das medidas.

Mobilização ganha apoio

A mobilização reúne caminhoneiros autônomos e motoristas contratados por transportadoras e conta com apoio de entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística.

Representantes da categoria indicam que a adesão vem crescendo em diferentes regiões do país, com destaque para estados como São Paulo e Santa Catarina, onde ocorreram reuniões e assembleias recentes.

Entre as principais queixas está a avaliação de que parte da redução anunciada pelo governo não chegou ao consumidor final, ficando retida na cadeia de distribuição.

Governo tenta evitar nova crise

O governo federal acompanha a mobilização e reconhece o risco de paralisação, especialmente diante do impacto econômico que um movimento dessa natureza pode causar — a exemplo da Greve dos caminhoneiros de 2018.

O Ministério dos Transportes deve intensificar as negociações com a categoria. O ministro Renan Filho deve participar diretamente das tratativas, enquanto a Agência Nacional de Transportes Terrestres prepara medidas para reforçar a fiscalização do piso mínimo do frete e punir empresas que descumprirem a regra.

Além disso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública já acionou a Polícia Federal para investigar possíveis irregularidades na formação dos preços dos combustíveis.

Pautas vão além do combustível

Embora o diesel seja o principal foco, a categoria também cobra medidas estruturais, como:

  • redução do ICMS sobre o combustível;

  • maior fiscalização de preços ao longo da cadeia;

  • revisão de tarifas de pedágio;

  • garantia do cumprimento do piso mínimo do frete.

Há ainda demandas de caráter social, como a aprovação de regras para aposentadoria especial dos caminhoneiros.

Apesar do clima de insatisfação, lideranças afirmam que ainda há espaço para negociação. No entanto, caso não haja avanço nas tratativas, a categoria sinaliza que poderá deflagrar uma paralisação nacional nos próximos dias, ampliando a pressão sobre o governo e o setor de combustíveis.

Fonte: AF Noticias