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Wanderlei desafia deputados a abrir CPI e impeachment: ‘a PF foi na casa de vocês também’

Notícias do Tocantins – O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) elevou o tom ao limite e lançou um desafio direto aos deputados estaduais durante discurso nesta quinta-feira (26), em Palmas. Diante de mais de mil vereadores reunidos no evento da Associação das Câmaras Municipais (ASCAM), o chefe do Executivo partiu para o confronto aberto com parlamentares e opositores ao sugerir a abertura de uma CPI e até a votação de um eventual impeachment contra ele.

“Quero dizer ao presidente Amélio: pode fazer a CPI, porque no dia que a polícia entrou na minha casa entrou na casa de vocês também! Eu quero que vocês cuidem dessa forma. Se eu mereço o impeachment, pode até deixar o impeachment, se quiser pautar para votar, pode votar o impeachment, porque eu sei o que fiz”, desabafou.

A declaração, incomum pela contundência, expõe o nível de tensão política presente nos bastidores do poder estadual e tem como pano de fundo a Operação Fames-19, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um esquema de desvio de mais de R$ 70 milhões em recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021.

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A operação teve desdobramentos profundos na estrutura política do estado. Além do próprio governador, que acabou afastado do cargo por cerca de 90 dias em 2025, a ofensiva da Polícia Federal também alcançou 10 deputados estaduais, alvos de mandados de busca e apreensão – entre eles, o próprio presidente da Assembleia, Amélio Cayres – o que ajuda a explicar o recado direto de Wanderlei ao Parlamento.

Também foram alvo das medidas os deputados Cleiton Cardoso, Claudia Lelis, Ivory de Lira, Jorge Frederico, Léo Barbosa, Nilton Franco, Olyntho Neto, Valdemar Júnior e Vilmar de Oliveira.

Ao afirmar que a operação não foi direcionada exclusivamente a ele, o governador sinaliza que eventuais desdobramentos podem atingir outros atores políticos.

Durante o período em que esteve afastado, diversos pedidos de impeachment foram protocolados na Assembleia Legislativa do Tocantins, ampliando a pressão sobre o governo e alimentando a instabilidade política. Nenhum deles, no entanto, avançou formalmente.

No mesmo evento desta quinta-feira, o presidente da Casa, Amélio Cayres (Republicanos), anunciou o arquivamento de todos os pedidos de cassação contra o governador. Segundo ele, as solicitações não chegaram a ser pautadas para votação no plenário, encerrando, ao menos formalmente, esse capítulo da crise.

A fala de Wanderlei, porém, reabre o embate político ao trazer o tema de volta ao centro do debate público – agora com um tom mais agressivo e desafiador. Ao se dizer disposto a enfrentar uma CPI ou até um processo de impeachment, o governador tenta transformar a defensiva em ofensiva e reposicionar sua narrativa diante de um dos episódios mais delicados de sua gestão.

O discurso marca uma mudança de estratégia: menos cautela institucional e mais enfrentamento direto – inclusive com o próprio Parlamento que, até aqui, evitou levar adiante qualquer iniciativa concreta contra o chefe do Executivo.

Fonte: AF Noticias