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Abin compartilha métodos de inteligência para prevenir violência nas escolas do Tocantins

Notícias do Tocantins – O Tocantins deu um passo estratégico no enfrentamento à violência no ambiente escolar ao incorporar conhecimento técnico da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) às políticas educacionais. Em reunião realizada nesta quarta-feira (25/03), a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) alinhou ações com a agência federal para fortalecer a prevenção, identificação e resposta a possíveis ameaças nas escolas.

O encontro reuniu equipes das Superintendências de Políticas Educacionais e de Educação Básica e teve como foco a integração entre educação e inteligência — uma abordagem que busca antecipar riscos antes que situações de violência se concretizem.

Durante a reunião, o superintendente da Abin, Alessandro Pegoraro, apresentou metodologias utilizadas em nível nacional para monitoramento de cenários sensíveis, leitura de comportamentos de risco e identificação precoce de possíveis ameaças, inclusive aquelas que se manifestam no ambiente digital.

A atuação da Abin, tradicionalmente ligada à produção de inteligência estratégica para a segurança do Estado, passa a contribuir diretamente com o ambiente escolar ao compartilhar protocolos e ferramentas que auxiliam gestores e educadores a reconhecer sinais de alerta, como mudanças bruscas de comportamento, isolamento social, discursos de ódio e indícios de planejamento de atos violentos.

Estamos trazendo conhecimento técnico que pode ajudar na prevenção. A violência nas escolas é um fenômeno nacional e exige atuação integrada, com informação qualificada e análise de risco”, destacou Pegoraro.

A Seduc, por sua vez, apresentou as ações já em curso no estado, evidenciando que o Tocantins vem estruturando uma política preventiva baseada na articulação entre diferentes áreas. A secretária-executiva, Markes Cristiana Oliveira, ressaltou que a parceria com a Abin qualifica ainda mais esse trabalho.

Esse intercâmbio nos permite aprofundar a compreensão sobre as múltiplas formas de violência, inclusive as silenciosas e virtuais. Com isso, conseguimos agir com mais precisão, segurança e rapidez”, afirmou.

Entre as iniciativas já implantadas no estado está o Protocolo de Segurança Escolar, que orienta unidades públicas e privadas sobre como agir diante de ameaças, além de estabelecer fluxos de comunicação com forças de segurança e demais órgãos competentes.

No campo pedagógico, as escolas têm sido orientadas a atuar na raiz do problema, com ações contínuas de promoção da cultura de paz. Temas como respeito à diversidade, empatia, convivência social e uso responsável das redes sociais são trabalhados de forma interdisciplinar, com foco na prevenção ao bullying e ao cyberbullying.

Outro eixo considerado estratégico é o acompanhamento das vulnerabilidades dos estudantes. As unidades escolares realizam diagnósticos situacionais e promovem espaços de escuta ativa e acolhimento, fortalecendo vínculos e identificando precocemente situações que possam evoluir para conflitos ou episódios de violência.

A integração com a Abin também reforça a atenção ao ambiente digital, onde, segundo especialistas, muitos comportamentos de risco começam a se manifestar. O monitoramento de sinais indiretos e a orientação sobre o uso consciente das redes passam a ser tratados como elementos centrais na prevenção.

O estado também aderiu ao Programa Escola que Protege (ProEP), iniciativa do Governo Federal que prevê formação continuada de profissionais da educação, apoio psicossocial e desenvolvimento de planos de segurança nas escolas, em articulação com o Sistema Nacional de Acompanhamento e Combate à Violência nas Escolas (Snave).

Com a entrada da Abin nesse processo, o Tocantins reforça uma estratégia que vai além da resposta a crises e aposta na inteligência, na prevenção e na atuação integrada como pilares para garantir um ambiente escolar mais seguro.

A iniciativa posiciona o estado entre os que buscam soluções estruturadas e antecipatórias para um problema crescente em todo o país, apostando na informação e na articulação institucional como principais ferramentas de proteção.

Fonte: AF Noticias