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Dra. Ângela deixa Secretaria da Mulher de Araguaína e entra na disputa por vaga na Assembleia

Notícias de Araguaína – Cirurgiã-dentista, professora universitária, fundadora da Faculdade de Ciências do Tocantins (Facit), empreendedora e produtora do agro, a doutora Ângela Maria Silva deixou o comando da Secretaria Municipal da Mulher de Araguaína para se dedicar integralmente à pré-candidatura a deputada estadual nas eleições de 2026.

A saída encerra um ciclo de dois anos marcado pela consolidação de políticas públicas permanentes de enfrentamento à violência de gênero e de fortalecimento feminino. Entre 2024 e 2025, a pasta registrou 23.596 atendimentos e 516 ações.

Criada inicialmente como secretaria especial, vinculada ao gabinete do prefeito Wagner Rodrigues, a estrutura foi implantada sob a condução de Ângela com atuação intersetorial, articulando ações com saúde, educação, assistência social, justiça, segurança pública e sociedade civil. Posteriormente, foi transformada na Secretaria da Mulher (Semul).

A atuação foi estruturada em dois grandes eixos: o enfrentamento da violência de gênero e o fortalecimento das mulheres, desdobrados em projetos permanentes que representam políticas públicas de respeito e valorização da mulher araguainense”, afirmou a ex-secretária.

Mais de 20 mil pessoas alcançadas

No biênio 2024 – 2025, a Semul alcançou 23.596 pessoas em 516 ações realizadas em escolas, empresas, associações de moradores, espaços públicos como a Via Lago e bairros periféricos. O eixo de enfrentamento à violência de gênero respondeu por 14.672 atendimentos, enquanto o de fortalecimento das mulheres somou 3.482 atendimentos voltados ao empreendedorismo, arte, igualdade racial e valorização de servidoras.

Entre as ações de maior visibilidade está o projeto Banco Vermelho, com a mensagem “a mesma praça, mas o banco não é o mesmo, ele agora é vermelho”, iniciativa simbólica de combate ao feminicídio. No período, foram 136 ações, com alcance de 5.700 pessoas, articuladas a campanhas como os 21 Dias de Ativismo pelo Fim das Violências contra as Mulheres.

Outro destaque é o projeto Maria da Penha na Escola, que levou informações sobre direitos, tipos de violência e canais de denúncia a 4.072 estudantes da rede municipal, por meio de palestras, rodas de conversa, dinâmicas e distribuição de materiais educativos, com destaque para os canais 180 e 190, além da rede especializada de atendimento.

A Semul também ampliou o projeto Justiça Itinerante, com 42 ações e 1.874 atendimentos, oferecendo orientação jurídica e encaminhamentos para mulheres em situação de vulnerabilidade. Já o projeto Empresa Cuida Delas levou o debate sobre violência de gênero ao ambiente de trabalho, alcançando 362 trabalhadores em diferentes segmentos.

Na promoção da autonomia econômica, o projeto Mulher Empreendedora de Araguaína, aliado à Feira da Mulher Empreendedora, atendeu 1.720 mulheres com capacitações, mentorias, rodadas de negócios e apoio à formalização. Iniciativas como A Arte Delas e Colocando a Mão na Massa utilizaram oficinas de crochê, artesanato e panificação como instrumentos de emancipação, beneficiando 503 participantes.

No campo da igualdade racial, o projeto Raízes de Coragem, iniciado em 2025, alcançou 1.010 pessoas em 20 ações voltadas ao combate ao racismo e à valorização da cultura negra. Já o projeto Mulher Maravilha promoveu ações de saúde, qualidade de vida e valorização profissional para servidoras municipais. Na área da saúde, o projeto O Sorriso Delas realizou 516 atendimentos odontológicos em bairros periféricos.

Sala de Acolhimento e ponto focal do 180

A Sala de Acolhimento, implantada na gestão de Ângela e vinculada à Diretoria de Enfrentamento à Violência de Gênero, oferece atendimento sigiloso e humanizado a mulheres em situação de violência. O espaço reúne atendimento jurídico, por meio do projeto Justiça Itinerante, e psicológico, pelo projeto Cuidando Delas, além de encaminhamentos para a rede de proteção.

Em 2025, foram registrados 139 atendimentos psicológicos e 26 jurídicos. Entre janeiro e março de 2026, já são 34 atendimentos psicológicos e 21 jurídicos, indicando aumento na demanda.

Desde 2026, a unidade também atua como ponto focal do Ligue 180 em Araguaína, recebendo denúncias da central nacional, realizando diligências com apoio da Guarda Municipal e organizando o acolhimento das vítimas.

A iniciativa amplia o acesso aos canais de denúncia, fortalece a integração com a rede nacional e reforça a coordenação da rede de proteção no município.

Trajetória e pré-candidatura

Antes de assumir a secretaria, Ângela já tinha atuação consolidada na educação superior, como fundadora da Facit, além de experiência no setor privado e no agronegócio. A passagem pela gestão pública ampliou sua atuação em áreas como formação profissional, empreendedorismo feminino e interiorização de políticas públicas.

Ao deixar o cargo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, ela afirma que pretende levar a experiência da gestão municipal para o debate estadual.

Saio da Secretaria da Mulher com a consciência tranquila de que deixamos um legado de políticas estruturadas, com projetos contínuos, dados concretos e uma rede de proteção fortalecida”, afirmou.

Agora, minha missão é transformar essa experiência em leis, programas e recursos que alcancem todas as regiões do Tocantins, para que proteção, renda e protagonismo das mulheres cheguem a cada município”, acrescentou.

A ex-secretária também destacou o papel das equipes técnicas e das mulheres atendidas. “Nada do que foi construído seria possível sem a confiança das mulheres que nos procuraram e participaram das ações. É por elas, e com elas, que coloco meu nome à disposição como pré-candidata a deputada estadual”, concluiu.

Ex-titular da SEMUL aposta na experiência em políticas públicas

Fonte: AF Noticias