Filiação de Kátia Abreu ao PT é contestada com pedido de anulação à Executiva Nacional
Notícias do Tocantins – A filiação da ex-senadora Kátia Abreu ao Partido dos Trabalhadores (PT), oficializada neste sábado (4), já provoca resistência interna e se tornou um novo foco de tensão dentro da legenda no Tocantins. Logo após o anúncio, integrantes da corrente Articulação de Esquerda protocolaram um pedido formal para anulação do ato.
O recurso foi encaminhado à Executiva Nacional do partido e ainda não tem data definida para análise, mas deve ser incluído na pauta de uma próxima reunião da direção. A Articulação de Esquerda é considerada uma ala minoritária do PT, mas historicamente vocal nas disputas internas.
No documento, os signatários criticam a trajetória política de Kátia Abreu. Entre os principais pontos, destacam que a ex-senadora apoiou, em diferentes momentos, candidatos de direita em disputas estaduais, inclusive em oposição a nomes do próprio PT.
Os integrantes também alegam que Kátia não possui histórico de participação em mobilizações ligadas à classe trabalhadora, como greves e ocupações, e sustentam que sua atuação política não estaria alinhada aos princípios estabelecidos no estatuto partidário.
Outro argumento central é a ligação da ex-ministra com o agronegócio e posições consideradas contrárias à reforma agrária. “O PT não é o partido do latifúndio, do trabalho escravo nem da burguesia”, afirmam os signatários no documento encaminhado à direção nacional.
Filiação estratégica
Apesar da contestação, lideranças do PT avaliam que a Executiva Nacional dificilmente acatará o pedido, e a tendência é de manutenção da filiação. A entrada de Kátia Abreu é tratada por setores da legenda como estratégica para ampliar o alcance político do partido no Tocantins, especialmente junto a segmentos do setor produtivo.
A ex-senadora anunciou sua filiação destacando o compromisso com a democracia e o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A movimentação foi articulada com respaldo da direção nacional e ocorre em meio à reorganização do partido no estado para as eleições de 2026.
De líder do agronegócio ao PT
A filiação consolida um processo de reposicionamento político ao longo dos últimos anos. Com trajetória marcada pela liderança no agronegócio – incluindo a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e forte atuação na bancada ruralista – Kátia também foi alvo de críticas de organizações como o Greenpeace, que a apelidaram de “Rainha da Motosserra” e “Miss Desmatamento” durante o debate sobre o Código Florestal.
A inflexão política teve início no governo Dilma Rousseff, quando ela assumiu o Ministério da Agricultura (2015–2016), ampliou o diálogo com setores de centro e centro-esquerda e se manteve fiel à então presidenta durante o processo de impeachment. Em 2018, integrou, como vice, a chapa de Ciro Gomes, consolidando seu afastamento do campo conservador. Desde então, passou a adotar um discurso mais conciliador, defendendo o equilíbrio entre produção agropecuária e preservação ambiental.
A filiação de uma liderança historicamente vinculada ao agronegócio amplia o alcance político do PT, mas também expõe fissuras internas que tendem a se intensificar à medida que o partido avança na definição de alianças e palanques para 2026.
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Fonte: AF Noticias
