Abastecimento de 736 litros de gasolina em carro do governo gera investigação no Tocantins
Notícias do Tocantins – O Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou procedimento preparatório para apurar possíveis irregularidades no abastecimento de veículos oficiais vinculados à Secretaria da Governadoria do Estado. A medida foi publicada no Diário Oficial do órgão nesta quarta-feira (22).
A investigação teve origem em denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria do MPTO, que aponta possível “malversação de recursos públicos” no setor de transportes, com suspeita de uso indevido de veículos e gastos considerados fora do padrão.
Abastecimento fora do padrão
De acordo com a portaria, um dos casos que motivaram a apuração envolve um veículo oficial que teria sido abastecido com 736,38 litros de gasolina em uma única operação, ao custo de cerca de R$ 5 mil.
O documento também registra outras duas transações de grande volume: 733,13 litros (R$ 4.977,95) e 482,54 litros (R$ 3.276,45). Somadas, as operações totalizam R$ 13.254,40 em um intervalo de apenas 20 dias.
Para o MPTO, os comprovantes indicam possível inconsistência. Segundo o texto, os registros apontam “quantidade de litros incompatível com a capacidade do tanque de combustível” do veículo citado.
Ainda conforme a portaria, os elementos iniciais “revelam plausibilidade da representação”, embora a investigação ainda dependa de informações complementares para confirmar eventual irregularidade.
Suspeita sobre uso de cartões de abastecimento
A denúncia também menciona o uso dos chamados “cartões coringa” (Ticket Fleet), utilizados para abastecimento da frota oficial. Segundo o MPTO, há indícios de utilização em “volumes e valores incompatíveis com a capacidade dos tanques veiculares”.
O órgão destaca que existe contrato entre o Estado e a empresa Ticket Soluções HDFGT S/A, que prevê mecanismos de controle. Entre as obrigações, está a de “assegurar mecanismos de supervisão que garantam que o volume registrado seja efetivamente abastecido no veículo indicado”.

Diligências e próximos passos
Como parte das primeiras medidas, o MPTO determinou que a empresa responsável apresente, no prazo de 15 dias úteis, informações detalhadas sobre os abastecimentos realizados entre agosto e outubro de 2025.
Devem ser enviados dados como responsáveis pelos abastecimentos, postos utilizados, datas, volumes e cópia do contrato.
O procedimento preparatório é etapa preliminar e tem como objetivo reunir elementos para eventual abertura de inquérito civil. Até o momento, não há investigados formalmente identificados.
O Ministério Público ressalta que a apuração busca verificar possível violação aos princípios da administração pública, como legalidade, moralidade e eficiência.
A reportagem solicitou manifestação do Governo do Estado sobre o caso, mas não obteve resposta até a última atualização desta matéria.
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Fonte: AF Noticias
