Cibercriminoso que lucrava milhões com dados de policiais é preso no Paraguai em operação do Tocantins
Notícias do Tocantins – Uma investigação da Polícia Civil do Tocantins resultou na prisão, no Paraguai, de um cibercriminoso suspeito de obter e utilizar indevidamente credenciais de acesso a sistemas da segurança pública para consultar e comercializar dados sigilosos de pessoas e veículos.
A ação foi conduzida pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC – Paraíso do Tocantins) e teve origem em uma campanha de phishing direcionada a policiais civis do estado.
O suspeito, que reside em Paranavaí (PR), foi preso após tentar fugir do Brasil ao perceber que estava sendo investigado. Ele foi localizado e detido no Paraguai, sendo posteriormente entregue à Polícia Federal na fronteira e encaminhado a uma unidade prisional em Guaíra, no Paraná.
Acesso indevido e comercialização de dados
As investigações apontam que o cibercriminoso atuava desde pelo menos 2024 na obtenção fraudulenta de credenciais de acesso de servidores da segurança pública, por meio de campanhas de phishing — técnica de engenharia social utilizada para enganar vítimas e capturar logins e senhas.
Entre 2024 e março de 2026, foram identificadas ao menos quatro campanhas direcionadas a policiais civis do Tocantins, sendo a mais recente registrada em março deste ano.
Com as credenciais obtidas ilegalmente, ele estruturou um sistema de servidores virtuais automatizados que permitiam o acesso a bases institucionais e a realização de consultas de dados sigilosos, posteriormente comercializados em plataformas clandestinas na internet.
Atuação em vários estados e uso de anonimização digital
As investigações também identificaram que o cibercriminoso possuía credenciais de policiais civis e militares de diversos estados, incluindo Tocantins, Piauí, Amazonas, Maranhão e Paraná, além de sistemas de departamentos estaduais de trânsito.
No Tocantins, ao menos sete credenciais teriam sido comprometidas. Para dificultar o rastreamento, ele utilizava serviços de VPN e técnicas de anonimização de IP, simulando acessos a partir de países da Europa, Oriente Médio e Ásia. Ainda assim, a investigação técnica conseguiu identificar sua atuação.
Movimentação financeira e bloqueio de bens
Em um intervalo de aproximadamente 40 dias, entre março e abril de 2026, o investigado teria obtido cerca de R$ 90 mil com a venda ilegal de dados.
Com base na continuidade da atividade desde pelo menos 2023, a Polícia Civil estima que o lucro total possa ter alcançado até R$ 6 milhões.
A Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros no mesmo valor.
Também foi identificado o uso de uma empresa de fachada registrada como prestadora de serviços de análise de crédito, supostamente utilizada para dar aparência lícita aos valores obtidos com as atividades criminosas.
Apreensões e avanço das investigações
Durante diligências em Paranavaí, foram apreendidos computadores utilizados nas ações ilícitas em uma residência de alto padrão, além de uma arma de fogo calibre 9mm encontrada em um imóvel vinculado ao investigado.
As investigações seguem para identificar outros possíveis envolvidos no esquema e eventuais compradores dos dados.
Operação internacional e integração entre forças policiais
A operação contou com apoio de diversas instituições, incluindo unidades da Polícia Civil do Paraná, setores de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Tocantins, Ministério da Justiça e Segurança Pública, Polícia Federal e forças policiais do Paraguai.
A ação integra a Operação RENORCRIM, voltada ao combate ao crime organizado no país.
Operação Rollback
O nome da operação, Rollback, faz referência a um termo da tecnologia da informação utilizado para reverter alterações em bancos de dados, simbolizando a restauração da integridade dos sistemas de segurança pública.
“Ninguém fica anônimo na internet”, diz delegado
Para o delegado responsável pelo caso, Antônio Onofre Oliveira da Silva Filho, o resultado da investigação reforça a capacidade de enfrentamento a crimes cibernéticos complexos.
“Essa operação demonstra a capacidade investigativa da Polícia Civil do Tocantins diante de crimes cibernéticos cada vez mais sofisticados. Mesmo com o uso de servidores virtuais, VPNs e técnicas de anonimização, conseguimos identificar o responsável pela estrutura criminosa. Ninguém fica anônimo na internet”, afirmou.
O delegado destacou ainda o impacto da prática criminosa na segurança pública. “Esse investigado vendia dados sigilosos de órgãos de segurança, com potencial uso por organizações criminosas. Isso representa um risco direto à sociedade”, completou.
Continuidade das investigações
A Polícia Civil do Tocantins reforça que o acesso indevido a sistemas institucionais e a comercialização de dados sensíveis representam grave risco à segurança pública.
As investigações continuam com o objetivo de identificar novos envolvidos e ampliar o alcance das responsabilizações judiciais.
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Fonte: AF Noticias
