Cigarro mata 145 mil brasileiros por ano e uso de vape amplia riscos à saúde, alerta médico
Notícias de Araguaína – Enquanto milhões de pessoas seguem expostas diariamente aos danos provocados pelo cigarro e pelos dispositivos eletrônicos para fumar, especialistas reforçam o alerta para uma epidemia silenciosa que ainda mata cerca de 145 mil brasileiros todos os anos. A preocupação ganha ainda mais força neste 31 de maio, data em que é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a população sobre os impactos devastadores do tabagismo na saúde pública.
Considerado a principal causa evitável de mortes no mundo, o tabagismo está associado a mais de 50 doenças graves, incluindo câncer, infarto, AVC e enfermidades respiratórias crônicas.
“O cigarro destrói silenciosamente vários órgãos do corpo”, alerta pneumologista
O médico pneumologista Emanuell Felipe Lima, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT/HU Brasil), explica que os danos provocados pelo tabaco atingem praticamente todos os sistemas do organismo.
Segundo ele, na área da pneumologia, os casos mais recorrentes relacionados ao cigarro incluem Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), enfisema pulmonar, bronquite crônica e câncer de pulmão.
“O carcinoma broncogênico é responsável por cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão. O tabagismo é um dos maiores problemas de saúde pública do mundo”, afirma.
O especialista destaca ainda que os impactos não se limitam aos pulmões. No sistema cardiovascular, o cigarro aumenta significativamente os riscos de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica, principalmente devido aos efeitos da nicotina e do monóxido de carbono.
Além disso, o tabaco também está associado a diversos tipos de câncer, incluindo tumores de cavidade oral, laringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga e colo do útero.
“A mortalidade atribuível ao tabagismo no Brasil gira em torno de 145 mil mortes por ano, com destaque para a DPOC e o câncer de pulmão”, alerta o médico.
Cigarro eletrônico preocupa especialistas
Além do cigarro convencional, especialistas têm demonstrado preocupação crescente com o avanço dos dispositivos eletrônicos para fumar, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.
Segundo Emanuell Felipe, o combate aos cigarros eletrônicos precisa fazer parte das estratégias de prevenção, juntamente com ações de educação em saúde nas escolas e restrições à publicidade relacionada ao tabaco.
“O enfrentamento do tabagismo passa pela prevenção primária, educação em saúde e combate aos dispositivos eletrônicos para fumar”, ressalta.
SUS oferece tratamento gratuito para quem quer parar de fumar
O pneumologista destaca que abandonar o cigarro pode ser difícil, mas existem tratamentos eficazes disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre as alternativas oferecidas estão terapias de reposição de nicotina, além de medicamentos como bupropiona e vareniclina, que auxiliam no controle da dependência química e aumentam significativamente as chances de abandono do tabagismo.
“Associar abordagem cognitivo-comportamental com farmacoterapia pode dobrar as taxas de abstinência”, explica.
Ele também reforça a importância da Lei Antifumo e da fiscalização contra o comércio ilegal de produtos derivados do tabaco.
Parar de fumar pode aumentar expectativa de vida
Segundo o especialista, abandonar o cigarro traz benefícios quase imediatos ao organismo e pode aumentar a expectativa de vida em cerca de dez anos.
Os efeitos positivos começam poucas horas após a interrupção do consumo.
“Em 20 minutos há normalização hemodinâmica; em 12 horas ocorre queda do monóxido de carbono no organismo; em um ano o risco cardiovascular reduz em 50%; e em dez anos o risco de câncer de pulmão cai pela metade”, detalha.
O médico reforça ainda que não existe nível seguro de exposição ao tabaco. Isso porque o cigarro contém mais de sete mil substâncias químicas, sendo ao menos 69 delas comprovadamente cancerígenas.
Entre adultos, o tabagismo passivo também aumenta o risco de infarto, AVC e câncer de pulmão em até 30%. Já em crianças, a exposição à fumaça está relacionada ao aumento de infecções respiratórias, crises de asma, chiado no peito e até síndrome da morte súbita infantil.
“Parar de fumar é possível”, afirma especialista
Neste Dia Mundial Sem Tabaco, o pneumologista reforçou uma mensagem de alerta, mas também de esperança para quem deseja abandonar o vício.
“O tabagismo segue sendo a principal causa de morte evitável no Brasil e no mundo. Como médico pneumologista, vejo diariamente o preço que se paga pelo cigarro, mas também vejo a vitória de cada paciente que consegue parar”, declarou.
Ele incentivou fumantes a procurarem ajuda profissional e ressaltou que o apoio médico pode fazer diferença no processo de abandono da dependência.
“Parar de fumar pode ser difícil, mas é possível. Você não está sozinho. Procure ajuda no SUS, converse com o seu médico. Se você fuma, dê esse presente para você e para sua família. Se você não fuma, nunca comece. A escolha de hoje define a sua saúde de amanhã”, concluiu.
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Fonte: AF Noticias
