Veja o que se sabe sobre a investigação que levou à prisão da secretária de Saúde de Palmas
Notícias de Palmas – A prisão da secretária municipal de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, e do superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, nesta quarta-feira (11/06), trouxe novos desdobramentos para a investigação que apura supostas irregularidades na terceirização da gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul da capital.
A Operação Falsa Emergência, conduzida pela Polícia Civil, investiga um contrato de aproximadamente R$ 139 milhões firmado entre a Prefeitura de Palmas e a Santa Casa de Itatiba para a gestão das unidades. Segundo os investigadores, há indícios de corrupção, direcionamento da contratação, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Contrato milionário está no centro da investigação
O contrato investigado foi firmado em março de 2026 e prevê a administração das UPAs Norte e Sul pela organização social.
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público do Tocantins (MPTO), o processo administrativo teria sido estruturado para justificar uma contratação que já estaria previamente definida. Os investigadores apontam que documentos utilizados para embasar a dispensa de chamamento público teriam sido produzidos posteriormente para conferir aparência de legalidade ao procedimento.
Servidores relatam pressão para assinar pareceres
Depoimentos reunidos pela Polícia Civil indicam que servidores da Secretaria Municipal da Saúde teriam sido pressionados a assinar pareceres favoráveis à terceirização.
Segundo o MPTO, diversos documentos teriam sido apresentados já prontos para assinatura, sem que os servidores tivessem acesso ao plano de trabalho completo da entidade contratada ou participação efetiva na análise técnica do processo.
As investigações também apontam que reuniões relacionadas à contratação ocorreram de forma restrita, com acesso limitado dentro da própria secretaria.
BMW de luxo virou alvo da apuração
Um dos elementos que mais chamaram a atenção dos investigadores envolve uma BMW X1 modelo 2025/2026 utilizada pelo superintendente Andreis Vicente da Costa.
Conforme a investigação, o veículo foi alugado pela empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva um dia antes da assinatura da justificativa que dispensou o chamamento público. A locação teria custo mensal de aproximadamente R$ 9,5 mil e valor global superior a R$ 228 mil.
Para a Polícia Civil e o Ministério Público, o uso frequente do veículo pelo servidor pode indicar o recebimento de vantagem indevida relacionada ao contrato.
Empresária é considerada foragida
A Justiça também decretou a prisão preventiva da empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada como uma das articuladoras da contratação investigada.
Segundo a Polícia Civil, ela teria atuado diretamente na aproximação entre a Secretaria Municipal da Saúde e a entidade contratada.
Até o momento, a empresária não foi localizada e é considerada foragida. A defesa informou que ela estava em viagem e pretende se apresentar às autoridades.
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Prisão da secretária foi motivada por suspeita de interferência
A decisão judicial que determinou a prisão de Dhieine Caminski menciona supostas tentativas de interferência nas investigações.
De acordo com a 1ª Vara Regional das Garantias, existem indícios de monitoramento e direcionamento de depoimentos prestados por servidores convocados para colaborar com a apuração policial.
Para a Justiça, a medida foi necessária para preservar a produção de provas e evitar eventual influência sobre testemunhas.
Contrato segue em vigor
Apesar da operação e das prisões, o contrato de terceirização permanece em vigor.
Em maio deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) restabeleceu a parceria após entender que a suspensão imediata poderia gerar riscos de desassistência à população e comprometer o funcionamento da rede de urgência e emergência de Palmas.
A decisão não analisou o mérito da legalidade da contratação, tema que continua sendo discutido em ações judiciais que tramitam no Tocantins.
Prefeitura mantém serviços e nomeia substituta
Após a prisão da secretária, o prefeito Eduardo Siqueira Campos nomeou Ana Paula dos Santos Andrade Abadia, ex-secretária em Araguaína, para responder interinamente pela Secretaria Municipal da Saúde.
Em nota, a Prefeitura de Palmas informou que acompanha o caso, aguarda acesso aos autos da investigação e afirmou que os atendimentos nas UPAs Norte e Sul seguem normalmente, sem prejuízo à população.
Defesas contestam medidas
A defesa de Dhieine Caminski classificou a prisão como desproporcional e informou que adotará as medidas judiciais cabíveis para reverter a decisão.
O advogado de Andreis Vicente da Costa afirmou que solicitou acesso aos autos para analisar as acusações.
Já a Santa Casa de Misericórdia de Itatiba declarou que não é investigada na operação e negou que Cláudia Fernanda Cândido da Silva seja representante da instituição.
Enquanto isso, a Polícia Civil prossegue com a coleta de provas e a análise de documentos, contratos, mensagens e demais materiais apreendidos durante a operação.
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Fonte: AF Noticias

