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Polícia descobre esquema de aliciamento de garotos em Formoso do Araguaia; jovem é indiciado

Notícias do Tocantins – A Polícia Civil concluiu as investigações que apuram crimes sexuais praticados contra adolescentes em Formoso do Araguaia e indiciou um jovem de 22 anos, identificado pelas iniciais W.O.V. O suspeito está preso desde o início de janeiro deste ano, quando foi detido em flagrante, e agora responderá por uma série de crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Penal.

O inquérito foi conduzido pela 84ª Delegacia de Polícia Civil de Formoso do Araguaia e apontou que o investigado mantinha contato frequente com adolescentes do sexo masculino por meio de aplicativos de mensagens, onde, segundo a polícia, desenvolvia uma estratégia de aproximação que culminava em pedidos de conteúdo íntimo e propostas de pagamento em dinheiro.

Investigação começou após descoberta feita por pai de adolescente

De acordo com o delegado Victor Lázaro Ulhoa, responsável pelo caso e titular da 84ª DP, as investigações tiveram início após o pai de um adolescente encontrar no celular do filho conversas de teor sexual atribuídas ao suspeito.

A partir da denúncia, a Polícia Civil aprofundou as apurações e identificou outras possíveis vítimas. Segundo o delegado, o homem adotava um padrão semelhante nas abordagens: iniciava conversas com adolescentes que já conhecia, estabelecia um vínculo de confiança e, gradualmente, direcionava os diálogos para temas de natureza sexual.

As investigações apontam que ele solicitava fotografias e vídeos íntimos dos adolescentes e realizava pagamentos via PIX em troca do material.

“As investigações demonstraram um padrão sistemático e reiterado de exploração sexual de adolescentes. O investigado se valia de relações de amizade e confiança prévia para abordar as vítimas, utilizava o dinheiro como instrumento de coerção e ainda deletava suas próprias mensagens durante os diálogos, demonstrando plena consciência da ilicitude das suas condutas”, afirmou o delegado Victor Lázaro Ulhoa.

Perícia encontrou extenso acervo de imagens e conversas

Um dos elementos considerados decisivos para o avanço das investigações foi a análise pericial realizada no aparelho celular apreendido com o investigado.

O exame, conduzido pelo Núcleo Especializado de Computação Forense da Polícia Científica do Tocantins, identificou um grande volume de fotografias e vídeos de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes, além de registros de conversas que, segundo a polícia, evidenciam a negociação de encontros presenciais e pedidos para que as vítimas mantivessem sigilo sobre os fatos perante familiares.

“A análise pericial do celular confirmou tudo o que as vítimas vivenciaram. O material encontrado é extenso e grave, e a investigação foi conduzida com o cuidado que casos dessa natureza exigem, especialmente pela condição de vulnerabilidade das vítimas”, destacou o delegado.

Crimes podem resultar em mais de 20 anos de prisão

Com a conclusão do inquérito, o investigado foi indiciado pelos crimes de produção de pornografia infantil, transmissão e armazenamento de material pornográfico envolvendo adolescentes, aliciamento de menores para a prática de atos libidinosos e exploração sexual de adolescentes mediante remuneração.

Somadas, as penas previstas para os crimes podem ultrapassar 20 anos de reclusão.

“O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário para que o Ministério Público avalie o oferecimento de denúncia criminal”, informou o delegado Victor Lázaro Ulhoa.

Processo corre em segredo de Justiça

Por envolver vítimas adolescentes, o caso tramita sob segredo de Justiça. A legislação proíbe a divulgação de qualquer informação que possa identificar as vítimas, medida destinada a preservar sua integridade e privacidade.

Denúncias de violência, abuso ou exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas gratuitamente e de forma anônima por meio do Disque 100, serviço disponível 24 horas por dia.

Fonte: AF Noticias