Conheça detalhes da investigação contra Beth Melo por jogos ilegais e lavagem de dinheiro
Notícias do Tocantins – A influenciadora digital Elizabeth Melo, conhecida nas redes sociais como Beth Melo, tornou-se alvo da Operação Sorte Falseada, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins na última sexta-feira (26). A investigação apura suspeitas de exploração ilegal de jogos de azar, realização de sorteios sem autorização, lavagem de dinheiro e ameaças contra pessoas que pretendiam denunciar as plataformas divulgadas por ela.
Com mais de 65 mil seguidores nas redes sociais e moradora de Gurupi, Beth Melo é investigada por movimentar mais de R$ 3,5 milhões em aproximadamente um ano, valor considerado incompatível com a renda declarada, que variava entre R$ 1,9 mil e R$ 5 mil mensais.
Confira o que se sabe sobre o caso.
Como começou a investigação?
Segundo a Polícia Civil, o inquérito foi instaurado em 2024, após denúncias anônimas de que a influenciadora utilizava as redes sociais para divulgar plataformas ilegais de apostas, conhecidas popularmente como “jogo do tigrinho”, além de promover sorteios de dinheiro e celulares sem autorização do Ministério da Fazenda.
Inicialmente, a investigação concentrou-se na exploração dos jogos. Posteriormente, a 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) passou a analisar a movimentação financeira da investigada, identificando indícios de lavagem de dinheiro.
Por que as viagens chamaram a atenção?
Um dos principais elementos destacados pela investigação é o padrão de vida ostentado pela influenciadora.
Segundo o relatório policial, Beth Melo realizou viagens para destinos como Dubai, Paris, Londres, Las Vegas, Ilhas Maldivas e Curaçao, além de compartilhar registros frequentes nas redes sociais.
Para os investigadores, esses deslocamentos configuram “sinais exteriores de riqueza” incompatíveis com a renda oficialmente declarada.
Quais bens foram identificados?
A investigação aponta que a influenciadora adquiriu um apartamento em Palmas, avaliado em aproximadamente R$ 300 mil, pago integralmente em dinheiro em espécie.
Também foram identificados um SUV e duas caminhonetes modelo 2024, posteriormente bloqueados ou apreendidos por determinação judicial.
Durante o cumprimento dos mandados de busca, policiais ainda encontraram dinheiro em espécie, inclusive notas de dólar, cartões bancários e documentos.
Como funcionaria o esquema?
Segundo a Polícia Civil, a influenciadora recebia valores de empresas responsáveis por intermediar pagamentos para plataformas internacionais de apostas.
Esses recursos, conforme a investigação, eram posteriormente distribuídos por meio de empresas apontadas como de fachada, entre elas a BM Marketing Digital e o Ateliê 7 Cabanas, que, segundo os investigadores, não exerciam atividade econômica compatível com os valores movimentados.
A polícia também apura uma tentativa de recebimento de R$ 500 mil provenientes da China, supostamente destinados à operação das plataformas ilegais.
Leia também:
- Após operação sobre ‘jogo do tigrinho’, influenciadora Beth Melo diz que fez café para policiais
- Operação mira influenciadora suspeita de promover jogo do ‘tigrinho’ e lavar dinheiro no Tocantins
O que é “smurfing”?
Outro ponto destacado pela investigação é a utilização da técnica conhecida como smurfing.
Segundo a Polícia Civil, Beth Melo realizava sucessivos saques em valores inferiores a R$ 50 mil, evitando, dessa forma, os mecanismos automáticos de comunicação de operações suspeitas utilizados pelo sistema financeiro e pelos órgãos de controle, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Entre março de 2023 e março de 2024, esses saques fracionados somaram mais de R$ 3,5 milhões, conforme o relatório policial.

A influenciadora também é investigada por ameaças?
Sim. Além dos crimes financeiros, a Polícia Civil investiga vídeos publicados pela influenciadora nos quais ela teria feito ameaças contra seguidores que manifestavam intenção de denunciar as plataformas de apostas.
Esses conteúdos também fazem parte do conjunto de provas reunidas durante a investigação.
Quais medidas a Justiça autorizou?
Por decisão judicial, foram autorizados:
bloqueio de até R$ 3,4 milhões em ativos financeiros;
sequestro de imóveis e veículos;
cumprimento de mandados de busca e apreensão;
suspensão dos perfis da influenciadora nas redes sociais, com preservação do conteúdo para produção de provas.
Segundo a Polícia Civil, as medidas buscam impedir a continuidade das supostas atividades criminosas e garantir eventual ressarcimento ao Estado.
O que diz a Polícia Civil?
O delegado Wanderson Queiroz, responsável pela investigação, afirmou que a operação integra uma mobilização nacional coordenada pelo Ministério da Justiça contra organizações criminosas.
Segundo ele, a investigação identificou movimentações financeiras milionárias incompatíveis com a renda declarada pela influenciadora.
“A partir dessa exploração ilegal dos jogos, os valores obtidos eram submetidos a diversos mecanismos de lavagem de dinheiro. Por isso representamos pelos bloqueios bancários, sequestro de imóveis e veículos, para impedir que o crime continue produzindo vantagens econômicas”, afirmou.
O delegado também destacou que o objetivo da operação é combater um modelo de exploração que, segundo ele, causa prejuízos financeiros a milhares de pessoas.

O que diz Beth Melo?
Após a operação, Elizabeth Melo publicou um vídeo em uma conta reserva no Instagram negando qualquer irregularidade.
Ela afirmou que não utiliza “laranjas”, disse que todos os seus bens estão registrados em seu nome e ressaltou que ainda não foi condenada pela Justiça.
“É uma investigação. Eu não sou condenada. As minhas coisas sempre estiveram no meu nome. Eu não tenho laranja, não tenho rabo preso com ninguém, não ocultei patrimônio. Então não tenho o que temer”, declarou.
A influenciadora também afirmou que foi bem tratada pelos policiais durante o cumprimento dos mandados e negou relatos de truculência na operação.
Fonte: AF Noticias

