Estoque zerado de soro antirrábico acende alerta em hospital do Tocantins; MP apura situação
Notícias do Tocantins – O estoque de soro antirrábico do Hospital Municipal Hermínio Azevedo Soares, em Formoso do Araguaia, chegou a zero. A falta do imunobiológico, utilizado em casos graves de exposição ao vírus da raiva, levou o Ministério Público do Tocantins a abrir um procedimento para fiscalizar o abastecimento e evitar que pacientes fiquem sem atendimento.
A apuração tramita no Procedimento Administrativo de Acompanhamento de Políticas Públicas nº 2026.0003056, instaurado em 3 de julho de 2026 por meio da Portaria nº 3902/2026 pelo promotor de Justiça Gustavo Henrique Lopes Fragoso.
Caso começou após reclamação sobre atendimento a idoso
O procedimento teve origem em uma declaração apresentada ao Ministério Público relatando supostas falhas e omissões no atendimento de urgência e emergência prestado a um idoso no hospital municipal. Segundo o documento, o problema estaria relacionado à ausência de imunobiológicos considerados essenciais.
Durante as diligências iniciais, a direção do hospital encaminhou o Ofício nº 07/2026 e confirmou que o estoque de soro antirrábico da unidade havia zerado completamente. O hospital atribuiu a situação a restrições no fornecimento e ao desabastecimento por parte da Secretaria Estadual da Saúde.
Estado reconheceu dificuldades de abastecimento
Em resposta encaminhada ao Ministério Público, a Secretaria da Saúde reconheceu que a aquisição e a distribuição do Soro Antirrábico Humano e da Imunoglobulina Humana Antirrábica enfrentam dificuldades crônicas de abastecimento no Tocantins e em âmbito nacional.
A manifestação consta no Ofício nº 2839/2026/SES/GASEC, assinado pelo secretário estadual da Saúde, Carlos Felinto Júnior. Segundo o documento citado na portaria, a situação exige estratégias de contingenciamento, acompanhamento dos estoques e uso racional dos imunobiológicos.
O ato também menciona orientação técnica para que as unidades municipais mantenham estoques mínimos de vacina antirrábica destinados aos primeiros atendimentos emergenciais, reduzindo os riscos provocados por instabilidades na cadeia de distribuição.
Fiscalização alcançará hospital e unidades básicas
O Ministério Público pretende acompanhar o fornecimento, o fluxo de distribuição, as condições de armazenamento, o manejo técnico, o controle dos estoques e a aplicação da vacina, do soro e da imunoglobulina antirrábica no hospital e em todas as Unidades Básicas de Saúde de Formoso do Araguaia.
A Secretaria Municipal de Saúde e a direção do hospital foram notificadas para apresentar, no prazo de dez dias úteis, informações atualizadas sobre os estoques de vacinas e soros antirrábicos disponíveis na rede municipal.
Também deverá ser entregue um plano de contingência para o atendimento de pessoas agredidas por animais potencialmente transmissores da raiva. O documento deverá demonstrar como o município pretende agir quando o imunobiológico indicado não estiver disponível na unidade.
Soro oferece proteção imediata
O soro antirrábico possui função diferente da vacina. Segundo o Ministério da Saúde, ele fornece anticorpos de forma imediata para neutralizar o vírus no local da exposição, antes que o organismo desenvolva a resposta imunológica estimulada pela vacinação.
A aplicação é indicada principalmente em exposições consideradas graves, como ferimentos profundos, múltiplos ou extensos, lesões na cabeça, face, pescoço, mãos, pés ou genitais, contato com morcegos e acidentes envolvendo animais suspeitos, mortos ou desaparecidos.
O produto deve ser administrado preferencialmente junto com a primeira dose da vacina. Quando isso não ocorre, ainda pode ser aplicado até o sétimo dia após o início da vacinação, conforme avaliação dos profissionais de saúde.
Raiva é quase sempre fatal
O Ministério da Saúde classifica a raiva como uma doença quase sempre fatal e orienta que pessoas mordidas, arranhadas ou que tiveram contato com a saliva de animais em ferimentos procurem atendimento médico o mais rápido possível. O local da agressão deve ser lavado imediatamente com bastante água e sabão. A necessidade de vacina ou soro deve ser definida por médico ou enfermeiro.
Entre 2010 e junho de 2026, o Brasil registrou 54 casos de raiva humana. Apenas dois pacientes sobreviveram. Em 2024, houve um caso no Tocantins, provavelmente transmitido por um cão infectado com uma variante do vírus associada a morcegos.
Em março de 2026, o Ministério da Saúde informou ter adquirido, por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde, um novo soro antirrábico destinado à distribuição aos estados. A nota técnica federal, porém, não especifica quanto será destinado ao Tocantins nem se o produto já chegou a Formoso do Araguaia.
O procedimento está em fase inicial e não aponta, até o momento, responsabilidade de gestores ou profissionais de saúde. Também não há comprovação de morte, sequela ou agravamento clínico causado pela falta do soro. A atuação busca esclarecer o abastecimento e garantir que exista uma resposta adequada quando o produto for necessário.
Fonte: AF Noticias

