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Há 28 anos, família Figueiredo transforma saudade da Paraíba em tradição junina em Araguaína

Notícias de Araguaína – Tem coisa que o tempo não apaga. A saudade da terra natal, os ensinamentos dos pais e o amor pelas tradições são heranças que atravessam gerações. Foi justamente esse sentimento que a família Figueiredo trouxe na bagagem ao deixar Campina Grande, na Paraíba, e chegar a Araguaína, por volta de 1999.

Com a família vieram os costumes, a fé, a alegria do povo nordestino e o desejo de manter viva a cultura da terra onde é realizado o Maior São João do Mundo. Desde então, o mês de junho se transformou em um reencontro anual com as raízes paraibanas.

As tradicionais fogueiras de Santo Antônio, São João e São Pedro continuam sendo acesas todos os anos, reunindo familiares, amigos e admiradores da cultura popular. Dessa paixão nasceu o Arraiá do Colibri, que chegou à 28ª edição em 2026 e se consolidou como uma das mais autênticas celebrações juninas familiares de Araguaína.

Um pedaço de Campina Grande em Araguaína

Quem chega ao Arraiá do Colibri tem a sensação de estar caminhando pelo Parque do Povo, em Campina Grande.

A ornamentação é um espetáculo à parte. Bandeirolas coloridas enfeitam todo o espaço, enquanto arranjos típicos reproduzem, com riqueza de detalhes, o ambiente das tradicionais festas sertanejas.

Cada canto revela o cuidado e o carinho dos organizadores para transportar os convidados ao universo do São João nordestino.

A chama que mantém viva a tradição

O momento mais emocionante da noite acontece na abertura oficial da festa.

Com todos os convidados reunidos, o anfitrião Geneton Figueiredo conduz o cerimonial e convida os presentes a se dirigirem até a grande fogueira do Arraiá. Em meio à expectativa, ele relembra a importância das festividades de Santo Antônio, São João e São Pedro, fala sobre a fé nordestina e destaca a responsabilidade de preservar uma cultura que atravessou gerações e fronteiras.

Chega, então, o instante mais aguardado: o acendimento da fogueira.

À medida que as chamas se elevam e iluminam os rostos dos presentes, crianças, jovens, adultos e idosos contemplam aquele símbolo de união, fé e pertencimento. Para muitos nordestinos, é como se cada fagulha carregasse um pedaço das noites juninas da Paraíba.

Encerrando o cerimonial, Geneton faz a tradicional chamada do sanfoneiro. Aos primeiros acordes, ecoa pelo terreiro a canção “Paraíba, Joia Rara”, cantada pelo anfitrião, por familiares e por convidados que compartilham o orgulho das próprias origens.

Tomado pela emoção, o público acompanha a apresentação, que culmina com o anúncio oficial: “Eita povo arretado! Está oficialmente aberto o 28º Arraiá do Colibri!”. E a festa começa.

Sabores que contam histórias

Na culinária, a fartura é uma das marcas da celebração. As mesas ficam repletas de iguarias tradicionais que fazem parte da memória afetiva do povo nordestino, como arrumadinho, pamonha, canjica, bolo de milho, tapioca e caldo de mocotó.

O aroma do bode assado na brasa se mistura ao sabor do carneiro e do porco preparados no autêntico fogo de chão, em técnicas transmitidas de geração em geração.

Para acompanhar as comidas típicas, uma bebida preparada especialmente para o evento reúne quentão, cachaça de alambique e o tradicional leite de onça, ajudando a manter a animação dos festeiros durante a madrugada.

Forró até pegar o sol com a mão

Como toda festa nordestina de respeito, o Arraiá do Colibri também é embalado por muita música.

O som da sanfona, do triângulo e da zabumba toma conta do ambiente ao ritmo do autêntico forró pé de serra. Os casais arrastam o pé sem economizar energia, enquanto os mais experientes ensinam os passos aos mais jovens.

Como dizem os paraibanos, a animação segue “até pegar o sol com a mão”.

A cada música, o salão se transforma em um encontro de gerações unidas pelo amor ao forró e às tradições juninas.

A maior quadrilha do Arraiá

Quando o relógio marca meia-noite, chega um dos momentos mais esperados da programação.

Forma-se, então, a maior quadrilha da história do Arraiá do Colibri. Não há limite de idade para participar. Crianças de cinco anos dançam ao lado de homens e mulheres de até 95 anos, em uma demonstração de integração familiar e respeito às tradições.

Mais uma vez, Geneton Figueiredo assume papel de destaque, agora como o tradicional puxador da quadrilha.

Antes de iniciar a dança, ele brinca com os participantes e parabeniza os quadrilheiros: “Quero dar os parabéns a esse povo bonito que ensaiou o ano inteiro para fazer essa quadrilha ficar ainda mais arretada!”

O público responde com risos e aplausos.

Então, chega o chamado mais aguardado da noite: “Alevantuuuu!”

A multidão responde em coro. “Anarriêêê!

E a grande quadrilha ganha vida.

Entre giros, risadas, casamentos matutos improvisados e muita descontração, o ambiente se transforma em um espetáculo de cores, alegria e tradição. É nesse momento que o Arraiá do Colibri revela sua essência mais bonita: unir gerações em torno da cultura nordestina.

Lampião, Maria Bonita e a força das raízes

Os convidados são recebidos pelos anfitriões Geneton e Eliene Figueiredo, caracterizados como Lampião e Maria Bonita, personagens que se tornaram símbolos da festa.

O casal representa o orgulho das origens nordestinas. Os convidados especiais também entram no clima e comparecem caracterizados, contribuindo para a beleza e a autenticidade do evento.

Mais do que uma confraternização, o Arraiá do Colibri é uma celebração da identidade nordestina em solo tocantinense.

São 28 anos mantendo viva uma tradição que nasceu em Campina Grande e encontrou em Araguaína um novo lar. Entre o brilho das fogueiras, o som da sanfona, o sabor da culinária regional e a alegria do povo nordestino, a família Figueiredo mostra que as raízes nunca se perdem.

Enquanto houver uma fogueira acesa, uma sanfona tocando e um povo disposto a dançar, o São João continuará vivo no coração dos nordestinos, seja na Paraíba, no Tocantins ou em qualquer lugar do Brasil.

Fonte: AF Noticias