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Articulação de CPI contra Fábio Vaz gera tensão no governo e acirra embate na Assembleia

Notícias do Tocantins – A articulação para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra a gestão do ex-secretário de Educação Fábio Vaz movimenta os bastidores da Assembleia Legislativa do Tocantins e escancara uma disputa política antecipada por vagas na Câmara Federal em 2026.

Deputados estaduais, tanto da base governista quanto da oposição, estariam reunindo assinaturas para viabilizar a investigação sobre gastos e atos administrativos da gestão à frente da Secretaria de Estado da Educação. Nos bastidores, a informação é de que o número mínimo necessário já teria sido alcançado, o que pode levar à formalização do pedido nos próximos dias.

O movimento ocorre em meio ao posicionamento político de Fábio Vaz, que deixou o cargo para disputar uma das 8 cadeiras de deputado federal pelo Tocantins.

Disputa eleitoral amplia tensão no Legislativo

A possível instalação da CPI é vista, nos bastidores, como parte de um embate entre parlamentares que também se movimentam para disputar vagas na Câmara dos Deputados.

A avaliação de interlocutores é de que a investigação, além do caráter fiscalizador, ocorre em um ambiente de forte disputa política e eleitoral, o que tem elevado o tom das críticas e reações públicas. 

Críticas ao edital entram no centro do debate

Entre os pontos questionados está o edital de reaproveitamento e redistribuição do concurso da educação de 2023, que tem gerado reação de deputados estaduais.

O deputado Júnior Geo está entre os que criticaram a medida, levantando questionamentos sobre os critérios adotados e possíveis impactos para professores aprovados. Quem também teceu duras críticas ao ex-secretário foi a deputada estadual Janad Valcari, que mira uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Fábio Vaz reage e acusa distorções

Em resposta, Fábio Vaz divulgou material no qual rebate as críticas e afirma que o edital segue critérios legais e técnicos, defendendo a manutenção do concurso e a segurança jurídica do processo.

“Discursos falaciosos e distorcidos têm tumultuado o concurso, que já é complexo, colocando em risco a saúde emocional dos professores aprovados”, afirmou.

O ex-secretário também criticou diretamente o posicionamento de parlamentares. “Ao deputado que questiona a lisura do edital, sugiro que se decida se está mesmo a favor ou contra os professores”, disse.

Ele classificou as críticas como parte de um movimento político. “Entendo que seja ano eleitoral e trajetórias insípidas precisem se promover. Infelizmente, às custas de professores”, acrescentou.

Ex-secretário defende edital e esclarece pontos técnicos

Fábio Vaz também contestou interpretações sobre o item 1.3 do edital, que trata da redistribuição de candidatos.

Segundo ele, não há perda automática da vaga original. A regra estabelece apenas que, caso o candidato seja nomeado por meio da redistribuição, passa a integrar uma nova classificação, sem possibilidade de acumular posições no mesmo certame.

O ex-secretário afirmou ainda que a adesão ao processo é facultativa e que o edital foi elaborado com base em critérios de legalidade, transparência e planejamento, com validação de órgãos técnicos e da banca organizadora.

Rompimento político influencia cenário

O ambiente de tensão também é influenciado pelo reposicionamento do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, que agora está na oposição ao governo de Wanderlei Barbosa.

A mudança alterou o equilíbrio de forças na Casa e abriu espaço para movimentos mais incisivos, como a articulação da CPI.

CPI pode ampliar disputa até 2026

Caso seja formalizada, a CPI tende a intensificar o embate político no estado, com reflexos diretos no cenário eleitoral de 2026, especialmente na disputa por vagas de deputado federal.

A eventual investigação deve colocar sob os holofotes a ex-gestão de Fábio Vaz e aprofundar a disputa entre grupos políticos que já se movimentam de olho no próximo pleito.

A CPI, caso avance, também pode atingir diretamente o governo de Wanderlei Barbosa, ampliando o impacto político da investigação para além da gestão do ex-secretário.

Fonte: AF Noticias