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Ataídes diz que Cinthia vive hoje no PSDB o que fez no passado: ‘a lei do retorno não falha’

Notícias do Tocantins  O ex-senador Ataídes Oliveira (Novo) divulgou um vídeo nas redes sociais em que rebate diretamente as postagens da ex-prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro (PSDB), que corre o risco de perder a presidência do partido no Tocantins.

Sem citar nomes, Cinthia afirmou no X (antigo Twitter) que estaria sendo vítima de “violência política” e de uma articulação para tomar o comando da sigla, atualmente disputado com o deputado federal Vicentinho Júnior (PP). Ataídes, no entanto, afirmou que a ex-prefeita vive hoje uma situação semelhante à que, segundo ele, teria imposto a ele no passado.

“Em 2020, ela tomou o partido de mim. Eu era presidente executivo, devidamente eleito por unanimidade. Tomou de forma cruel e injusta. E hoje ela está perdendo o partido e reclamando como se fosse vítima. A lei do retorno não falha”, disse Ataídes no vídeo.

Ataques e memória política

Na gravação, o ex-senador relembra sua relação pessoal e política com Cinthia, citando o apoio prestado após a morte do ex-senador João Ribeiro, marido da ex-prefeita.

“Quando o seu saudoso esposo João Ribeiro faleceu, eu abracei essa senhora e o seu filho e ajudei em tudo o que pude: salário, motorista e até segurança”, afirmou.

Ataídes também declarou que foi responsável por indicar Cinthia Ribeiro como vice-prefeita na chapa de Carlos Amastha, em 2016, quando ela ingressou na gestão municipal e, posteriormente, assumiu a prefeitura após a renúncia do titular.

Segundo ele, já como prefeita, Cinthia teria determinado que secretários não pedissem votos para sua candidatura. Ataídes disputou o Senado em 2018 e não foi eleito.

“Quinze dias antes da eleição, reuniu todo o secretariado e determinou que ninguém pedisse voto para mim”, afirmou.

No trecho mais duro, Ataídes classificou a ex-prefeita como “ingrata, covarde e desleal” e concluiu dizendo que não sente ódio, mas “dó” da ex-gestora.

Contexto da disputa

Cinthia Ribeiro é atualmente presidente do PSDB no Tocantins e também ocupa a presidência nacional do PSDB Mulher. Nas publicações, ela afirmou estar legitimada pelas instâncias partidárias e acusou adversários de tentarem “atropelar regras” e deslegitimar lideranças femininas.

“Estou presidente do diretório, eleita, legitimada e reconhecida nacionalmente. Não por imposição, mas por construção política”, escreveu.

Sem citar diretamente Vicentinho Júnior, Cinthia afirmou que há um deputado tentando repetir métodos já vistos no passado, usando articulações nacionais para tomar o comando do partido, o que classificou como antidemocrático.

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Tabuleiro político

A crise no PSDB ocorre em meio ao redesenho do cenário político para 2026 no Tocantins, com a articulação da senadora Dorinha Seabra (União Brasil) para montar uma chapa ao Senado que passou a incluir o deputado federal Carlos Gaguim e o senador Eduardo Gomes (PL).

Esse arranjo deslocou Vicentinho, que até então era pré-candidato ao Senado, do centro das negociações e produziu um novo alinhamento político. O grupo de Dorinha, que antes orbitava a oposição, passou a ser tratado como “chapa governista” após a aproximação com o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), ocorrida depois de seu retorno ao cargo, em dezembro, após 90 dias de afastamento por decisão do STJ.

Sem espaço na composição majoritária, Vicentinho ampliou o movimento político, passou a articular a troca de partido e elevou a aposta, colocando-se também como pré-candidato ao Governo do Estado. Nesse contexto, o PSDB surge como uma das principais siglas na mira do parlamentar para viabilizar o novo projeto.

Histórico entre Ataídes e Cinthia

Ataídes Oliveira foi suplente do senador João Ribeiro e assumiu a vaga no Senado após o falecimento do titular, em 2013. Em 2014, disputou o Governo do Tocantins pelo PROS, tendo Cinthia Ribeiro como candidata a vice-governadora. Ele terminou em terceiro lugar, atrás de Marcelo Miranda e Sandoval Cardoso.

Após a eleição, Ataídes retornou ao PSDB, onde se tornou presidente estadual da sigla. Em 2020, perdeu o comando do partido para Cinthia, episódio que agora volta ao centro do debate político com a nova disputa interna entre grupos tucanos no estado.

Fonte: AF Noticias