Contrato das UPAs de Palmas custa quase 300% a mais que em Araguaína e aprofunda crise
Notícias de Palmas – O contrato de mais de R$ 139 milhões por ano para terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas coloca a gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos) no centro de uma polêmica que mistura custo elevado, pressão de servidores e suspeitas de ilegalidades.
O valor representa cerca de R$ 11,6 milhões por mês para duas unidades. Na prática, cada UPA da capital pode custar aproximadamente R$ 5,8 milhões mensais.
O problema aparece quando o número é colocado lado a lado com um modelo já em funcionamento no próprio estado.
Em Araguaína, referência em saúde para dezenas de municípios — e que ainda atende pacientes do Pará e Maranhão — uma UPA de porte semelhante é gerida por cerca de R$ 1,48 milhão por mês.
A conta é simples — e politicamente indigesta: Palmas pagará quase 300% a mais por unidade.
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Diferença que não fecha
A discrepância vai além de qualquer justificativa técnica genérica.
Mesmo considerando variações operacionais, regionais e eventuais diferenças de escopo, a comparação evidencia uma diferença expressiva e desproporcional. Em termos práticos, o valor estimado para Palmas representa um custo mensal que pode ser até quase 4 vezes superior por unidade, quando comparado a parâmetros reais já executados no próprio estado.
Esse cenário reforça a necessidade de análise criteriosa da composição de custos; transparência nos critérios adotados para definição do valor contratual e avaliação da economicidade e da proporcionalidade em relação aos serviços efetivamente prestados.
Protesto nas ruas
No caso de Palmas, a insatisfação já saiu do papel e ganhou as ruas.
Nesta sexta-feira (10), servidores da saúde levaram caixões para a porta da Secretaria Municipal em um protesto simbólico contra a terceirização — uma imagem forte que escancarou o nível de rejeição ao modelo.
Contrato sob suspeita
Órgãos de controle como Ministério Público, Tribunal de Contas e Defensoria Pública já entraram no circuito, com questionamentos que vão desde a legalidade da contratação até a capacidade da entidade escolhida.
O caso também levanta alertas sobre possível prejuízo aos cofres públicos, substituição de servidores efetivos e ausência de debate com instâncias de controle social.
Com números que não fecham e pressão crescente nas ruas, a terceirização das UPAs virou um teste de credibilidade para a gestão de Eduardo Siqueira Campos.
Mais do que explicar o contrato, a administração precisa responder ao essencial: por que pagar muito mais caro por um serviço que já funciona por muito menos no mesmo estado?
Neste momento, a diferença deixou de ser técnica — e passou a ser política.
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Fonte: AF Noticias
