Crime premeditado: polícia detalha trama por trás da morte de pastores e indicia 6 pessoas
Notícias do Tocantins – A Polícia Civil do Tocantins concluiu o inquérito que desvendou a execução do casal de pastores Dorvalino das Dores da Silva e Francilene de Souza Reis e Silva, assassinados a tiros dentro de casa, no assentamento Pericatu, zona rural de Pium, em junho de 2025. A investigação revelou um crime minuciosamente planejado, com divisão de tarefas e motivação ligada à vingança, que resultou no indiciamento de seis pessoas.
De acordo com a apuração conduzida pela 57ª Delegacia de Polícia de Pium, a principal articuladora do crime é Janete Araújo Mesquita, ex-companheira do filho das vítimas. Inconformada com o fim do relacionamento, ela passou a ameaçar o ex-marido e seus familiares, afirmando que faria com que ele “sentisse a mesma dor”. Em uma das mensagens, chegou a declarar que atingiria “seu bem mais precioso”, em referência direta aos pais do ex-companheiro.
Planejamento e execução
A investigação apontou que Janete estruturou toda a ação criminosa. Ela saiu de Santa Catarina e viajou até o Tocantins, onde realizou o reconhecimento prévio da residência das vítimas ao lado do executor. Também foi responsável por providenciar a arma, organizar a logística do crime e efetuar pagamentos aos envolvidos — inclusive por meio de transferências bancárias rastreadas pela polícia.
Para dificultar a identificação, a investigada ainda criou perfis falsos em redes sociais, usados para simular ameaças inexistentes e tentar despistar as investigações.
O autor dos disparos foi identificado como R.B.B.F., atual companheiro da mandante. Segundo a polícia, ele percorreu o trajeto até o Tocantins com o objetivo de executar o plano. Após dias de preparação, incluindo o estudo de rotas alternativas para evitar suspeitas, o crime foi colocado em prática.
No dia da execução, enquanto a mandante deixava o estado para construir um álibi, o executor seguiu até o assentamento. Transportado de motocicleta até as proximidades da casa, ele desceu, entrou no imóvel e efetuou três disparos, matando o casal no local. Em seguida, retornou ao ponto de apoio e fugiu.
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Rede de apoio e fornecimento de arma
A investigação descobriu que um morador identificado pelas iniciais M.B.S. teve papel direto na execução, sendo responsável por levar o atirador até o local em uma motocicleta. Ele também intermediou a compra da arma de fogo e recebeu valores antes e depois do crime. Em depoimento, confirmou ter ouvido os disparos.
Outros três homens — G.R.S., C.C.R. e D.B.F. — foram indiciados por participação no fornecimento da arma utilizada no duplo homicídio. Segundo a Polícia Civil, eles atuaram na negociação e entrega do armamento, contribuindo diretamente para a concretização do crime.
Prisões e provas
A mandante, o executor e o piloto da motocicleta foram presos preventivamente ao longo das investigações e permanecem detidos, devendo responder por homicídio qualificado. Já os demais investigados responderão em liberdade por comércio ilegal de arma de fogo.
As diligências reuniram um conjunto robusto de provas técnicas, incluindo análise de dados telemáticos, cruzamento de informações de telefonia, registros de deslocamento interestadual e quebras de sigilo bancário, que evidenciaram a movimentação financeira entre os envolvidos.
Segundo a delegada responsável pelo caso, Jeannie Daier de Andrade, a investigação permitiu esclarecer todos os detalhes da ação criminosa. “Ficou comprovado o planejamento detalhado, a atuação coordenada dos envolvidos e a motivação que levou à execução das vítimas”, afirmou.
Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que darão andamento às medidas legais cabíveis.
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Fonte: AF Noticias
