De escola pública no Tocantins à elite da Matemática no país: a trajetória de Janaína Neres
Notícias do Tocantins – Da pequena Aparecida do Rio Negro, no interior do Tocantins, para uma das instituições mais prestigiadas do país, a Fundação Getúlio Vagas (FGV), no Rio de Janeiro. A história da jovem Janaína Neres Evangelista é um retrato de como talento, disciplina e oportunidades na escola pública podem transformar destinos.
Ex-aluna da Escola Estadual Meira Matos, Janaína construiu desde cedo uma trajetória de destaque na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Ainda no ensino fundamental, começou a acumular medalhas — um desempenho que se manteve ao longo dos anos. No ensino médio, consolidou sua posição entre os melhores estudantes do país ao conquistar duas medalhas de prata e uma de bronze.
O desempenho abriu portas. A jovem ingressou no Programa de Iniciação Científica (PIC), iniciativa voltada ao desenvolvimento de talentos da rede pública, e passou a ter acesso a conteúdos avançados e orientação especializada. Foi o ponto de virada.
A partir dali, Janaína ampliou horizontes. Conquistou uma vaga no curso de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV), por meio de programas de seleção ligados à Obmep. Hoje, integra o programa de mestrado em Matemática Aplicada e Ciência de Dados (EMAp), com bolsa integral concedida pela própria instituição e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
“Participar da Obmep e do PIC foi fundamental para o meu desenvolvimento. Tive acesso a materiais, orientação e experiências que moldaram minha forma de pensar”, destaca.
Durante a trajetória, Janaína teve contato com alguns dos principais nomes da matemática no Brasil, como os professores Paulo Cezar Pinto Carvalho, Eduardo Wagner e César Camacho — referências nacionais na área e diretamente ligados à criação e ao desenvolvimento da Obmep.
Além das medalhas, a estudante também participou de programas como o PIC Mentores e os Polos Olímpicos de Treinamento Intensivo (Poti), onde teve o primeiro contato com programação — ferramenta que hoje faz parte de sua rotina acadêmica.
A conquista também foi construída com apoio familiar. Com recursos da bolsa do PIC e o incentivo da mãe, Ana Cláudia Neres, Janaína adquiriu seu primeiro notebook — passo decisivo para aprofundar os estudos e ampliar oportunidades.
Mais do que resultados acadêmicos, a trajetória proporcionou vivências marcantes: participação em congressos, workshops e contato com diferentes realidades. Experiências que reforçaram o desejo de seguir na ciência.
Hoje, já inserida no ambiente acadêmico de excelência, Janaína faz questão de olhar para trás e incentivar outros estudantes da rede pública.
“Não desistam dos seus sonhos. Acreditem no potencial de vocês e aproveitem as oportunidades. A escola pública pode ser o começo de uma grande trajetória”, afirma.
A história da jovem tocantinense reforça o papel das olimpíadas científicas e das políticas educacionais no interior do país como instrumentos reais de transformação social — capazes de revelar talentos e levá-los a lugares antes inimagináveis.
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Fonte: AF Noticias
