Flávio Bolsonaro aposta em chapa com Dorinha, Eduardo Gomes e Gaguim no Tocantins
Notícias do Tocantins – Anotações feitas pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante reunião da cúpula do PL na última terça-feira (24), incluem o Tocantins no mapeamento eleitoral da legenda para 2026. A lista, revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, aponta a senadora Dorinha Seabra (União Brasil) como nome ao Governo do Estado e indica o senador Eduardo Gomes (PL) e o deputado federal Carlos Gaguim (União Brasil) para as duas vagas ao Senado.
O documento reúne projeções debatidas pela direção nacional do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o cenário nos estados. Flávio confirmou ser o autor das anotações, mas afirmou que o conteúdo reflete avaliações discutidas coletivamente.
Alinhamento estratégico
A inclusão dos três nomes indica que o PL já trabalha com uma leitura consolidada: Dorinha encabeçando a disputa ao Palácio Araguaia e Gomes e Gaguim formando a dobradinha ao Senado. A definição contrasta com um eventual alinhamento majoritário estritamente governista, cenário que hoje não se vislumbra de forma clara.
Nos bastidores, a presença do grupo de Dorinha nas anotações é atribuída à articulação de Eduardo Gomes, atual vice-presidente do Senado e ex-líder do governo Bolsonaro no Congresso. Entre setores da direita tocantinense, Gomes é visto como um dos principais elos do bolsonarismo no Estado.
Ainda assim, o arranjo provoca desconforto em segmentos mais ideológicos do PL.
Pragmatismo versus identidade
Críticos dentro da chamada “direita bolsonarista” questionam o pragmatismo da composição. Dorinha e Gaguim, ambos do União Brasil, são vistos por esses grupos como integrantes de um partido com trânsito no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A participação deles em agendas com o chefe do Executivo no Tocantins é apontada como um dos elementos desse diagnóstico. Além disso, o União Brasil ocupa ministérios no governo federal e integra a base que sustenta pautas governistas no Congresso.
Para esses setores, apoiar nomes vinculados ao União Brasil representaria fortalecer uma estrutura partidária que, nacionalmente, dialoga com o Palácio do Planalto.
Nos bastidores, porém, a leitura predominante é de que o PL prioriza viabilidade eleitoral – tempo de televisão, fundo partidário e capilaridade regional – em detrimento de uma composição puramente ideológica.
A inclusão de Eduardo Gomes é vista como o ponto de coerência partidária. Ainda assim, uma eventual aliança com Dorinha e Gaguim é interpretada por aliados mais ideológicos como um “consórcio” em que o bolsonarismo entra com densidade eleitoral e o centrão com musculatura institucional.
Impacto na chapa governista
O mapeamento nacional do PL dialoga diretamente com o impasse da base governista no Tocantins.
Dorinha mantém a pré-candidatura ao governo e já descartou disputar como vice. Do outro lado, o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos), também sustenta a intenção de encabeçar a chapa majoritária.
No centro do tabuleiro está o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), que evita assumir posição definitiva. Publicamente, afirma que ambos têm espaço na majoritária.
O impasse trava principalmente a definição da vice-governadoria, espaço considerado estratégico para acomodação interna.
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Leitura nacional, reflexo local
O registro de Flávio Bolsonaro revela que o Tocantins já está no radar estratégico do PL para 2026. Mais do que uma simples anotação, o documento sinaliza que as articulações estaduais estão sendo observadas – e possivelmente influenciadas – pela direção nacional.
Se a composição se confirmar, o Estado poderá assistir a uma aliança que reúna bolsonarismo formal, centrão estruturado e base governista local sob o mesmo guarda-chuva eleitoral – uma equação que combina pragmatismo, cálculo institucional e disputa por protagonismo.
Movimento partidário
Nos bastidores políticos, ventilou-se a possibilidade de Carlos Gaguim deixar o União Brasil para assumir o comando do Progressistas no Tocantins e disputar o Senado pela nova sigla. A hipótese foi negada pelo parlamentar, que afirma que concorrerá ao Senado pelo União Brasil.
Com isso, perde força a articulação para que ele se filiasse ao Republicanos, ampliando o espaço do partido de Wanderlei Barbosa na composição – que também pleiteia a vaga de vice-governador na chapa.
A movimentação ocorria no âmbito da federação formada por União Brasil e Progressistas. A primeira suplência de Gaguim já estaria definida com a advogada Mila Rueda, irmã do presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e atual tesoureira-geral da sigla.
Com a permanência de Gaguim no União Brasil, o comando do Progressistas no Estado tende a ficar com a deputada Janad Valcari, em articulação com o deputado federal e pré-candidato ao governo Vicentinho Júnior, hoje no PSDB, mas ainda com influência na estrutura partidária local.
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Fonte: AF Noticias
