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Opinião | Luxemburgo: ‘pofexô’ nos gramados, mas ainda um aprendiz na política

Carlos Oliveira | Cientista político e mestre em Comunicação e Sociedade pela UFT

Vanderlei Luxemburgo construiu uma trajetória vitoriosa no futebol brasileiro. Ex-técnico da Seleção Brasileira e de grandes clubes do país, ganhou nos gramados o apelido de “pofexô”, título simbólico que não veio por acaso. Por onde passou, acumulou conquistas importantes, entre elas o Campeonato Paulista de 1990 com o então desacreditado Bragantino, feito que marcou o início de sua ascensão no cenário nacional do futebol.

O “pofexô”, no entanto, decidiu se aventurar em um campo diferente: o campo político. E é justamente aí que a lógica muda. O capital simbólico acumulado no esporte não se converte automaticamente em prestígio político. Além disso, o jogo é outro, com regras próprias, muitas vezes implícitas, que precisam ser compreendidas e dominadas para que alguém consiga avançar até os espaços de poder.

No campo político, há diversas portas de entrada. A mais comum é a disputa por cargos proporcionais, como vereador, deputado estadual ou deputado federal. A escolha do cargo inicial costuma estar relacionada ao volume de capital simbólico acumulado em outros campos e, principalmente, ao valor que esse capital adquire dentro da lógica política. Nem todo reconhecimento público se traduz em força partidária.

Luxemburgo tenta ingressar nesse campo disputando diretamente cargos majoritários. Do ponto de vista legal, não há qualquer impedimento: todo cidadão que preencha os requisitos eleitorais pode concorrer. Contudo, para quem pretende de fato construir uma trajetória política sólida, cumprir as exigências legais não é suficiente. É preciso aprender a jogar o jogo político, e, nesse aspecto, Luxemburgo ainda ocupa a condição de aprendiz.

A trajetória recente confirma isso. Em 2014, tentou ser candidato ao Senado pelo PT, mas teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral por não conseguir comprovar domicílio eleitoral no estado, um requisito básico para qualquer postulante a cargo eletivo. Em 2022, buscou novamente uma vaga ao Senado, desta vez pelo PSB, então comandado por Carlos Amastha, mas viu seu projeto ser deixado de lado durante as convenções partidárias.

Daí surge uma segunda lição fundamental: quem deseja disputar cargos majoritários precisa ter controle efetivo do partido. Vicentinho Júnior, político com experiência acumulada em sucessivos mandatos, aprendeu isso na prática. Ao perceber que seria preterido como pré-candidato ao governo dentro de uma federação partidária, optou por sair e buscar uma legenda onde tivesse maior controle político.

Agora, Luxemburgo revive um déjà-vu de 2022, desta vez no Podemos, partido controlado pela família Dimas. Enquanto não aceitar sentar no banco, observar e aprender as regras do jogo político, continuará vendo seus projetos serem preteridos por quem já domina esse campo, não o do futebol, onde foi “pofexô”, mas o da política, onde ainda é aprendiz.

Fonte: AF Noticias