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Postura firme de Amélio e novos ruídos sobre renúncia de Wanderlei agitam a base governista

Notícias do Tocantins – A sucessão estadual de 2026 ganhou novos contornos nesta semana, especialmente após reunião realizada na manhã de segunda-feira (2), na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto). Segundo relatos de bastidores, o presidente da Casa, deputado Amélio Cayres (Republicanos), telefonou ao governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) diante de testemunhas e teria deixado claro que não aceita compor como candidato a vice-governador nem disputar o Senado na chapa da senadora Dorinha Seabra (União Brasil).

Amélio teria reafirmado que será candidato ao Palácio Araguaia e que, para isso, precisa presidir o Republicanos no Estado a fim de viabilizar o projeto. Ele teria sinalizado que aguardaria uma definição até sexta-feira (6) e, caso não assuma o comando da legenda, poderá buscar outro partido – o MDB é citado como alternativa.

Wanderlei teria dito que viajaria a São Paulo para tratar do assunto com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, mas ponderou que o compromisso político firmado com Dorinha dificultaria qualquer mudança imediata na direção partidária.

Versão pública

Em entrevista à Rádio 9 FM, de Gurupi, Amélio tangenciou as tensões internas e negou ter estabelecido ultimato ao governador. Disse que mantém relação institucional e pessoal com Wanderlei e alegou que a “cobrança” de prazo para definição decorre da proximidade da janela partidária – período em que parlamentares podem trocar de legenda sem perda de mandato.

O presidente da Aleto reiterou, contudo, que presidir um partido é condição estratégica para disputar o governo. “Não posso propor governar o Estado atrelado a uma ou outra agremiação”, afirmou. Apesar da preferência por permanecer no Republicanos, destacou que a pré-candidatura não está condicionada exclusivamente à legenda.

Reafirmação interna

A aliados, Amélio teria mantido a posição de disputar o governo e de aguardar definição sobre o comando partidário.

Nos bastidores, a avaliação é de que uma eventual substituição no comando estadual do Republicanos retiraria de Wanderlei o ônus direto das decisões partidárias e transferiria a responsabilidade eleitoral ao grupo que encabeçar a chapa, alterando o equilíbrio interno e tensionando o espaço da senadora Dorinha, que não abre mão de sua candidatura ao Palácio Araguaia.

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Renúncia volta ao debate

Paralelamente, cresce no Republicanos nacional a percepção de que Wanderlei poderá disputar uma das vagas ao Senado, contrariando declarações públicas de que permanecerá no cargo até o fim do mandato.

Dirigentes da sigla veem como estratégico ampliar a bancada no Senado. A leitura pragmática é que 8 anos de mandato parlamentar, com prerrogativa de foro, representariam maior estabilidade política do que a permanência no Executivo estadual até 31 de dezembro de 2026.

Embora o governador reitere que não renunciará, movimentações políticas alimentam especulações. A presença constante da primeira-dama, Karynne Sotero, em agendas pelo Estado e a possibilidade de disputar vaga na Câmara Federal são interpretadas como indícios de reorganização do grupo. Pela legislação eleitoral, ela só poderá concorrer ao cargo de deputada federal caso o marido renuncie ao mandato.

Em caso de eventual renúncia, o comando do governo passaria ao vice-governador Laurez Moreira (PDT), de quem Wanderlei já declarou publicamente não gostar e não o desejar por perto. No exercício do cargo, Laurez ganharia protagonismo institucional e fortaleceria seu projeto de disputar o candidato ao Palácio Araguaia, reposicionando o eixo de poder dentro da própria base.

Fonte: AF Noticias