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Prefeito de Axixá insiste em show milionário de Bruno & Marrone, mas TCE barra de novo

Notícias do Tocantins – O Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCETO) determinou, mais uma vez, a suspensão do processo de contratação de um show da dupla Bruno & Marrone em Axixá do Tocantins, cujo custo previsto era de R$ 1,1 milhão. A decisão cautelar, solicitada pela Segunda Relatoria e assinada pelo conselheiro Napoleão de Souza Luz Sobrinho, foi aprovada por unanimidade pelo Pleno do Tribunal durante sessão realizada nesta quarta-feira (25/02).

A apresentação, prevista para o dia 14 de março de 2026, havia sido contratada pela prefeitura via inexigibilidade de licitação. A nova determinação do TCETO ocorre após o prefeito Auri Wulange Ribeiro Jorge, mesmo conhecendo os problemas apontados anteriormente, abrir um novo processo quase idêntico ao anterior, mantendo as mesmas irregularidades, o que, para o Tribunal, configura tentativa de ignorar a decisão da Corte.

Histórico de irregularidades

O caso já estava sob acompanhamento desde dezembro de 2025, quando a equipe técnica da 2ª Diretoria de Controle Externo identificou falhas graves no processo inicial, incluindo:

  • ausência de documentos essenciais para instrução do processo;

  • planejamento considerado deficiente;

  • indícios de direcionamento na estimativa de preços;

  • sobrepreço estimado em aproximadamente R$ 350 mil;

  • cláusulas contratuais desvantajosas para o município;

  • pagamento integral antecipado sem garantias;

  • risco de prejuízos ao erário.

Na ocasião, o conselheiro Napoleão determinou a suspensão cautelar do processo, decisão posteriormente referendada pelo Plenário do Tribunal.

Reabertura do processo e persistência de problemas

Após ser notificado, o prefeito chegou a reconhecer as irregularidades e anulou o processo original. No entanto, pouco tempo depois, a prefeitura instaurou um novo procedimento administrativo, com o mesmo objeto — a contratação do show — e reproduziu grande parte das falhas identificadas, incluindo a manutenção do valor global de R$ 1,1 milhão sem justificativa técnica.

A análise técnica enviada à Segunda Relatoria apontou que o novo processo mantém:

  • pagamento antecipado integral do contrato, sem garantias que protejam o poder público;

  • cláusulas consideradas desequilibradas;

  • riscos financeiros para um município pequeno, com cerca de 10 mil habitantes;

  • incompatibilidade da despesa com o cenário fiscal e social da cidade.

Segundo o Tribunal, a repetição do procedimento pode indicar tentativa de burlar decisões judiciais e representa afronta aos princípios da administração pública, como legalidade, economicidade e interesse público.

Determinação cautelar e próximos passos

Diante da situação, o conselheiro Napoleão solicitou ao Pleno a concessão de nova medida cautelar, determinando a suspensão imediata de todos os atos relacionados à contratação, incluindo qualquer execução financeira. O prefeito e demais responsáveis citados deverão apresentar esclarecimentos ao Tribunal.

O mérito do processo ainda será julgado pelo TCETO, mas a atuação cautelar já visa evitar prejuízos aos cofres públicos e garantir que contratações municipais sigam critérios legais e de boa gestão de recursos.

 O processo pode ser acompanhado na íntegra pelo e-Contas AQUI.

Fonte: AF Noticias