Prisão na casa da sogra e debaixo da cama do filho: a rede de fuga do empresário Waldecir Jr
Notícias de Palmas – A prisão do empresário Waldecir José de Lima Júnior, de 40 anos, marca uma nova fase nas investigações sobre o assassinato do vigilante Dhemis Augusto Santos, de 35 anos, morto a tiros após uma discussão em uma galeria de luxo em Palmas. O caso, que ganhou ampla repercussão pela violência e pelo contexto, avança agora com novos elementos sobre a fuga do suspeito e as circunstâncias da prisão.
Waldecir foi preso na manhã de segunda-feira (23), após permanecer mais de três meses foragido. Ele foi localizado na casa da sogra, na região sul da capital, onde, segundo a Polícia Civil, tentava se esconder debaixo da cama do filho, de 12 anos.
Crime foi registrado por câmeras
O homicídio ocorreu na noite de 29 de novembro de 2025 e foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram o momento em que o empresário, ao volante de uma Range Rover Evoque, discute com o vigilante após ser orientado a retirar o veículo de uma área proibida.
Durante a discussão, Waldecir saca uma arma, aponta para a vítima e, mesmo com a tentativa de intervenção de um terceiro, efetua um disparo à queima-roupa na região abdominal.
“O que seria uma orientação de rotina terminou em uma ação de extrema violência”, destacaram investigadores à época.
Dhemis foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Hospital Geral de Palmas, onde passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos.
Natural de Sergipe, o vigilante havia se mudado para Palmas em busca de melhores condições de vida. Trabalhava há cerca de um ano no local e, segundo familiares, planejava adquirir a casa própria.
Rede de fuga e apoio familiar
Após o crime, Waldecir fugiu. Ainda na mesma noite, a polícia localizou o veículo utilizado na fuga estacionado na residência dele, mas o suspeito já não estava no local. Durante a ação, munições foram apreendidas.
A investigação aponta que o empresário contou com uma rede estruturada de apoio, formada por familiares e amigos, que teria viabilizado sua fuga e permanência longe das autoridades por meses.
Segundo a Polícia Civil, ele deixou o Tocantins e passou por cidades como Goiânia, Trindade e Anápolis, em Goiás, recebendo suporte logístico e financeiro. Essa rede de apoio, conforme o delegado Israel Andrade, dificultou significativamente o cumprimento do mandado de prisão.

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Prisão na casa da sogra
Após monitoramento, os investigadores identificaram que o suspeito havia retornado a Palmas. Ele foi localizado na casa da sogra, onde familiares inicialmente negaram sua presença, em tentativa de frustrar a ação policial.
Durante as buscas, Waldecir foi encontrado escondido debaixo da cama do filho. A Polícia Civil avalia que ele pode ter tentado utilizar a presença da criança para dificultar a abordagem, hipótese tratada como possível uso de “escudo humano”.
Aniversário do filho pode ter motivado retorno
Outro ponto que chama atenção nas investigações é o possível motivo do retorno do suspeito à capital. De acordo com a polícia, o filho de Waldecir faria aniversário nesta quinta-feira (26), poucos dias após a prisão.
A suspeita é de que ele tenha voltado à cidade para a data, acreditando que não seria localizado, e, posteriormente, poderia retomar a fuga para outros estados.
Arma apreendida e avanço do inquérito
Em dezembro de 2025, a Polícia Civil apreendeu a arma que teria sido utilizada no crime. A pistola foi localizada em um endereço no centro de Palmas, indicado pelo próprio advogado do investigado.
O caso é conduzido pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que avança agora para a fase final do inquérito com a prisão do principal suspeito.
O que diz a defesa
A defesa de Waldecir sustenta que ele não tinha intenção de permanecer foragido. Segundo o advogado Paulo Roberto da Silva, o cliente deixou Palmas após sofrer ameaças nas redes sociais.
De acordo com a defesa, havia previsão de apresentação espontânea na delegacia na manhã de segunda-feira (23), o que não ocorreu devido à prisão antecipada.
“Infelizmente, não conseguimos apresentá-lo espontaneamente, mas isso não muda o rumo do nosso trabalho. O acusado e sua defesa confiam na Justiça tocantinense”, afirmou em nota.
O advogado também declarou que ainda não teve acesso integral ao processo e que pretende contestar pontos da investigação. “Assim que tivermos acesso completo aos autos, apresentaremos a versão da defesa”, disse.
Próximos passos
Após a prisão, Waldecir foi encaminhado à 1ª Divisão de Homicídios, passou por exame no Instituto Médico Legal (IML) e segue à disposição da Justiça. Ele deve responder por homicídio.
Com a captura, a Polícia Civil trabalha na conclusão do inquérito, que deve consolidar as provas reunidas ao longo dos últimos meses, enquanto a defesa prepara sua estratégia para contestar a acusação no curso do processo judicial.
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Fonte: AF Noticias
