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Hospital Dom Orione confirma suspensão de cirurgias cardíacas, neurológicas e urológicas pelo SUS

Notícias do Tocantins – O Hospital Dom Orione confirmou que suspenderá, a partir das 8 horas desta segunda-feira (27), cirurgias e outros procedimentos eletivos realizados pelo Sistema Único de Saúde em Araguaína. A decisão atinge atendimentos de baixa, média e alta complexidade contratados pelo Governo do Tocantins.

A paralisação alcançará inicialmente cirurgias urológicas, cardíacas, neurocirurgias, cirurgias endovasculares e os demais procedimentos eletivos previstos nos contratos mantidos com o Estado.

Uma segunda etapa está marcada para as 8 horas do dia 3 de agosto. A partir dessa data, o hospital também suspenderá os atendimentos de obstetrícia eletiva, pré-natal de alto risco e neonatologia eletiva.

A medida coloca em alerta pacientes de Araguaína e de dezenas de municípios da região norte do Tocantins que dependem do Dom Orione para procedimentos especializados e serviços hospitalares de maior complexidade.

Hospital culpa inadimplência do Estado

Em nota divulgada à população, o Dom Orione afirmou que a suspensão ocorre em razão da “persistente inadimplência” do Governo do Tocantins e da impossibilidade de continuar custeando integralmente, com recursos próprios, os serviços prestados ao SUS.

Segundo valores apresentados anteriormente pela instituição e publicados pelo AF Notícias, o hospital cobra do Estado uma dívida de R$ 49.309.466,49 referente aos contratos de prestação de serviços.

A instituição também informou ter acumulado aproximadamente R$ 67.629.459,95 em despesas financeiras, provocadas pela contratação de empréstimos, antecipação de recebíveis e outras operações utilizadas para manter os atendimentos durante os atrasos nos repasses públicos.

O hospital afirma que a falta de regularização dos pagamentos compromete a capacidade de manter fornecedores, profissionais, medicamentos, insumos, salários, tributos e demais despesas necessárias ao funcionamento dos serviços contratados.

“A medida é adotada com profundo pesar e decorre exclusivamente da falta de regularização dos pagamentos devidos pelo Estado”, declarou a instituição.

Quais atendimentos serão suspensos

A partir das 8 horas desta segunda-feira (27), ficarão suspensos:

  • Cirurgias urológicas;

  • Cirurgias cardíacas;

  • Neurocirurgias;

  • Cirurgias endovasculares;

  • Demais procedimentos eletivos de baixa, média e alta complexidade contratados pelo SUS.

A partir das 8 horas do dia 3 de agosto, também serão interrompidos:

  • Obstetrícia eletiva;

  • Pré-natal de alto risco;

  • Neonatologia eletiva.

Procedimentos eletivos são aqueles que podem ser agendados previamente e que, em regra, não são classificados como urgência ou emergência. Mesmo assim, o adiamento pode aumentar o tempo de espera e agravar a situação de pacientes que já aguardam tratamento.

Urgências e pacientes internados serão mantidos

O Hospital Dom Orione informou que os atendimentos de urgência e emergência continuarão sendo realizados normalmente.

Também serão mantidos os atendimentos obstétricos emergenciais, as cirurgias de urgência, a assistência aos pacientes já internados até a alta médica e os procedimentos cuja interrupção possa representar risco de morte ou dano irreversível à saúde.

A unidade afirmou ainda que possui interesse em retomar todos os serviços assim que o Governo restabelecer as condições financeiras dos contratos.

Governo contesta valores e ameaça ir à Justiça

Após o anúncio, a Secretaria de Estado da Saúde afirmou que considera injustificável a suspensão dos atendimentos e anunciou que poderá adotar medidas judiciais para impedir a paralisação.

A pasta sustenta que os contratos permanecem vigentes e que o hospital possui obrigação de manter os serviços prestados à população.

O Governo também contestou os valores cobrados pelo Dom Orione e anunciou uma auditoria para verificar os débitos, os pagamentos realizados e a execução dos contratos.

Segundo a Secretaria, foram pagos R$ 44.058.971,83 ao hospital entre janeiro e julho de 2026. A pasta informou ainda que realizou, no dia 23 de julho, um novo repasse de R$ 2.451.939,32 para amortizar obrigações contratuais.

A SES afirmou que notificará formalmente o hospital e comunicará o caso à Justiça, defendendo que serviços essenciais do SUS não podem ser interrompidos unilateralmente.

Enquanto hospital e Governo travam uma disputa milionária sobre dívidas, pagamentos e contratos, pacientes da região norte começam a sentir os efeitos concretos da crise, com cirurgias e procedimentos já marcados para serem suspensos.

Fonte: AF Noticias