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Laudo aponta graves lesões e descarta afogamento na morte de menino de 3 anos em Palmas

Notícias de Palmas – O exame cadavérico preliminar realizado no corpo de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, afastou, até o momento, a hipótese de afogamento e apontou uma laceração intestinal, acompanhada de hemorragias interna e externa, como provável causa da morte. As novas informações foram divulgadas nesta terça-feira (04/08) pelo diretor do Instituto Médico Legal (IML) de Palmas, médico legista Eduardo Godinho.

A criança foi encontrada morta na manhã de segunda-feira (3), em uma residência na região norte de Palmas. O pai, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, procurou a Polícia Civil e relatou que o menino teria passado por uma situação de aparente afogamento em uma piscina no dia anterior.

Segundo Godinho, porém, o primeiro exame não identificou sinais compatíveis com afogamento. “Até agora, pelo primeiro exame, não tem indício nenhum de afogamento. Ali foi realmente outro tipo de trauma que levou à causa da morte”, afirmou.

O médico legista informou ainda que o menino apresentava diferentes marcas de violência, inclusive na face e em órgãos internos. Segundo ele, a gravidade das lesões chamou a atenção da equipe responsável pelo exame.

Muita violência, sinais de violência pela face, intestinal, internamente. Isso não é comum nos dias de hoje. Na verdade, em 18 anos como legista, eu nunca tinha visto um caso como esse aqui no nosso Estado”, declarou.

Godinho explicou que as conclusões ainda são preliminares e dependerão da finalização do laudo cadavérico e de outros exames periciais.

Polícia apura circunstâncias da morte

A Polícia Civil instaurou inquérito para esclarecer como e quando ocorreram as lesões que provocaram a morte da criança. O caso está sob responsabilidade da 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Palmas.

O pai do menino foi ouvido e liberado após prestar esclarecimentos e entregar as chaves da residência onde o corpo foi encontrado. Segundo o delegado Eduardo Menezes, responsável pela investigação, ele é investigado, mas ainda não há conclusão sobre autoria ou dinâmica dos fatos.

O delegado afirmou que os laudos serão fundamentais para definir se a morte decorreu de uma agressão, de um acidente ou de outra circunstância.

“Foi constatado alguns indícios de violência no corpo, e a DHPP foi acionada. Agora estamos investigando para determinar se houve essa agressão por parte do pai ou se se trata de um homicídio. Vamos aguardar a confecção dos laudos, que trarão informações importantes para definir se houve um acidente ou um homicídio”, declarou.

Até o momento, ninguém foi formalmente responsabilizado pela morte.

Defesa relata aparente afogamento

A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa afirma que pai e filho estavam em uma piscina quando ele teria percebido sinais de aparente afogamento.

Segundo a versão apresentada pelos advogados, o pai retirou a criança da água e realizou os primeiros socorros. O menino teria voltado a reagir após expelir a água que havia ingerido.

A defesa sustenta que, diante da aparente melhora, Igor deu banho no filho e o colocou para descansar. Na manhã seguinte, ao perceber que a criança não respondia e estava sem sinais vitais, teria deixado a residência em estado de desorientação.

Ainda conforme os advogados, ele posteriormente se apresentou de forma espontânea à Polícia Civil, comunicou o ocorrido, prestou esclarecimentos e entregou as chaves do imóvel para a realização da perícia.

Essa versão será confrontada com o laudo cadavérico, a perícia realizada na residência, eventuais imagens, depoimentos e outros elementos reunidos no inquérito.

Advogada da mãe menciona possível violência sexual

Também nesta terça-feira, a advogada Stella Bueno, que representa Sabrina Feitosa, mãe de Gustavo, afirmou à imprensa que informações constantes na certidão de óbito indicariam uma hemorragia interna provocada por violência sexual.

Essa criança foi violentada e agredida da pior forma possível e infelizmente veio a óbito”, declarou.

Segundo a advogada, as informações preliminares às quais teve acesso durante o acompanhamento da mãe na delegacia afastariam a possibilidade de uma morte acidental.

Stella Bueno também afirmou que a perícia trabalha com a hipótese de que o menino tenha morrido ainda no domingo (2), quando estava sob os cuidados do pai.

Até a publicação desta reportagem, a Polícia Civil e o IML não haviam confirmado oficialmente a ocorrência de violência sexual nem o horário exato da morte. Essas circunstâncias ainda dependem da conclusão dos laudos periciais.

O inquérito tramita sob sigilo. As investigações continuam para determinar a dinâmica dos fatos e identificar eventual responsabilidade criminal.

Fonte: AF Noticias