Presidente do GurupiPrev deixa cargo em meio a denúncias e pressão de sindicatos por investigação
Notícias de Gurupi – O presidente do Instituto de Previdência Social do Município de Gurupi (GurupiPrev), Jenilson Alves de Cirqueira, pediu exoneração do cargo em meio às denúncias que passaram a cercar sua gestão e à pressão de três entidades sindicais pela abertura de uma investigação administrativa.
A saída foi oficializada pelo Decreto nº 0994/2026, de 25 de setembro, assinado pela prefeita Josi Nunes. O ato dispõe sobre a exoneração “a pedido” de Jenilson da presidência do GurupiPrev.
O pedido de exoneração ocorre logo após a Associação dos Professores Universitários de Gurupi, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Gurupi (SISEMG) e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado do Tocantins (SINTET) cobrarem o afastamento do dirigente e a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
As entidades defendem que sejam apuradas denúncias relacionadas à gestão do instituto, incluindo relatos de assédio moral e perseguição funcional. O movimento sindical sustenta que uma investigação formal é necessária para esclarecer os fatos e garantir independência na apuração.
Caso chegou ao Ministério Público
O pedido dos sindicatos tem como base os encaminhamentos feitos pelo Ministério Público do Tocantins no âmbito da Notícia de Fato nº 2026.0016886.
A 8ª Promotoria de Justiça de Gurupi arquivou a Notícia de Fato dentro das atribuições daquele procedimento, mas encaminhou os autos à Corregedoria-Geral do Município e ao Conselho de Administração do GurupiPrev para análise de possíveis providências administrativas. Segundo as entidades, o encaminhamento ocorreu em 18 de setembro.
Na manifestação citada pelos sindicatos, o Ministério Público registrou que eventuais condutas de assédio moral e perseguição funcional podem ser apuradas pelos órgãos correicionais do GurupiPrev ou do Município por meio de Processo Administrativo Disciplinar, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
O encaminhamento do MP não representa condenação nem atribuição automática de responsabilidade ao então presidente. Caberá aos órgãos administrativos avaliar os fatos e decidir sobre a abertura ou não do procedimento disciplinar.
Sindicatos queriam afastamento preventivo
Antes da exoneração, APUG-SSIND, SISEMG e SINTET defendiam o afastamento preventivo de Jenilson durante a apuração.
As entidades argumentaram que a permanência do presidente no cargo poderia gerar insegurança entre servidores, possíveis vítimas e testemunhas chamadas a prestar esclarecimentos. Segundo os sindicatos, o afastamento teria justamente o objetivo de preservar a independência da investigação e evitar qualquer possibilidade de interferência no levantamento dos fatos.
Com a exoneração já efetivada, a cobrança passa a se concentrar principalmente na abertura do PAD e na continuidade da apuração administrativa.
Ofícios para Prefeitura, Câmara e Secretaria da Mulher
As três entidades informaram que protocolaram ofícios dirigidos à prefeita Josi Nunes, à Câmara Municipal de Gurupi e à Secretaria Municipal da Mulher.
Entre as providências solicitadas estão a instauração de Processo Administrativo Disciplinar, caso presentes os requisitos legais, preservação de documentos e outros elementos relacionados aos fatos, além da proteção de eventuais vítimas e testemunhas contra constrangimentos ou retaliações.
Os sindicatos também pedem que as autoridades municipais divulguem as providências adotadas, respeitados os limites legais, e defendem que todo o procedimento observe o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório.
O posicionamento das entidades é subscrito pela presidente do SISEMG, Lucileia Barbosa, pelo presidente da APUG-SSIND, Gilberto Correia da Silva, e pela presidente do SINTET, Gabriela Zanina.
Saída ocorre no centro da crise
Jenilson Alves de Cirqueira ocupava a presidência do GurupiPrev desde 2024. Agora, com o pedido de exoneração formalizado em meio à repercussão das denúncias, caberá à Prefeitura, à Corregedoria-Geral do Município e aos órgãos internos do GurupiPrev definir os próximos passos da apuração.
A saída do cargo, por si só, não encerra o caso nem impede eventual investigação administrativa sobre fatos ocorridos durante a gestão.
Fonte: AF Noticias
