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Diretor contábil de Pedro Afonso recebeu depósitos suspeitos e tem sigilo quebrado em operação

Notícias do Tocantins – O diretor contábil da Secretaria Municipal de Finanças de Pedro Afonso, Arlindo Lopes dos Santos Junior, é um dos alvos da quebra de sigilo bancário determinada pelo Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) no âmbito da Operação ÔM3GA.

Conforme a decisão judicial, a Polícia Civil identificou depósitos fracionados e recorrentes, de aproximadamente R$ 5 mil, provenientes de contas vinculadas à Alpha Contabilidade, empresa investigada por suspeitas de fraudes em contratos públicos.

A informação consta da decisão do desembargador Luiz Zilmar dos Santos Pires, que autorizou o aprofundamento das investigações financeiras envolvendo empresários, contadores, agentes públicos e empresas suspeitas de integrar um esquema de fraudes em licitações, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O que diz a decisão judicial

Na decisão, o desembargador menciona expressamente as movimentações financeiras envolvendo Arlindo Lopes dos Santos Junior.

“No que tange a Arlindo Lopes dos Santos Junior, constataram-se depósitos fracionados reiterados de aproximadamente R$ 5.000,00 oriundos de contas vinculadas à Alpha durante o exercício de cargo comissionado na Prefeitura de Pedro Afonso/TO“, registra o magistrado.

O trecho consta das páginas 9 e 10 da decisão, com base no Relatório de Análise Bancária apresentado pela Polícia Civil.

O documento não informa a quantidade exata de depósitos, o valor total movimentado nem a justificativa das transferências. Entretanto, a identificação de operações financeiras recorrentes envolvendo um agente público e contas vinculadas a empresas investigadas levou a Polícia Civil a solicitar o aprofundamento da apuração.

Diretor continua na Secretaria de Finanças

Um dos aspectos relevantes do caso é a permanência de Arlindo Lopes dos Santos Junior na administração municipal.

O servidor ocupa atualmente o cargo de diretor contábil da Secretaria Municipal de Finanças de Pedro Afonso, setor diretamente relacionado à gestão financeira e aos procedimentos contábeis do município. A decisão judicial aponta que as movimentações suspeitas ocorreram durante o exercício de cargo comissionado.

Apesar de autorizar a quebra de seu sigilo bancário, o Tribunal de Justiça não determinou seu afastamento das funções públicas.

O desembargador também rejeitou o pedido da Polícia Civil para afastar cautelarmente 37 agentes públicos e políticos relacionados à investigação, considerando que não houve demonstração individualizada de risco atual que justificasse a medida.

Justiça autoriza investigação das contas bancárias

A quebra do sigilo bancário de Arlindo abrange o período de 1º de janeiro de 2021 a 15 de julho de 2026.

A determinação permite aos investigadores acessar informações sobre depósitos, transferências, movimentações financeiras, investimentos e outros registros necessários para esclarecer a origem e o destino dos recursos.

O objetivo é identificar a natureza das operações, verificar eventuais vínculos com contratos administrativos e apurar se houve participação em movimentações financeiras ilícitas.

Na fundamentação da decisão, o desembargador destacou a necessidade de aprofundar o rastreamento financeiro para reconstruir o percurso dos recursos supostamente desviados de administrações municipais.

Suspeitas envolvem contratos públicos

A Operação ÔM3GA investiga a possível atuação de uma organização criminosa estruturada em núcleos empresariais, contábeis e de prestação de serviços, suspeita de manipular licitações, direcionar contratações públicas e realizar repasses financeiros irregulares.

A Alpha Contabilidade e seus sócios aparecem entre os principais alvos da investigação. Relatórios bancários apontaram movimentações expressivas entre empresas do grupo, particulares e agentes públicos municipais.

As apurações tiveram origem em investigações sobre possíveis irregularidades em Darcinópolis e Nova Olinda, mas foram ampliadas após a identificação de conexões com outras administrações, incluindo Pedro Afonso.

A decisão autorizou buscas e apreensões em 41 endereços e grupos de alvos, abrangendo repartições públicas, residências e empresas relacionadas aos fatos investigados.

A quebra do sigilo bancário é uma medida destinada à obtenção de provas e não representa, isoladamente, comprovação de prática criminosa. A responsabilidade dos envolvidos dependerá dos resultados das investigações e da análise judicial dos elementos reunidos.

O espaço do AF Notícias permanece aberto para manifestação dos citados.

Fonte: AF Noticias