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Sumiço de Laura Vitória é denunciado à ONU após uma década sem respostas no Tocantins

Notícias de Palmas – O Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) Glória de Ivone denunciou à Organização das Nações Unidas (ONU) o desaparecimento de Laura Vitória, que tinha 9 anos quando sumiu em 9 de janeiro de 2016, em Palmas (TO). A comunicação internacional enviada aponta falhas na condução das investigações ao longo de uma década.

A decisão de levar o caso ao sistema internacional ocorreu após anos de cobranças da organização e da família, sem que houvesse respostas sobre o paradeiro de Laura. Em junho de 2025, o procedimento relacionado ao caso foi arquivado, sob o argumento de que não havia novos elementos para dar continuidade às investigações.

Para o Cedeca, o arquivamento evidencia falhas estruturais na condução do caso. A denúncia à ONU busca, ainda, responsabilizar não apenas o Estado do Tocantins, mas também o Estado brasileiro pela ausência de esclarecimentos sobre o desaparecimento da criança.

“O caso de Laura teve diversas falhas desde o início. A investigação demorou para começar e passou por sucessivas mudanças de delegacia, sem que houvesse avanços. Também ocorreram longos períodos de inércia, com registros de mais de 500 dias sem diligências. Dez anos depois, o Estado não foi capaz de informar o que aconteceu com Laura Vitória”, afirma Mônica Brito, secretária executiva do Cedeca Glória de Ivone.

A organização ressalta que, ao longo desse período, a família enfrentou dificuldades de acesso a informações e falta de apoio do poder público.

Dez anos de mobilização por respostas

Desde os primeiros meses após o desaparecimento, o Cedeca acompanha o caso e cobra providências das autoridades responsáveis. A organização monitorou o andamento do inquérito policial e promoveu diversas ações institucionais para pressionar os órgãos a dar continuidade às investigações.

Nos momentos iniciais, representantes do Cedeca participaram das buscas, diante da demora na atuação das forças de segurança. Nos anos seguintes, a organização encaminhou ofícios e pedidos de informação ao Ministério Público e às autoridades, reforçando cobranças entre junho e outubro de 2020 com novos documentos e ações institucionais. No mesmo período, o Cedeca realizou mobilizações públicas, incluindo transmissões ao vivo, que tiveram repercussão na imprensa e mantiveram o caso em evidência.

Paralelamente, a organização cobrou do Governo do Tocantins a implementação efetiva da Lei nº 3.524/2019, conhecida como Lei do Alerta de Desaparecimento, que prevê mecanismos para agilizar a divulgação de informações sobre crianças e adolescentes desaparecidos. Também buscou apoio de instituições e parlamentares para fortalecer o debate sobre o desaparecimento de crianças no estado, incluindo contatos com a Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa e com a Frente Parlamentar da Criança e do Adolescente.

Além da atuação institucional, o Cedeca manteve acompanhamento próximo da família. Desde 2021, representantes da organização visitam e oferecem apoio social e jurídico à avó materna da criança. Ao longo dos anos, a família enfrentou dificuldades para acessar informações sobre as investigações e lidou com a falta de acompanhamento adequado do poder público diante das consequências sociais e emocionais do desaparecimento.

Denúncia ao sistema internacional

Segundo o Cedeca, a ausência de respostas por mais de uma década evidencia dificuldades estruturais graves nas investigações de desaparecimentos de crianças e adolescentes no Tocantins. A organização afirma que casos como o de Laura Vitória não podem ser encerrados sem esclarecimentos concretos.

“O caso de Laura Vitória evidencia que o desaparecimento de crianças no Tocantins e no Brasil não é prioridade, especialmente quando envolve pessoas negras e regiões fora dos grandes centros. Não podemos permitir que esses casos sejam esquecidos. É fundamental garantir respostas às famílias e fortalecer políticas públicas para que outras crianças não sofram o mesmo destino”, destaca Mônica Brito.

Diante desse cenário, o Cedeca decidiu levar o caso ao sistema internacional de direitos humanos, buscando chamar a atenção da comunidade internacional e pressionar o Estado brasileiro a adotar medidas que garantam respostas à família e à sociedade.

Fonte: AF Noticias