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Com histórico recente no Tocantins, sarampo volta a ameaçar o país após casos importados

Notícias do Tocantins – Novos casos importados de sarampo em São Paulo e no Rio de Janeiro acenderam um alerta sanitário em todo o país e reforçaram a preocupação com a queda na cobertura vacinal. As duas pacientes confirmadas não haviam sido imunizadas.

Em São Paulo, o caso envolve uma bebê de seis meses, com histórico recente de viagem à Bolívia, país que enfrenta um surto da doença. Já no Rio de Janeiro, o diagnóstico confirmado pelo Ministério da Saúde na primeira semana do mês é de uma mulher de 22 anos, também sem vacinação.

A reintrodução do vírus preocupa autoridades, principalmente em regiões de fronteira e em estados com fluxo migratório intenso, como o Tocantins. Em 2024, o Brasil voltou a receber da Organização Pan-Americana da Saúde a certificação de país livre da circulação do sarampo — um status agora sob vigilância.

No ano passado, ao menos 38 casos importados foram registrados no país, com maior concentração em Mato Grosso e Tocantins.

Segundo o infectologista Rafael Nogueira, o cenário exige atenção redobrada. “É uma doença potencialmente grave e os casos recentes reforçam a necessidade de medidas de vigilância e profilaxia”, afirma.

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que, só em 2025, cerca de 14,8 mil casos foram confirmados nas Américas, evidenciando a circulação ativa do vírus no continente.

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Vacinação segue como principal barreira

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo e pode se espalhar antes mesmo do aparecimento dos sintomas mais evidentes. A principal forma de prevenção continua sendo a vacina.

O Ministério da Saúde recomenda:

  • Primeira dose da tríplice viral aos 12 meses

  • Segunda dose aos 15 meses (tetraviral)

  • Duas doses para pessoas até 29 anos não vacinadas

  • Dose única para adultos de 30 a 59 anos sem histórico vacinal

  • Profissionais de saúde devem receber duas doses

Em situações de surto, crianças entre 6 e 12 meses podem receber a chamada “dose zero”.

Transmissão silenciosa aumenta risco

O vírus do sarampo, do gênero Morbillivirus, é transmitido pelo ar — ao tossir, espirrar, falar ou até respirar. Um único infectado pode contaminar até 18 pessoas. “A transmissão pode ocorrer antes que o paciente apresente as manchas típicas”, alerta o infectologista.

Sintomas começam leves, mas doença pode evoluir

Os primeiros sinais costumam ser inespecíficos:

  • Febre alta (acima de 38,5°C)

  • Tosse e coriza

  • Conjuntivite

  • Mal-estar

Entre dois e quatro dias depois, surgem manchas vermelhas na pele, que começam no rosto e se espalham pelo corpo. Um dos sinais clássicos são as manchas de Koplik — pequenos pontos esbranquiçados na mucosa da boca.

Casos mais graves podem evoluir para complicações como pneumonia, infecções secundárias e até encefalite.

Grupos mais vulneráveis

O risco de agravamento é maior entre:

  • Crianças menores de 5 anos

  • Pessoas imunossuprimidas

  • Gestantes

Em grávidas, a doença pode causar parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Viagens internacionais exigem atenção

Pessoas que retornam de viagens ao exterior devem ficar atentas a sintomas por até 21 dias. Países com circulação ativa do vírus aumentam o risco de importação de casos.

Antes da vacinação em massa, iniciada na década de 1960, o sarampo provocava epidemias frequentes e chegou a matar cerca de 2,6 milhões de pessoas por ano no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde.

No ano passado, houve ao menos 38 casos importados da doença

Fonte: AF Noticias