Eleitorado indígena aumenta no Tocantins, mas ainda representa menos de 0,5% do total
Notícias do Tocantins – O número de eleitores indígenas no Tocantins cresceu de forma significativa entre 2024 e 2026, mas ainda representa uma parcela pequena do total do eleitorado no estado. No Dia dos Povos Indígenas, celebrado neste 19 de abril, os dados da Justiça Eleitoral evidenciam avanços na inclusão, ao mesmo tempo em que expõem o desafio da representatividade.
Em 2024, o estado registrava 3.246 eleitores indígenas, o equivalente a 0,28% do eleitorado. Já em 2026, esse número saltou para 5.246, passando a representar 0,45%. O crescimento é expressivo, mas ainda distante do peso das populações indígenas no território tocantinense, que concentra diversas etnias e comunidades espalhadas por diferentes regiões.
Municípios como Tocantínia, onde o eleitorado é majoritariamente indígena, além de cidades como Itacajá e Goiatins, ajudam a ilustrar essa presença, ainda que diluída no conjunto estadual.
Participação política em crescimento
O avanço também aparece no número de candidaturas. Nas eleições municipais de 2024, 63 candidatos se declararam indígenas no Tocantins, o que corresponde a 0,88% dos registros. A expectativa é de crescimento nas eleições de 2026, acompanhando a ampliação do eleitorado.
Acesso e inclusão
Segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins, Adolfo Amaro Mendes, a data reforça a importância da participação indígena no processo democrático.
“Os povos indígenas têm papel fundamental na história, na cultura e na identidade do Tocantins e do Brasil. A Justiça Eleitoral trabalha para garantir que essas comunidades tenham acesso aos seus direitos, voz ativa e plena participação nas decisões democráticas”, afirmou.
Desde 2018, o TRE-TO mantém o Programa de Inclusão Sociopolítica dos Povos Indígenas, que leva serviços eleitorais e de cidadania diretamente às aldeias. A iniciativa já alcançou comunidades de etnias como Karajá, Xerente, Krahô, Apinajé e Javaé.
Entre os atendimentos oferecidos estão emissão e regularização do título de eleitor, cadastro biométrico, documentos civis e orientação jurídica, além de ações educativas sobre cidadania e participação política.
Informação em língua indígena
Outro avanço é a produção de cartilhas bilíngues, traduzidas para línguas de etnias como Karajá, Xerente, Apinajé e Krahô. O material busca facilitar o acesso à informação eleitoral de forma respeitosa e alinhada à realidade das comunidades.
Mesmo com os avanços, os números mostram que a presença indígena no eleitorado tocantinense ainda é limitada em termos proporcionais — um cenário que reforça a importância de políticas contínuas de inclusão e fortalecimento da participação política desses povos.
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Fonte: AF Noticias
