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Mutirão do HDT leva atendimento especializado a indígenas e reduz filas no norte do Tocantins

Notícias de Araguaína –  Indígenas que enfrentam longas distâncias e dificuldade de acesso à saúde especializada conseguiram, em dois dias, consultas e exames que aguardavam há meses no norte do Tocantins. A ação foi realizada pelo Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), em Araguaína.

O mutirão ocorreu nos dias 27 e 28 de abril e resultou em 26 atendimentos, sendo 18 consultas e oito exames. A iniciativa integrou um movimento nacional que mobilizou outros seis hospitais universitários ao longo da semana.

Mais do que os números, a ação teve impacto direto na vida de pacientes que vivem em territórios indígenas e enfrentam barreiras geográficas para acessar o Sistema Único de Saúde (SUS). Para a chefe da Unidade de Ambulatório do HDT, Raquel Andrade, a estratégia é essencial para reduzir desigualdades no acesso.

“Eles aproximam uma população que muitas vezes está distante, nos territórios indígenas, do nosso Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo acesso a especialidades, exames e diversos procedimentos”, destacou.

Entre os atendidos, o sentimento predominante foi de alívio. A indígena Cristina Silva Oliveira, da etnia Karajá-Xambioá, relatou o esforço necessário para conseguir atendimento. “Saíamos ontem da comunidade para chegar cedo aqui. Por isso, quando surge um mutirão como esse, que atende várias pessoas ao mesmo tempo, o impacto é muito positivo. Estávamos aguardando há algum tempo e ficamos muito felizes”, afirmou.

A expectativa também virou satisfação para Vicência Moreira, da mesma etnia. “Eu já esperava pelo atendimento há um tempo. De repente, recebi o chamado para participar do mutirão. Gostei muito da consulta, já saí com a solicitação de exames e um deles vou fazer ainda hoje. Foi muito bom”, contou.

Durante os dois dias, foram oferecidos atendimentos em diversas especialidades, como dermatologia, pediatria, ginecologia, neurologia, cardiologia, gastroenterologia, psiquiatria e clínica médica, além de exames laboratoriais e de imagem.

Para o médico residente em infectologia, Marciairo Kumbuessa, a experiência reforça o papel social da medicina. “Participar de um mutirão é extremamente enriquecedor. A gente desenvolve agilidade no raciocínio clínico e tem contato com diferentes realidades e perfis de pacientes. Para mim, que venho de outro país, também tem sido essencial para compreender o contexto epidemiológico local e as estratégias de cuidado no Brasil. Saber que estamos contribuindo para reduzir filas e ampliar o acesso à saúde traz um senso de propósito muito grande”, disse.

A ação evidencia o papel dos hospitais universitários na ampliação do acesso à saúde e na redução da demanda reprimida, especialmente entre populações mais vulneráveis.

O que é a HU Brasil

O Hospital de Doenças Tropicais integra a rede HU Brasil desde 2015. A instituição, vinculada ao Ministério da Educação, é responsável pela gestão de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

Criada pela Lei nº 12.550/2011, a rede passou recentemente por um reposicionamento institucional e adotou o nome HU Brasil, mantendo como base a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

Fonte: AF Noticias